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🌿 Ervas

Erva-cidreira: a erva das abelhas

Ficha da erva-cidreira: a «erva das abelhas» dos Gregos, a Água do Carmo, a colheita no São João em Portugal, as confusões de nomes e as precauções.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. Cuidado com os nomes
  3. A erva das abelhas
  4. Da medicina antiga às boticas dos conventos
  5. A cidreira no São João português
  6. Usos tradicionais e na tradição esotérica
  7. Precauções
  8. Continue a ler
  9. Fontes

A erva-cidreira é uma das plantas mais familiares dos quintais portugueses. Basta roçar-lhe as folhas para sentir um cheiro fresco a limão, e o seu chá é dos mais bebidos em casa, ao fim do dia.

É também uma planta com uma longa história escrita, do mundo grego às boticas dos conventos. Nesta ficha vê o que se sabe da planta, o que diz a tradição e as precauções a ter.

Ficha

Campo Informação
Nome comum Erva-cidreira
Nome científico Melissa officinalis
Família Lamiáceas (a da hortelã, do alecrim e da salva)
Outros nomes Melissa, erva-cidreira-verdadeira
Origem Sul e centro da Europa, bacia do Mediterrâneo, Ásia Central e Irão
Partes usadas na tradição Folhas
Toxicidade A EMA não registou efeitos secundários relevantes; o óleo essencial não se ingere

Cuidado com os nomes

«Cidreira» é um nome popular dado a várias plantas com cheiro a limão. Convém não as confundir:

Planta Nome científico
Erva-cidreira (a desta ficha) Melissa officinalis
Lúcia-lima ou verbena-limão Aloysia citrodora
Cidreira (sobretudo no Brasil) Lippia alba
Capim-cidreira ou capim-limão Cymbopogon citratus

São plantas diferentes, com composição diferente. Se ler uma receita brasileira de «chá de cidreira», é provável que se refira a uma das duas últimas.

A erva das abelhas

O nome Melissa vem do grego mélissa, «abelha». As flores, pequenas e brancas, atraem muitas abelhas, e os apicultores plantavam-na junto às colmeias.

Já Teofrasto, discípulo de Aristóteles, falava de uma «folha das abelhas» na sua obra sobre as plantas, por volta de 300 a.C. Na tradição inglesa dizia-se que as abelhas nunca abandonavam um jardim onde houvesse erva-cidreira, e o herbalista John Gerard cultivava-a por essa razão.

O nome officinalis indica que a planta era vendida nas boticas (as antigas farmácias).

Da medicina antiga às boticas dos conventos

A erva-cidreira foi descrita pelo médico grego Dioscórides, no século I, e aparece em grandes obras da medicina árabe medieval, como o Cânone da Medicina de Avicena.

Na Europa, a planta ficou ligada aos conventos. A chamada Água das Carmelitas (ou Água do Carmo), um destilado de erva-cidreira e outras plantas aromáticas associado aos religiosos carmelitas, tornou-se muito famosa. Ainda hoje se vende em farmácias alemãs.

A cidreira no São João português

Na tradição portuguesa, a erva-cidreira é uma das ervas de São João. A etnóloga Teresa Soeiro registou em São João da Pesqueira, no Douro, que a macela, a erva-cidreira e as alcachofras se colhiam carregadas de orvalho na madrugada de 24 de junho.

A crença de que as ervas colhidas nessa madrugada são mais fortes é comum a várias regiões da Península Ibérica. É tradição popular, ligada às antigas festas do solstício de verão.

➜ As ervas de São João em Portugal

➜ Macela

Usos tradicionais e na tradição esotérica

Na medicina popular, o chá de erva-cidreira bebe-se para acalmar os nervos, ajudar a dormir e aliviar má digestão. A Agência Europeia do Medicamento (EMA) reconhece estes usos apenas como «uso tradicional»: há muitos anos de uso seguro, mas faltam ensaios clínicos.

Na cozinha, as folhas frescas usam-se em chás, sobremesas, saladas e pratos de peixe.

Na tradição esotérica moderna, a erva-cidreira é associada à calma, à alegria e à paz da casa, e entra em banhos e saquetas. É crença e simbolismo: não há efeito espiritual demonstrado, e nenhum uso garante resultados.

➜ Banho para a paz interior

➜ Como fazer uma saqueta de ervas

Precauções

  • Crianças: a EMA recomenda o uso medicinal só em adultos e crianças com mais de 12 anos.
  • Gravidez e amamentação: não há dados de segurança suficientes. Não use como remédio sem falar com o médico.
  • Sonolência e medicamentos: se toma calmantes, comprimidos para dormir ou outra medicação regular, fale com o médico ou farmacêutico antes de beber chá de cidreira com frequência.
  • Óleo essencial: nunca o ingira. Na pele, só diluído. Evite difusores perto de gatos.
  • Duração: se o nervosismo, a insónia ou os problemas digestivos se mantêm mais de duas semanas, consulte um médico.
  • Pele: antes de um banho, faça um teste numa pequena zona.

A erva-cidreira não trata ansiedade, depressão ou insónia crónica. Se sente que o nervosismo ou a tristeza lhe estão a pesar, fale com o seu médico de família ou com um psicólogo.

Continue a ler

➜ Hortelã

➜ Plantas para ter em casa

➜ Todas as ervas

Fontes

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