A franco-maçonaria, ou maçonaria, é uma associação fraternal e iniciática. Os seus membros reúnem-se em «lojas», usam rituais e símbolos inspirados nos antigos pedreiros e dizem trabalhar pelo aperfeiçoamento moral de cada um.
Poucas organizações geraram tantos mitos. Nesta página separamos o que está documentado das teorias sem prova, e contamos a história da maçonaria em Portugal.
As origens
A palavra vem do francês franc-maçon, «pedreiro livre». Na Idade Média, os construtores de catedrais organizavam-se em corporações, com segredos de ofício e sinais de reconhecimento.
No século XVII, na Escócia e em Inglaterra, começaram a entrar nas lojas homens que não eram pedreiros. A maçonaria deixou de ser um ofício e tornou-se uma sociedade de ideias, chamada «especulativa».
A data de referência é 24 de junho de 1717: quatro lojas de Londres fundaram a Grande Loja de Londres e Westminster. Em 1723 foram publicadas as Constituições de Anderson, com as regras da nova maçonaria.
Lendas que ligam a maçonaria aos Templários ou aos construtores do Templo de Salomão fazem parte do simbolismo maçónico. Não são factos históricos provados.
Graus e rituais
A maçonaria de base tem três graus:
| Grau | Sentido simbólico |
|---|---|
| Aprendiz | O início do caminho, a pedra bruta |
| Companheiro | O trabalho e o conhecimento |
| Mestre | A maturidade, ligada à lenda de Hiram |
Alguns ritos acrescentam mais graus. O mais conhecido, o Rito Escocês Antigo e Aceite, tem 33.
Os rituais de iniciação usam a encenação de morte e renascimento simbólicos, comum a muitos ritos iniciáticos.
Os símbolos
- O esquadro e o compasso: a retidão e a medida.
- A letra G: interpretada como «Geometria» ou «Grande Arquiteto do Universo».
- O olho que tudo vê: símbolo da providência divina, usado também fora da maçonaria.
- As duas colunas, Jaquim e Boaz, inspiradas no Templo de Salomão.
- O pavimento de quadrados pretos e brancos.
A maçonaria em Portugal
As primeiras lojas e a Inquisição
As primeiras lojas em Portugal foram criadas por comerciantes britânicos em Lisboa, por volta de 1727–1728.
Em 1738, o papa Clemente XII condenou a maçonaria na bula In eminenti. A Inquisição portuguesa passou a perseguir os maçons.
O caso mais famoso é o do joalheiro suíço John Coustos, preso em Lisboa em 1743 e torturado pela Inquisição. Libertado por intervenção britânica, publicou em Londres um relato do que sofreu.
O liberalismo e a República
Em 1802 foi fundado o Grande Oriente Lusitano, a mais antiga obediência maçónica portuguesa ainda existente.
No século XIX, muitos liberais eram maçons. No início do século XX, a maçonaria teve grande influência nos meios republicanos, e muitos dirigentes da Primeira República (1910–1926) pertenciam a lojas.
Em 1923, a médica e feminista Adelaide Cabete fundou a federação portuguesa da ordem mista Le Droit Humain, que admite mulheres.
A proibição de 1935
O Estado Novo tentou acabar com a maçonaria. O deputado José Cabral apresentou um projeto contra as «associações secretas», que se tornou a Lei n.º 1901, de 21 de maio de 1935.
Pouco antes, a 4 de fevereiro de 1935, Fernando Pessoa publicou no Diário de Lisboa o artigo «Associações Secretas», defendendo a maçonaria. Escreveu que não era maçon, mas que a lei era injusta e inútil.
A lei só foi revogada depois do 25 de Abril, pelo Decreto-Lei n.º 594/74, de 7 de novembro de 1974.
Hoje
Existem em Portugal várias obediências, entre elas o Grande Oriente Lusitano e a Grande Loja Legal de Portugal, criada em 1991 e ligada à maçonaria de tradição inglesa.
Maçonaria e Igreja Católica
A Igreja Católica condenou a maçonaria desde 1738. Em 1983, a Congregação para a Doutrina da Fé declarou que a adesão continua incompatível com a fé católica.
Maçonaria e ocultismo
A maçonaria não é, em si, uma escola de magia. Mas o seu simbolismo influenciou muito o ocultismo: a Rosa-Cruz, a Ordem Hermética da Aurora Dourada e outras ordens iniciáticas copiaram a estrutura de graus e rituais maçónicos.
Teorias que dizem que a maçonaria «governa o mundo» ou pratica cultos satânicos não têm fundamento documental e foram muitas vezes usadas para fins políticos.
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Fontes
- «Lei n.º 1901, de 21 de maio de 1935», Wikipédia — pt.wikipedia.org
- Fernando Pessoa, «Associações Secretas», Diário de Lisboa, 4 de fevereiro de 1935 — modernismo.pt
- «Freemasonry in Portugal», Wikipedia — en.wikipedia.org
- A. H. de Oliveira Marques, História da Maçonaria em Portugal, Lisboa, Presença, 1990–1997.
- Congregação para a Doutrina da Fé, Declaração sobre a maçonaria, 26 de novembro de 1983 — vatican.va