As folhas direitas, duras e pontiagudas parecem mesmo espadas. Foi essa forma que deu nome à espada-de-são-jorge e a tornou, sobretudo no Brasil, uma das plantas de proteção mais conhecidas: um vaso à entrada de casa para «cortar» a inveja e o mau-olhado.
Em Portugal, conhecemo-la sobretudo como planta de interior, resistente e fácil de manter. Esta página explica a planta, a tradição que lhe está associada e um cuidado importante: é tóxica para cães e gatos.
Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Nome comum | Espada-de-são-jorge |
| Nome científico | Dracaena trifasciata (antes Sansevieria trifasciata) |
| Família | Asparagáceas |
| Outros nomes | Língua-de-sogra, sansevéria; a variedade de margens amarelas é chamada no Brasil espada-de-santa-bárbara |
| Origem | África ocidental tropical |
| Partes na tradição | A planta inteira, em vaso |
| Toxicidade | Tóxica para cães e gatos se mastigada; irritante para pessoas se ingerida |
A planta
É uma planta suculenta: guarda água nas folhas e aguenta bem a falta de rega e a pouca luz. Por isso tornou-se uma das plantas de interior mais vendidas do mundo.
Durante muito tempo chamou-se Sansevieria trifasciata. Estudos genéticos mostraram que pertence ao género Dracaena, e o nome científico foi mudado em 2017. Nas lojas continua a aparecer como «sansevéria».
A planta que «limpa o ar»?
É frequente ler que a espada-de-são-jorge purifica o ar da casa. A ideia vem de um estudo da NASA de 1989 feito em câmaras fechadas e pequenas. Estudos posteriores mostraram que, numa casa real, o efeito de umas quantas plantas é muito pequeno. Abrir a janela faz muito mais.
De onde vem o nome
São Jorge é o santo guerreiro, representado a cavalo a matar o dragão com a lança. As folhas em forma de lâmina lembraram a sua espada, e o nome pegou.
No Brasil, a devoção a São Jorge é muito forte. Nas religiões afro-brasileiras, sobretudo na Umbanda, São Jorge é associado por sincretismo a Ogum, o orixá guerreiro, senhor do ferro e dos caminhos. Por isso a planta é também associada a Ogum, e a variedade de margens amarelas a Santa Bárbara (Iansã, no sincretismo umbandista).
➜ Umbanda
Na tradição
Na tradição popular brasileira, a espada-de-são-jorge é usada assim:
- Um vaso à porta de casa ou à entrada de uma loja, como «guarda» contra a inveja e o mau-olhado;
- Folhas em cruz ou em ramos, em alguns terreiros, em rituais de limpeza e proteção;
- Junto a outras plantas de proteção, como a arruda, a guiné e o comigo-ninguém-pode (outra planta tóxica).
A lógica é simbólica: uma planta com forma de espada «corta» o mal, tal como o santo venceu o dragão. É uma crença, não um efeito demonstrado. Nenhuma planta garante proteção.
Em Portugal, este uso chegou sobretudo através do Brasil, nas últimas décadas. Não faz parte da tradição popular portuguesa antiga, onde o papel de planta de proteção à porta cabia mais à arruda, ao alecrim ou ao alho.
➜ Guiné
➜ Arruda
Precauções
- Cães e gatos: a planta contém saponinas. Se o animal mastigar as folhas, pode ter vómitos, diarreia e salivação excessiva. Coloque o vaso fora do alcance dos animais e contacte o veterinário se houver ingestão.
- Crianças: não é das plantas mais perigosas, mas mastigar as folhas causa irritação da boca e do estômago. Mantenha fora do alcance.
- Pele: a seiva pode irritar peles sensíveis. Use luvas ao dividir ou cortar a planta.
- Não ingerir nem usar em chás. Não é planta de uso interno.
Em caso de ingestão por uma pessoa, ligue para o CIAV — 800 250 250.
Cuidados para a manter
- Luz: aguenta sombra, mas cresce melhor com luz indireta.
- Água: pouca. O excesso de rega apodrece as raízes — é a causa mais comum de morte da planta.
- Frio: não gosta de temperaturas abaixo dos 10 °C. Em Portugal, no inverno, é melhor dentro de casa.
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Fontes
- «Dracaena trifasciata», Wikipedia (inglês) — en.wikipedia.org/wiki/Dracaena_trifasciata
- ASPCA, «Toxic and Non-toxic Plants: Dracaena» — aspca.org
- B. C. Wolverton, A. Johnson e K. Bounds, Interior Landscape Plants for Indoor Air Pollution Abatement, NASA (1989).