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Franco-Maçonaria: história, símbolos e mitos

O que é a maçonaria: origens em 1717, graus e símbolos, a perseguição da Inquisição a John Coustos, o Grande Oriente Lusitano, a lei de 1935 e o que é mito.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. As origens
  2. Graus e rituais
  3. Os símbolos
  4. A maçonaria em Portugal
  5. Maçonaria e Igreja Católica
  6. Maçonaria e ocultismo
  7. Continue a ler
  8. Fontes

A franco-maçonaria, ou maçonaria, é uma associação fraternal e iniciática. Os seus membros reúnem-se em «lojas», usam rituais e símbolos inspirados nos antigos pedreiros e dizem trabalhar pelo aperfeiçoamento moral de cada um.

Poucas organizações geraram tantos mitos. Nesta página separamos o que está documentado das teorias sem prova, e contamos a história da maçonaria em Portugal.

As origens

A palavra vem do francês franc-maçon, «pedreiro livre». Na Idade Média, os construtores de catedrais organizavam-se em corporações, com segredos de ofício e sinais de reconhecimento.

No século XVII, na Escócia e em Inglaterra, começaram a entrar nas lojas homens que não eram pedreiros. A maçonaria deixou de ser um ofício e tornou-se uma sociedade de ideias, chamada «especulativa».

A data de referência é 24 de junho de 1717: quatro lojas de Londres fundaram a Grande Loja de Londres e Westminster. Em 1723 foram publicadas as Constituições de Anderson, com as regras da nova maçonaria.

Lendas que ligam a maçonaria aos Templários ou aos construtores do Templo de Salomão fazem parte do simbolismo maçónico. Não são factos históricos provados.

Graus e rituais

A maçonaria de base tem três graus:

Grau Sentido simbólico
Aprendiz O início do caminho, a pedra bruta
Companheiro O trabalho e o conhecimento
Mestre A maturidade, ligada à lenda de Hiram

Alguns ritos acrescentam mais graus. O mais conhecido, o Rito Escocês Antigo e Aceite, tem 33.

Os rituais de iniciação usam a encenação de morte e renascimento simbólicos, comum a muitos ritos iniciáticos.

➜ Ritos iniciáticos

➜ Iniciação espiritual

Os símbolos

  • O esquadro e o compasso: a retidão e a medida.
  • A letra G: interpretada como «Geometria» ou «Grande Arquiteto do Universo».
  • O olho que tudo vê: símbolo da providência divina, usado também fora da maçonaria.
  • As duas colunas, Jaquim e Boaz, inspiradas no Templo de Salomão.
  • O pavimento de quadrados pretos e brancos.

➜ O triângulo

➜ O círculo

A maçonaria em Portugal

As primeiras lojas e a Inquisição

As primeiras lojas em Portugal foram criadas por comerciantes britânicos em Lisboa, por volta de 1727–1728.

Em 1738, o papa Clemente XII condenou a maçonaria na bula In eminenti. A Inquisição portuguesa passou a perseguir os maçons.

O caso mais famoso é o do joalheiro suíço John Coustos, preso em Lisboa em 1743 e torturado pela Inquisição. Libertado por intervenção britânica, publicou em Londres um relato do que sofreu.

➜ A Inquisição em Portugal

O liberalismo e a República

Em 1802 foi fundado o Grande Oriente Lusitano, a mais antiga obediência maçónica portuguesa ainda existente.

No século XIX, muitos liberais eram maçons. No início do século XX, a maçonaria teve grande influência nos meios republicanos, e muitos dirigentes da Primeira República (1910–1926) pertenciam a lojas.

Em 1923, a médica e feminista Adelaide Cabete fundou a federação portuguesa da ordem mista Le Droit Humain, que admite mulheres.

A proibição de 1935

O Estado Novo tentou acabar com a maçonaria. O deputado José Cabral apresentou um projeto contra as «associações secretas», que se tornou a Lei n.º 1901, de 21 de maio de 1935.

Pouco antes, a 4 de fevereiro de 1935, Fernando Pessoa publicou no Diário de Lisboa o artigo «Associações Secretas», defendendo a maçonaria. Escreveu que não era maçon, mas que a lei era injusta e inútil.

A lei só foi revogada depois do 25 de Abril, pelo Decreto-Lei n.º 594/74, de 7 de novembro de 1974.

Hoje

Existem em Portugal várias obediências, entre elas o Grande Oriente Lusitano e a Grande Loja Legal de Portugal, criada em 1991 e ligada à maçonaria de tradição inglesa.

Maçonaria e Igreja Católica

A Igreja Católica condenou a maçonaria desde 1738. Em 1983, a Congregação para a Doutrina da Fé declarou que a adesão continua incompatível com a fé católica.

Maçonaria e ocultismo

A maçonaria não é, em si, uma escola de magia. Mas o seu simbolismo influenciou muito o ocultismo: a Rosa-Cruz, a Ordem Hermética da Aurora Dourada e outras ordens iniciáticas copiaram a estrutura de graus e rituais maçónicos.

Teorias que dizem que a maçonaria «governa o mundo» ou pratica cultos satânicos não têm fundamento documental e foram muitas vezes usadas para fins políticos.

Continue a ler

➜ Rosa-Cruz

➜ Ritos iniciáticos

➜ Magia cerimonial

➜ Enciclopédia do Oculto

Fontes

  • «Lei n.º 1901, de 21 de maio de 1935», Wikipédia — pt.wikipedia.org
  • Fernando Pessoa, «Associações Secretas», Diário de Lisboa, 4 de fevereiro de 1935 — modernismo.pt
  • «Freemasonry in Portugal», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • A. H. de Oliveira Marques, História da Maçonaria em Portugal, Lisboa, Presença, 1990–1997.
  • Congregação para a Doutrina da Fé, Declaração sobre a maçonaria, 26 de novembro de 1983 — vatican.va

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