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🔯 Símbolos

Olho de Hórus: o udjat egípcio

O olho de Hórus ou udjat 𓂀: o mito de Hórus e Seth, os amuletos egípcios desde o Império Antigo, a teoria das frações e a diferença para o olho turco.

3 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. O mito
  2. História documentada
  3. Olho de Hórus e olho de Rá
  4. A «teoria das frações»
  5. Não confundir
  6. Usos atuais
  7. Continue a ler
  8. Fontes

O olho de Hórus 𓂀 é um olho humano estilizado, com a sobrancelha, o traço de maquilhagem que se prolonga para o lado e, por baixo, duas marcas que lembram as penas da face de um falcão.

Os egípcios chamavam-lhe wedjat (ou udjat), que quer dizer «o que está inteiro» ou «o olho são». Foi um dos amuletos mais populares do Egito, durante mais de dois mil anos.

O mito

O símbolo nasce de um mito. O deus Hórus, com cabeça de falcão, lutou contra o seu tio Seth, assassino do pai, Osíris. Na luta, Seth feriu ou arrancou o olho de Hórus.

O olho foi depois curado: em algumas versões por Thot, deus da sabedoria; noutras por Hathor, que o ungiu com leite de gazela. Hórus ofereceu o olho restaurado a Osíris, dando-lhe nova vida no Além.

O olho de Hórus passou assim a significar cura, integridade e proteção. Com o tempo, foi também associado à Lua (que «se desfaz» e se refaz todos os meses).

História documentada

  • Império Antigo (final, c. 2300–2200 a.C.): surgem os primeiros amuletos wedjat.
  • Primeiro Período Intermédio e Império Médio: pares de olhos pintados nos sarcófagos, para que o morto «visse» para fora.
  • Até à época romana: continua a ser um dos amuletos mais comuns, em faiança, ouro, cornalina ou lápis-lazúli.
  • Pintado na proa dos barcos e invocado em fórmulas de cura contra doenças dos olhos.

➜ Magia egípcia

Olho de Hórus e olho de Rá

São conceitos próximos mas diferentes. O olho de Rá é uma força do deus-Sol, por vezes perigosa, associada a deusas como Sekhmet. Em alguns textos os dois misturam-se. O egiptólogo Richard Wilkinson sugere que os dois olhos se foram distinguindo: o de Hórus lunar, o de Rá solar.

A «teoria das frações»

Circula muito a ideia de que cada parte do olho representava uma fração (1/2, 1/4, 1/8… até 1/64) usada para medir cereais. A hipótese foi proposta por Georg Möller em 1911 e aceite durante décadas.

Em 2002, o historiador Jim Ritter mostrou que os sinais das frações antigas não derivam das partes do olho. Hoje a teoria é considerada, no mínimo, muito duvidosa.

Não confundir

  • Olho turco (nazar): o amuleto azul contra o mau-olhado, da tradição mediterrânica e turca. Tem outra origem.
  • Olho da Providência: o olho dentro de um triângulo, símbolo cristão e maçónico.
  • «Terceiro olho»: conceito de tradições indianas e esotéricas modernas.

➜ Olho turco

➜ O triângulo e o olho da Providência

Usos atuais

O olho de Hórus é hoje usado em joalharia, tatuagens e decoração. Na tradição esotérica moderna é vendido como amuleto contra o mau-olhado e a inveja, uma função próxima da original egípcia de proteção.

É uma crença, com uma longa história. Nenhum amuleto garante proteção, e em problemas de saúde dos olhos o caminho é sempre o médico.

➜ Desfazer o mau-olhado

Continue a ler

➜ Ankh, o sinal egípcio da vida

➜ Símbolos de proteção

➜ Todos os símbolos

Fontes

  • «Eye of Horus», Wikipedia (com bibliografia) — en.wikipedia.org
  • Jim Ritter, «Closing the Eye of Horus: The Rise and Fall of 'Horus-eye Fractions'», em Under One Sky, Ugarit-Verlag, 2002
  • Richard H. Wilkinson, The Complete Gods and Goddesses of Ancient Egypt, Thames & Hudson, 2003
  • Carol Andrews, Amulets of Ancient Egypt, British Museum Press, 1994

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