Saltar para o conteúdo

🏛️ Enciclopédia do Oculto

O Martinismo — dos Élus Coëns à Ordem Martinista

O martinismo explicado: Martinès de Pasqually e os Élus Coëns, Saint-Martin, o «Filósofo Desconhecido», Willermoz, Papus e a Ordem Martinista de 1891.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. Martinès de Pasqually e os Élus Coëns
  3. Louis-Claude de Saint-Martin, o «Filósofo Desconhecido»
  4. Willermoz e o Regime Escocês Retificado
  5. Papus e a Ordem Martinista
  6. Martinismo e Portugal
  7. Como distinguir as três correntes
  8. Continue a ler
  9. Fontes

O martinismo é uma corrente do esoterismo cristão nascida em França no século XVIII. O nome vem de dois homens diferentes com nomes parecidos, o que causa muitas confusões: Martinès de Pasqually e Louis-Claude de Saint-Martin.

A ideia central é a reintegração: o ser humano teria caído de um estado espiritual original e pode, por um caminho interior, regressar à união com Deus.

No século XIX, o ocultista Papus transformou esta herança numa ordem iniciática que ainda hoje existe, em vários ramos.

Ficha

Campo Informação
Origem França, século XVIII
Figuras fundadoras Martinès de Pasqually; Louis-Claude de Saint-Martin
Primeira ordem Élus Coëns (fundada c. 1761)
Texto de base Tratado da Reintegração dos Seres (c. 1770–1772)
Ordem moderna Ordem Martinista (Papus e Chaboseau, 1884–1891)
Tipo Esoterismo cristão, iniciático

Martinès de Pasqually e os Élus Coëns

De Martinès de Pasqually (c. 1727–1774) sabe-se pouco. A data, o lugar de nascimento e a nacionalidade são desconhecidos. Já se propôs Grenoble, Espanha, Portugal e uma origem judaica; nenhuma hipótese está provada.

O que é documentado é a sua atividade maçónica no sul de França. Por volta de 1761, em Bordéus, criou a Ordem dos Cavaleiros Maçons Élus Coëns do Universo (Élus Coëns quer dizer «sacerdotes eleitos»). Algumas fontes indicam 1765 para a organização formal.

Em 1772 partiu para São Domingos, nas Antilhas, para receber uma herança. Morreu lá em 1774.

➜ A Franco-Maçonaria

A teurgia dos Élus Coëns

Os Élus Coëns praticavam operações teúrgicas: rituais para entrar em relação com entidades angélicas. Os sinais que surgiam durante as operações eram entendidos como provas de que o operador seguia o caminho da reintegração.

É uma herança distante da teurgia dos neoplatónicos da Antiguidade.

➜ Neoplatonismo e teurgia

➜ Angelologia

O Tratado da Reintegração

O Tratado sobre a Reintegração dos Seres foi redigido por volta de 1770–1772. Conta, numa leitura esotérica da Bíblia, a queda dos espíritos e do homem, e o caminho do regresso.

Louis-Claude de Saint-Martin, o «Filósofo Desconhecido»

Louis-Claude de Saint-Martin (Amboise, 1743 – Aulnay, 1803) foi oficial do exército em Bordéus. Aí conheceu Martinès, foi iniciado nos Élus Coëns em 1768 e tornou-se seu secretário.

Com o tempo, afastou-se dos rituais. Preferiu uma via interior de oração e contemplação, a que os martinistas chamam «a via do coração».

Publicou sob o pseudónimo «O Filósofo Desconhecido». O seu primeiro livro, Dos Erros e da Verdade (1775), foi posto no Índex pela Igreja Católica. Nos últimos anos foi o primeiro tradutor para francês do místico alemão Jakob Böhme.

Saint-Martin não fundou nenhuma ordem. Os seus admiradores formaram grupos de «amigos de Saint-Martin», mais tarde chamados martinistas.

➜ Jakob Böhme

Willermoz e o Regime Escocês Retificado

Outro discípulo de Martinès, Jean-Baptiste Willermoz, de Lyon (1730–1824), levou as ideias dos Élus Coëns para a maçonaria.

No Convento de Lyon (1778) e no de Wilhelmsbad (1782), deu forma ao Regime Escocês Retificado, que conserva a doutrina da reintegração sem as operações teúrgicas. Este rito maçónico continua a ser praticado.

Papus e a Ordem Martinista

No fim do século XIX, o médico e ocultista Gérard Encausse, conhecido como Papus, afirmou ter recebido uma transmissão iniciática através de Henri de Laage, cujo avô teria sido iniciado pelo próprio Saint-Martin. Esta cadeia não está documentada de forma independente.

Com Augustin Chaboseau, fundou a Ordem Martinista entre 1884 e 1887, com um Conselho Supremo criado em 1891. A nova ordem espalhou-se por França, Rússia, Itália, entre outros países.

Papus era também bispo da Igreja Gnóstica de Jules Doinel, o que liga o martinismo moderno ao renascimento gnóstico francês.

➜ Papus

➜ O gnosticismo

Depois da morte de Papus (1916), a ordem dividiu-se em vários ramos. Hoje existem várias ordens martinistas independentes, sem uma autoridade central.

Martinismo e Portugal

A ligação documentada é modesta. O filósofo portuense Sampaio Bruno (1857–1915), no livro O Encoberto (1904), defendeu que Martinès seria provavelmente de origem portuguesa, pelas semelhanças com o pensamento hermético português. É uma hipótese, não um facto provado.

Não encontrámos fontes fiáveis sobre a história de ordens martinistas em Portugal, por isso não a contamos aqui.

Como distinguir as três correntes

Corrente Característica
Élus Coëns (Martinès) Maçonaria com rituais teúrgicos
Via interior (Saint-Martin) Oração e contemplação, sem ritual
Ordem Martinista (Papus) Ordem iniciática moderna, com ligação ao ocultismo

Continue a ler

➜ A Rosa-Cruz

➜ Ritos iniciáticos

➜ Éliphas Lévi

➜ História do ocultismo

Fontes

A minha nota

Escreva aqui as suas anotações. Ficam guardadas só neste dispositivo — não são enviadas para nenhum servidor.

Continue a explorar

Ver tudo em Enciclopédia do Oculto ›