Quando se fala de «cravo» nas ervas mágicas, fala-se do cravinho, a especiaria. Não da flor — o cravo de jardim, símbolo do 25 de Abril, é outra planta.
O cravinho é o botão de flor seco de uma árvore tropical. Foi uma das especiarias mais disputadas da história, e Portugal esteve no centro dessa disputa.
Ficha rápida
| Campo | Informação |
|---|---|
| Nomes populares | Cravinho, cravo-da-índia, cravo-de-cabecinha |
| Nome científico | Syzygium aromaticum |
| Família | Mirtáceas (a mesma do eucalipto e da murta) |
| Origem | Ilhas Molucas (Indonésia) |
| Não confundir com | Cravo-de-jardim (Dianthus caryophyllus), uma flor |
A planta
O cravinho vem de uma árvore perene que pode passar dos 10 metros. Os botões florais são colhidos antes de abrir, quando estão rosados, e secam ao sol até ficarem castanhos.
A forma lembra um pequeno prego — daí o nome, do latim clavus, «prego». O cheiro intenso vem do eugenol, a substância principal do seu óleo.
História: as ilhas do cravo
Durante séculos, o cravinho só crescia em algumas pequenas ilhas das Molucas, como Ternate e Tidore. Chegava à Europa por rotas longas, a preços altíssimos.
Os portugueses chegaram às Molucas em 1512 e, por volta de 1522, construíram em Ternate a fortaleza de São João Baptista. Seguiu-se meio século de disputas pelo comércio do cravo com os sultões locais e com os espanhóis. Em 1575, os portugueses foram forçados a sair de Ternate; no início do século XVII, os holandeses tomaram as últimas posições portuguesas na região.
Na tradição esotérica
Na tradição esotérica moderna, o cravinho é associado a:
- Proteção e afastamento de «más energias»;
- Prosperidade, muitas vezes junto com a canela;
- Atração e amizade.
É usado em saquinhos de ervas, em defumações e espetado em laranjas ou maçãs, formando os chamados pomanders (bolas perfumadas), uma tradição europeia antiga de perfumar a casa.
Na tradição afro-brasileira, o cravo também tem usos próprios, que não cabem nesta página.
Tudo isto é crença e simbolismo. Nenhuma prática garante resultados.
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Na cozinha e em casa
O cravinho aromatiza o vinho quente, doces de fruta, marmelada, presunto assado, cozidos e chás. Usa-se inteiro ou moído, em muito pequena quantidade.
Uma laranja com cravinhos espetados é um ambientador natural simples para o Natal.
Precauções
Como tempero, o cravinho é considerado seguro. O perigo está no óleo de cravinho (óleo essencial), muito concentrado em eugenol.
- Crianças: a ingestão de óleo de cravinho por crianças pequenas causou casos graves de lesão do fígado, convulsões e perda de consciência. Guarde o óleo fechado e fora do seu alcance.
- Não ingira o óleo essencial.
- Pele e boca: o óleo puro irrita e queima a pele, as gengivas e as mucosas. Não o aplique puro nem o ponha em banhos sem diluir.
- Coagulação: o eugenol pode dificultar a coagulação do sangue. Quem toma anticoagulantes ou vai ser operado deve evitar suplementos e óleo de cravinho, e falar com o médico.
- Gravidez e amamentação: como tempero, sem problema conhecido. Óleo e suplementos, não.
- Animais: os óleos essenciais, incluindo o de cravinho, são perigosos para gatos. Não use difusores em casas com gatos.
- Fumo: os cigarros de cravo (kretek) não são uma alternativa segura ao tabaco.
Defumações: queime com a janela aberta, num recipiente resistente ao calor, e nunca sem vigilância.
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Fontes
- «Eugenol (Clove Oil)», LiverTox, NIH — ncbi.nlm.nih.gov
- «Syzygium aromaticum», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Ternatean–Portuguese conflicts», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Caryophylli floris aetheroleum», European Medicines Agency (HMPC) — ema.europa.eu