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O oráculo de Delfos

Como funcionava o oráculo de Delfos: a Pítia, as consultas, as respostas a Creso e a Sócrates, a hipótese dos gases de 2001 e os outros oráculos gregos.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. O centro do mundo
  3. Como funcionava a consulta
  4. As respostas famosas
  5. Os gases de Delfos: mito ou realidade?
  6. Outros oráculos antigos
  7. Continue a ler
  8. Fontes

Durante mais de mil anos, reis, cidades e cidadãos comuns subiram à encosta do monte Parnaso para fazer perguntas a Apolo. A resposta vinha pela boca de uma mulher: a Pítia.

Delfos foi o oráculo mais famoso do mundo grego. Decidia fundações de colónias, guerras e leis — e deixou-nos algumas das frases mais citadas da Antiguidade.

Esta página separa o que dizem as fontes antigas, o que mostrou a arqueologia e o que continua em debate.

Ficha

Campo Informação
Local Delfos, na Fócida (Grécia central), encosta do Parnaso
Divindade Apolo
Sacerdotisa A Pítia
Atividade Pelo menos desde o séc. VIII a.C. até ao fim do séc. IV d.C.
Fim Silenciado no reinado do imperador cristão Teodósio I
Hoje Sítio arqueológico, Património Mundial da UNESCO desde 1987

O centro do mundo

Para os gregos, Delfos era o umbigo do mundo. Uma pedra sagrada, o omphalos («umbigo»), marcava esse centro.

Segundo o mito, Apolo matou ali a serpente Píton, que guardava o lugar. Muitos estudiosos pensam que o santuário foi antes dedicado a uma deusa da terra, Gaia, e que o mito conta a chegada do novo deus.

À entrada do templo estavam inscritas máximas como «Conhece-te a ti mesmo» e «Nada em excesso», além de uma misteriosa letra E.

Como funcionava a consulta

Segundo as fontes antigas:

  • A Pítia só respondia um dia por mês, o dia 7.
  • O oráculo funcionava nos nove meses mais quentes. No inverno, dizia-se, Apolo partia e Dioniso ocupava o santuário.
  • A Pítia sentava-se numa trípode (banco de três pés) no ádito, uma sala abaixo do chão do templo.
  • Os sacerdotes transmitiam a resposta, por vezes em verso.

Um dos sacerdotes do templo, por volta do ano 95 d.C., foi o escritor Plutarco. Os seus ensaios sobre Delfos são uma das principais fontes que temos.

As respostas famosas

Chegaram até nós várias centenas de respostas atribuídas ao oráculo. Muitas são lendárias ou foram escritas depois dos acontecimentos.

Creso e o grande império

Segundo Heródoto, Creso, rei da Lídia, perguntou se devia atacar os persas. A resposta: se o fizesse, destruiria um grande império. Atacou — e o império destruído foi o seu.

Os muros de madeira

Antes da invasão de Xerxes (480 a.C.), Atenas recebeu a indicação de que só os muros de madeira a salvariam. Temístocles interpretou-os como os navios, e a frota ateniense venceu em Salamina.

Sócrates, o mais sábio

Segundo a Apologia de Platão, um amigo de Sócrates perguntou se havia alguém mais sábio do que ele. A Pítia respondeu que não. Sócrates concluiu que a sua sabedoria estava em saber que nada sabia.

A ambiguidade destas respostas é famosa: quase sempre podiam ser lidas de duas maneiras.

Os gases de Delfos: mito ou realidade?

Autores antigos, incluindo Plutarco, falam de um pneuma, um sopro ou vapor que inspirava a Pítia.

As escavações francesas, iniciadas em 1892–1893, não revelaram nenhuma grande fenda sob o templo. A partir de 1904, vários estudiosos afirmaram que nunca tinham existido fenda nem vapores, e durante décadas estes foram tidos por lenda.

Em 2001, uma equipa de geólogos e químicos (Jelle de Boer, John Hale e Jeffrey Chanton) mostrou que duas falhas geológicas se cruzam sob o templo. Nas águas de uma fonte próxima encontraram vestígios de etileno, um gás de cheiro adocicado que em doses altas causa um estado alterado.

A hipótese continua discutida. As quantidades medidas hoje são muito baixas, e outros investigadores propõem outros gases ou lembram que um estado de transe pode ter causas rituais e psicológicas.

Outros oráculos antigos

Delfos não era o único:

Oráculo O que se sabe
Dodona (Epiro) O mais antigo; de Zeus; interpretava o som das folhas de um carvalho
Siwa (Egito) De Zeus Ámon, no deserto líbio; visitado por Alexandre Magno
Dídima (Ásia Menor) Grande santuário de Apolo, perto de Mileto
Trofónio (Beócia) Oráculo numa gruta, com descida ritual

Continue a ler

➜ Magia grega

➜ Os Mistérios de Elêusis

➜ Neoplatonismo e teurgia

➜ Dicionário do oculto: letra O

Fontes

  • Heródoto, Histórias, livro I (Creso) e livro VII (os muros de madeira)
  • Platão, Apologia de Sócrates, 21a
  • Jelle Z. de Boer, John R. Hale e Jeffrey Chanton, «New evidence for the geological origins of the ancient Delphic oracle», Geology 29 (2001)
  • Wikipedia (inglês), Pythia, Delphi e Oracle
  • UNESCO, Archaeological Site of Delphi

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