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📚 Grimórios

Aradia, o Evangelho das Bruxas

Aradia, o Evangelho das Bruxas, de Charles G. Leland (1899): Maddalena, Diana e Lúcifer, o debate sobre a sua autenticidade e a influência na Wicca.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha do grimório
  2. Charles Godfrey Leland
  3. Maddalena e o «Vangelo»
  4. O que contém
  5. O debate sobre a autenticidade
  6. Influência na Wicca
  7. Curiosidades
  8. Onde ler
  9. Continue a ler
  10. Fontes

Aradia, or the Gospel of the Witches — «Aradia, o Evangelho das Bruxas» — foi publicado em Londres em 1899 pelo folclorista norte-americano Charles Godfrey Leland.

Leland apresentou-o como o texto sagrado de uma religião secreta de bruxas da Toscana, que teria sobrevivido desde a Antiguidade. Nele, a deusa Diana envia a filha, Aradia, à Terra para ensinar a bruxaria aos pobres oprimidos.

Mais de um século depois, os historiadores continuam a discutir se o livro é folclore verdadeiro, uma criação de Leland ou algo entre os dois. Seja qual for a resposta, é um dos livros que mais influenciou a bruxaria moderna.

Ficha do grimório

Campo Informação
Título Aradia, o Evangelho das Bruxas
Nome original Aradia, or the Gospel of the Witches
Período 1899
Origem Florença e Toscana (recolha); publicado em Londres por David Nutt
Autoria Charles Godfrey Leland, a partir de um manuscrito que diz ter recebido
Idiomas Inglês, com passagens em italiano
Tipo Recolha folclórica / texto religioso de bruxaria

Charles Godfrey Leland

Leland nasceu em Filadélfia em 1824 e morreu em Florença em 1903. Em vida, ficou famoso por um livro humorístico, Hans Breitmann's Ballads (1871).

Nos últimos anos viveu em Itália e dedicou-se ao folclore toscano. Antes de Aradia publicou Etruscan Roman Remains in Popular Tradition (1892) e Legends of Florence (1896).

Maddalena e o «Vangelo»

Segundo Leland, a sua principal informadora era uma mulher de Florença a quem chamava «Maddalena», que se dizia bruxa e de ascendência etrusca. O nome verdadeiro é incerto; alguns autores identificam-na como Margherita Talenti.

Leland conta que procurou o texto durante anos e que Maddalena lhe entregou o manuscrito — o Vangelo — a 1 de janeiro de 1897. Esse manuscrito original nunca foi encontrado.

O que contém

O livro tem 15 capítulos de mitos, feitiços, orações e bênçãos. A parte mais conhecida é o mito inicial:

  • Diana é a deusa primordial que se divide em luz e trevas;
  • une-se ao irmão, Lúcifer, aqui um deus do Sol, e dela nasce Aradia;
  • Diana envia Aradia à Terra para ensinar a bruxaria aos camponeses oprimidos, contra os senhores e contra a Igreja;
  • Aradia manda os seguidores reunirem-se na lua cheia e celebrarem os ritos nus, como sinal de liberdade.

Seguem-se capítulos com a «ceia das bruxas», conjurações a Diana, pequenos feitiços populares e lendas. Há também uma figura curiosa: Caim associado à Lua.

Nota: o «Lúcifer» de Aradia não é o diabo cristão, mas uma divindade solar. É uma das razões pelas quais o livro chocou e fascinou os leitores.

O debate sobre a autenticidade

É o tema mais discutido. Há três posições principais:

Estudioso Posição
Ronald Hutton Duvida do manuscrito e até da existência de Maddalena; admite que Leland tenha inventado tudo
Robert Mathiesen Só os primeiros capítulos corresponderiam ao Vangelo original
Sabina Magliocco Pode ser uma versão do séc. XIX da antiga lenda do «culto de Herodíade»

O nome Aradia parece, de facto, aparentado com Herodíade. Na Idade Média, textos da Igreja falavam de mulheres que diziam cavalgar de noite com Diana ou Herodíade.

O que é seguro: não há prova de uma religião de bruxas contínua desde a Antiguidade. Essa ideia, muito popular no fim do século XIX, foi abandonada pelos historiadores.

➜ Stregheria, a bruxaria italiana

Influência na Wicca

Quando Gerald Gardner formou a Wicca nos anos 1940 e 1950, usou material de Aradia. Um trecho do primeiro capítulo inspirou a Charge of the Goddess, a «Exortação da Deusa», um dos textos mais importantes da Wicca gardneriana.

Mais tarde, Doreen Valiente reescreveu essa exortação. Reconheceu a origem em Leland e quis dar-lhe uma forma mais original.

A reunião na lua cheia e a nudez ritual — o chamado skyclad — também ecoam Aradia.

➜ Wicca

➜ Gerald Gardner

➜ Doreen Valiente

Curiosidades

  • Raven Grimassi, autor da Stregheria moderna, apresenta Aradia como uma bruxa histórica do séc. XIV. Não há documentos que o provem.
  • Em 1998 saiu uma nova tradução de Mario Pazzaglini, com o texto italiano revisto.
  • O italiano de Leland tem erros e não segue o dialeto toscano, o que alimentou as dúvidas.

Onde ler

A edição de 1899 está em domínio público. Pode ler-se gratuitamente na Internet Archive e no site Sacred Texts.

Continue a ler

➜ Biblioteca de grimórios

➜ O Livro das Sombras

➜ A lua tripla e a deusa tríplice

➜ Bruxaria tradicional

Fontes

  • Charles G. Leland, Aradia, or the Gospel of the Witches, Londres, David Nutt, 1899 — sacred-texts.com
  • «Aradia, or the Gospel of the Witches», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • «Charles Godfrey Leland», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • Ronald Hutton, The Triumph of the Moon: A History of Modern Pagan Witchcraft, Oxford University Press.
  • Sabina Magliocco, «Who Was Aradia? The History and Development of a Legend», The Pomegranate, 2002.

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