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🧙 Figuras do Oculto

Gerald Gardner, o pai da Wicca moderna

Quem foi Gerald Gardner (1884–1964): funcionário colonial, ocultista e autor de Witchcraft Today (1954). A vida documentada e o mito do coven de New Forest.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. A vida: do Oriente a Inglaterra
  3. A alegação: o coven de New Forest
  4. De onde vieram os rituais
  5. A saída para o público
  6. Morte
  7. Influência
  8. Curiosidades
  9. Continue a ler
  10. Fontes

Gerald Brosseau Gardner (1884–1964) foi um funcionário colonial britânico reformado que, nos anos 1950, deu a conhecer ao público uma nova religião de bruxaria: a Wicca.

Gardner garantiu que não a tinha inventado. Dizia ter sido iniciado num grupo de bruxas herdeiro de um culto pagão muito antigo. Os historiadores não aceitam essa versão: tudo indica que a Wicca é uma criação do século XX, construída com peças de várias origens.

Esta página conta a vida de Gardner. As crenças e a prática da Wicca estão explicadas na página própria.

➜ Wicca: origem e crenças

Ficha

Campo Informação
Nome Gerald Brosseau Gardner
Nascimento 13 de junho de 1884, Blundellsands (Lancashire, Inglaterra)
Morte 12 de fevereiro de 1964, a bordo de um navio no Mediterrâneo
Origem Família inglesa abastada, ligada ao comércio de madeira
Ocupação Plantador, funcionário das alfândegas na Malásia, escritor
Obras principais Keris and Other Malay Weapons (1936), High Magic's Aid (1949), Witchcraft Today (1954), The Meaning of Witchcraft (1959)
Conhecido por Tornar pública a Wicca

A vida: do Oriente a Inglaterra

Gardner sofria de asma em criança. Por isso passou grande parte da infância em climas quentes, como a Madeira e as Canárias, acompanhado por uma ama.

Aos 16 anos foi trabalhar para uma plantação de chá no Ceilão (atual Sri Lanka). Seguiram-se Bornéu e a Malásia, onde foi plantador de borracha e, a partir de 1923, funcionário das alfândegas.

Interessou-se pela magia e pelas armas dos povos locais. O seu livro sobre o kris, o punhal malaio, publicado em 1936, ainda hoje é citado.

Reformou-se em 1936 e voltou a Inglaterra com a mulher, Donna. Instalou-se perto da floresta de New Forest, no sul do país.

O grupo rosacruciano

Em New Forest entrou numa pequena ordem, a Rosicrucian Order Crotona Fellowship. Aí conheceu um grupo de pessoas que, segundo ele, eram bruxas em segredo.

➜ A Rosa-Cruz

A alegação: o coven de New Forest

Gardner contou que, em setembro de 1939, foi levado a casa de uma senhora rica da zona, Dorothy Clutterbuck, e aí iniciado numa cerimónia de bruxaria.

Segundo ele, o grupo — hoje chamado coven de New Forest — era herdeiro do «culto das bruxas» descrito pela egiptóloga Margaret Murray em 1921: uma religião pagã que teria sobrevivido em segredo desde antes do cristianismo.

O que dizem os historiadores:

  • a tese de Margaret Murray está desacreditada — os processos de bruxaria não mostram nenhuma religião organizada;
  • Dorothy Clutterbuck existiu (foi confirmado mais tarde), mas não há provas de que fosse bruxa;
  • investigadores como Ronald Hutton e Philip Heselton concluem que o grupo, se existiu como Gardner o descreve, se formou provavelmente nos anos 1930, inspirado nas próprias teorias de Murray.

Ou seja: a iniciação de 1939 é uma alegação, não um facto demonstrado.

➜ A caça às bruxas na Europa

De onde vieram os rituais

Os textos rituais de Gardner reúnem materiais de origem conhecida:

  • magia cerimonial da Chave de Salomão;
  • escritos de Aleister Crowley, que Gardner conheceu em 1947, pouco antes da morte deste;
  • Aradia, o Evangelho das Bruxas, de Charles Godfrey Leland (1899);
  • folclore, maçonaria e naturismo.

Gardner juntou tudo num caderno, Ye Bok of ye Art Magical, que deu origem ao Livro das Sombras.

➜ O Livro das Sombras

➜ Aleister Crowley

A saída para o público

Em 1951 foi revogada a velha lei inglesa contra a bruxaria (Witchcraft Act). Gardner passou a falar abertamente.

Foi «bruxo residente» de um museu de bruxaria aberto nesse ano em Castletown, na Ilha de Man, por Cecil Williamson. Mais tarde comprou o museu.

Em 1954 publicou Witchcraft Today, com prefácio de Margaret Murray. Em 1959 saiu The Meaning of Witchcraft. Gardner procurava ativamente jornais e televisão, o que criou conflitos dentro do próprio grupo.

A partir de 1953, Doreen Valiente reescreveu boa parte dos rituais. A rutura entre os dois, em 1957, deu-se precisamente por causa da publicidade.

➜ Doreen Valiente

Morte

Gardner morreu de ataque cardíaco a 12 de fevereiro de 1964, a bordo do navio Scottish Prince, quando regressava do Líbano. Foi sepultado em Tunes, no porto seguinte.

Influência

A Wicca que nasceu à volta de Gardner — hoje chamada Wicca gardneriana — espalhou-se para os Estados Unidos nos anos 1960 e deu origem a muitas outras correntes do paganismo moderno.

Os estudiosos veem Gardner como uma figura contraditória: inventivo e carismático, mas também pouco rigoroso com a verdade. Chegou a apresentar-se com doutoramentos que não correspondiam a estudos reais.

Curiosidades

  • O nome ritual de Gardner era «Scire» (latim, «saber»).
  • Afirmou que, em 1940, o coven fez um ritual para impedir a invasão nazi de Inglaterra — outra alegação sem confirmação.
  • A sua biografia oficial, Gerald Gardner: Witch (1960), foi escrita por Idries Shah, mas assinada por Jack Bracelin.

Continue a ler

➜ Wicca: origem e crenças

➜ Aradia, o Evangelho das Bruxas

➜ Bruxaria tradicional

➜ Figuras do Oculto

Fontes

  • Ronald Hutton, The Triumph of the Moon: A History of Modern Pagan Witchcraft, Oxford University Press, 1999.
  • Philip Heselton, Witchfather: A Life of Gerald Gardner, Thoth Publications, 2012.
  • «Gerald Gardner», Wikipedia (inglês): https://en.wikipedia.org/wiki/Gerald_Gardner
  • «Charge of the Goddess», Wikipedia (inglês): https://en.wikipedia.org/wiki/Charge_of_the_Goddess

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