A letra O abre com a palavra que dá nome a todo este campo: ocultismo. Segue-se uma coleção de «olhos» — olho gordo, olho de Hórus, olho turco, olho da Providência — que mostram como o medo do olhar alheio atravessa culturas.
Cada termo tem uma definição curta. Quando existe página própria no Grimório.pt, encontra a ligação «Ler mais».
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Obsidiana
Vidro vulcânico natural, geralmente negro. Os astecas faziam dela espelhos; o espelho mágico atribuído a John Dee, no Museu Britânico, é de obsidiana.
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Oculto
Do latim occultus, «escondido». Designa o saber considerado secreto ou reservado a iniciados, e os fenómenos que se julga não serem explicáveis pelas leis conhecidas.
Ocultismo
Nome dado, sobretudo a partir do século XIX (com Éliphas Lévi e outros), ao estudo e prática da magia, astrologia, alquimia, Cabala e tarot como um sistema de saber oculto.
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Oferenda
Aquilo que se dá a uma divindade, santo ou espírito: flores, velas, alimentos, bebida. Existe em quase todas as religiões, do ex-voto católico ao despacho afro-brasileiro.
Ogham
Alfabeto irlandês antigo, formado por traços ao longo de uma linha, usado em inscrições em pedra dos séculos IV a VI. A sua ligação a um «calendário das árvores» é uma ideia moderna.
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Olho da Providência
Olho dentro de um triângulo com raios de luz, símbolo cristão da vigilância de Deus. Aparece na nota de um dólar desde 1935; a ligação à maçonaria é posterior e muitas vezes exagerada.
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Olho de Hórus
Símbolo egípcio (udjat ou wedjat), usado como amuleto de proteção e de integridade do corpo.
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Olho gordo
Expressão portuguesa para o mau-olhado: o mal que, segundo a crença popular, a inveja do olhar alheio pode causar.
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Olho turco
Amuleto de vidro azul com um olho desenhado (nazar), muito usado na Turquia e no Mediterrâneo oriental contra o mau-olhado.
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Olímpicos, espíritos
Os sete espíritos planetários descritos no Arbatel (Basileia, 1575), como Aratron (Saturno) e Och (Sol).
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Om
Sílaba sagrada do hinduísmo, do budismo e do jainismo, recitada no início das orações e na meditação.
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Oniromancia
Suposta adivinhação pelos sonhos. Os livros de interpretação de sonhos existem desde o Egito antigo e a Mesopotâmia.
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Ónix
Variedade de calcedónia com camadas paralelas, usada desde a Antiguidade em camafeus e selos.
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Oração
Palavra dirigida a Deus, aos santos ou a outras entidades espirituais. Na tradição portuguesa, a fronteira entre oração, benzedura e ensalmo foi muitas vezes ténue.
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Oráculo
Resposta dada por uma divindade, e também o lugar ou a pessoa que a transmite. O mais célebre foi o de Delfos, na Grécia, onde falava a Pítia.
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Ordem Hermética da Aurora Dourada
Sociedade ocultista fundada em Londres em 1888, conhecida como Golden Dawn. Organizou a magia cerimonial moderna em graus e influenciou quase todo o ocultismo do século XX.
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Orixá
Divindade das religiões de origem iorubá, como o Candomblé no Brasil e a Santería em Cuba: Oxalá, Iemanjá, Xangô, Ogum e outros.
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Ostara
Nome dado pelos neopagãos à festa do equinócio da primavera. Deriva de uma deusa germânica referida por Beda (Eostre) e reconstruída por Jacob Grimm.
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Ouroboros
Serpente ou dragão que morde a própria cauda, símbolo do ciclo eterno. Aparece no Egito antigo e é muito usado nos manuscritos de alquimia.
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Ovo
Na tradição popular, usado em «limpezas» passadas pelo corpo e depois observadas. É prática de crença, sem valor de diagnóstico.
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Outras letras
➜ Letra N
➜ Letra P
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Fontes
- Wouter J. Hanegraaff (dir.), Dictionary of Gnosis & Western Esotericism, Brill, 2005.
- Jean Chevalier e Alain Gheerbrant, Dicionário dos Símbolos, Teorema, Lisboa.
- Owen Davies, Grimoires: A History of Magic Books, Oxford University Press, 2009.
- Dicionário Priberam da Língua Portuguesa — https://dicionario.priberam.org/