Poucas intenções são tão antigas como pedir amor. Por isso, quase todas as culturas têm plantas ligadas ao namoro, ao casamento e à atração.
Nesta página reunimos as ervas mais associadas ao amor, com destaque para as tradições portuguesas dos Santos Populares. Explicamos o que diz a crença, o que é seguro e o que não recomendamos.
Uma nota antes de começar
As ervas do amor servem, na tradição, para abrir o coração, cuidar de si e celebrar uma relação. Não as usamos, nem as ensinamos, para prender, dominar ou forçar a vontade de outra pessoa. Uma relação só é saudável quando é livre.
Nenhuma erva ou ritual garante que alguém se apaixone.
As plantas mais associadas ao amor
Os significados abaixo vêm da tradição popular e esotérica e variam de fonte para fonte.
| Planta | Na tradição |
|---|---|
| Rosa (pétalas) | O símbolo universal do amor; vermelha para paixão, cor-de-rosa para ternura |
| Manjericão e manjerico | Namoro, afeto e harmonia do lar |
| Alfazema | Calma, reconciliação e ternura |
| Canela | Atração e «calor» |
| Cravinho | Atração e amizade, muitas vezes com canela |
| Jasmim | Sensualidade e romance, sobretudo pelo perfume |
| Alecrim | Fidelidade e memória |
| Alcachofra | Adivinhação amorosa na noite de São João |
Tradições portuguesas
O manjerico dos Santos Populares
Em junho, pelas festas de Santo António, São João e São Pedro, oferece-se um manjerico com um cravo de papel e uma quadra popular. É um gesto de namoro com longa tradição, sobretudo em Lisboa.
A tradição manda cheirar o manjerico passando a mão pela planta e depois cheirando a mão, e não metendo o nariz nas folhas.
A queima da alcachofra
Na noite de São João, em várias terras, sobretudo no sul, os namorados passavam uma flor de alcachofra pelas chamas da fogueira. Depois plantavam-na num vaso. Se voltasse a florir de manhã, dizia a crença, o amor era correspondido.
Hoje é uma tradição rara, mas ainda recordada.
➜ Simpatia da noite de São João
Como se usam, na tradição
As formas mais comuns são:
- Banhos de pétalas de rosa e manjericão;
- Saquinhos de ervas guardados junto à roupa ou debaixo da almofada;
- Um vaso de manjericão ou rosas em casa, como sinal de cuidado;
- Velas acompanhadas de ervas secas, sempre afastadas da chama.
➜ Como fazer um saquinho de ervas
➜ Ervas do amor na tradição de São Cipriano
O que não recomendamos
Na internet circulam «receitas de amor» com ingredientes perigosos ou práticas que não aceitamos:
- Dar a beber ervas, pós ou misturas a outra pessoa sem que ela saiba. Além de desrespeitoso, pode ser perigoso e crime.
- Plantas tóxicas como a arruda ingerida, a mandrágora ou o estramónio.
- Rituais para prender, amarrar ou separar casais.
Precauções
- Banhos: teste a mistura numa pequena zona da pele. Pétalas de flores compradas em florista podem ter pesticidas; prefira rosas de jardim sem tratamento.
- Óleos essenciais (canela, cravinho, jasmim): nunca puros na pele ou no banho; são perigosos para gatos.
- Gravidez, amamentação e crianças: evite banhos com óleos essenciais e não ingira ervas sem conselho médico.
- Animais: a alfazema e a hortelã podem causar vómitos em cães e gatos; os lírios são muito perigosos para gatos.
- Velas: ervas secas ardem muito depressa. Nunca as ponha encostadas à chama e nunca deixe a vela sem vigilância.
➜ Como usar velas com segurança
Se sofre por amor, falar com alguém de confiança, ou com um psicólogo, pode ajudar mais do que qualquer ritual.
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Fontes
- «De onde vem o manjerico e como se tornou um símbolo dos Santos Populares?», Público, 11-06-2022 — publico.pt
- «Queima da alcachofra», Portugal num Mapa — portugalnummapa.com
- Oliveira, Ernesto Veiga de, Festividades Cíclicas em Portugal — edição digital, Etnográfica Press
- «Toxic and Non-Toxic Plant List — Cats», ASPCA — aspca.org