Poucas especiarias têm tanta história portuguesa como a canela. Foi uma das riquezas que trouxe os navios portugueses até ao Ceilão, e hoje está no arroz-doce, na aletria e nos pastéis de nata.
Na tradição esotérica moderna, a canela é associada ao dinheiro, à atração e ao «calor». Aqui explicamos a planta, a história, a crença e as precauções.
Ficha rápida
| Campo | Informação |
|---|---|
| Nomes populares | Canela, canela-do-ceilão, caneleira |
| Nome científico | Cinnamomum verum (canela-do-ceilão) |
| Parente comum | Cinnamomum cassia (cássia ou canela-da-china) |
| Família | Lauráceas (a mesma do louro) |
| Origem | Sri Lanka (antigo Ceilão) e sul da Índia |
A planta
A canela é a casca interior de pequenas árvores tropicais. A casca é retirada dos ramos, seca ao sol e enrola-se sozinha, formando os «paus» de canela.
Há duas canelas principais no comércio:
- Canela-do-ceilão (C. verum): paus finos, em muitas camadas, cor clara, sabor suave.
- Cássia (C. cassia e espécies próximas): paus grossos, de uma só camada, cor escura, sabor mais forte. É a mais barata e a mais vendida em pó.
A diferença importa para a saúde, como verá nas precauções.
História: a canela e os portugueses
A canela era conhecida no Egito, na Grécia e em Roma, onde chegava por rotas comerciais longas e cheias de intermediários. Era cara e rodeada de lendas sobre a sua origem.
No início do século XVI, os portugueses chegaram ao Ceilão e passaram a controlar grande parte do comércio da canela. Esse domínio durou mais de um século, até os holandeses conquistarem as posições portuguesas na ilha, em meados do século XVII.
É por isso que a canela está tão presente na doçaria tradicional portuguesa.
Na tradição esotérica
Na tradição esotérica moderna, a canela é associada a:
- Prosperidade e dinheiro;
- Atração e desejo;
- Sucesso e «ativação» de outros rituais.
Uma prática muito divulgada na internet, vinda sobretudo da tradição popular brasileira recente, é soprar canela em pó para dentro de casa no primeiro dia do mês. Também se polvilha canela à volta de velas ou se juntam paus de canela a banhos e saquinhos.
Estes significados são crença. Nenhum ritual com canela garante dinheiro, amor ou sucesso.
Na cozinha
A canela é essencial no arroz-doce, aletria, leite-creme, rabanadas, pastéis de nata e em muitos pratos de carne da cozinha árabe e indiana. O pau de canela serve para aromatizar leite, vinho quente e chás.
Precauções
Nas quantidades normais da cozinha, a canela é considerada segura para a maioria das pessoas. Os cuidados começam com grandes quantidades, suplementos e óleo essencial.
- Cumarina e fígado: a cássia contém muita cumarina, uma substância que, em excesso, pode afetar o fígado. O instituto alemão de avaliação de riscos (BfR) recomenda preferir a canela-do-ceilão para quem a usa com muita frequência. Os suplementos podem ultrapassar os limites seguros.
- Não inale nem sopre canela em pó perto do rosto: o pó pode entrar nos pulmões e causar tosse, engasgamento e inflamação. O chamado «desafio da canela» já provocou internamentos. Se fizer a simpatia de soprar canela, faça-o com cuidado, longe dos olhos e sem inspirar, e nunca com crianças por perto.
- Pele: o pó e sobretudo o óleo essencial de canela irritam a pele e as mucosas. Não use o óleo puro em banhos.
- Gravidez e amamentação: como tempero, não há problema conhecido. Em doses altas ou suplementos, não é considerada segura.
- Crianças: evite suplementos e óleo essencial.
- Animais: o pó inalado irrita as vias respiratórias de cães e gatos; o óleo essencial é perigoso para gatos.
- Medicamentos: quem tem doença do fígado, diabetes ou toma medicação regular deve falar com o médico antes de usar suplementos de canela.
Velas: se polvilhar canela à volta de uma vela, afaste-a da chama, porque o pó pode arder.
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Fontes
- «Cinnamon», NCCIH — nccih.nih.gov
- «FAQ on coumarin in cinnamon and other foods», BfR — bfr.bund.de
- «Cinnamomum verum», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Portuguese Ceylon», Wikipedia — en.wikipedia.org