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📚 Grimórios

Arbatel: a magia dos antigos (1575)

Arbatel de magia veterum (Basileia, 1575): 49 aforismos, os sete espíritos olímpicos, a magia cristã e paracelsiana do Renascimento e a sua influência.

3 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha do grimório
  2. Origem e autor
  3. Um plano de nove livros
  4. O que contém
  5. Os sete espíritos olímpicos
  6. Magia «branca» e protestante?
  7. Influência
  8. Onde ler
  9. Continue a ler
  10. Fontes

O Arbatel de magia veterum («Arbatel, sobre a magia dos antigos») é um pequeno livro impresso em Basileia, na Suíça, em 1575. Destoa de quase todos os grimórios da sua época: não fala de demónios, pactos ou maldições.

Propõe uma magia cristã, piedosa e otimista, em que o saber vem de Deus e de espíritos bons. É conhecido sobretudo pelos sete espíritos olímpicos, ligados aos sete planetas da astrologia antiga.

Ficha do grimório

Campo Informação
Título Arbatel
Nome original Arbatel de magia veterum
Período Impresso em 1575
Origem Basileia (Suíça), impressor Pietro Perna
Autoria Anónima; Jacques Gohory é uma hipótese; atribuído sem prova a Paracelso
Idioma Latim; tradução inglesa de Robert Turner (1655)
Tipo Magia teúrgica e cristã, de inspiração paracelsiana

Origem e autor

O livro saiu em 1575 da oficina de Pietro Perna, em Basileia, e foi reimpresso no mesmo ano. A edição final terá sido preparada pelo médico e humanista Theodor Zwinger.

O autor é desconhecido. Joseph H. Peterson considera Jacques Gohory (1520–1576) o candidato mais provável. Alguns manuscritos alemães atribuíram-no a Paracelso, sem qualquer fundamento.

O nome «Arbatel» não tem explicação segura.

Um plano de nove livros

O texto anuncia uma obra em nove tomos: magia microcósmica, olímpica, hesiódica e homérica, sibilina, pitagórica, de Apolónio, hermética e, por fim, profética.

Só o primeiro, a Isagoge (introdução), chegou até nós — e talvez tenha sido o único escrito.

O que contém

A Isagoge tem 49 aforismos, organizados em sete «septenários» (grupos de sete). Não é um livro de receitas: é sobretudo uma reflexão moral e espiritual.

  • O mago deve amar a Deus e ao próximo, ser humilde e estudar a Escritura;
  • Os segredos devem ser guardados, e revelados só a quem deve conhecê-los;
  • Os espíritos só agem na medida em que Deus o permite.

O texto abre com uma invocação ao «Criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis».

➜ Angelologia

Os sete espíritos olímpicos

A parte mais conhecida são os espíritos olímpicos, que segundo o texto habitam o firmamento e governam «províncias» do universo. Cada um corresponde a um planeta:

Espírito Planeta e províncias
Aratron Saturno — 49
Bethor Júpiter — 42
Phaleg Marte — 35
Och Sol — 28
Hagith Vénus — 21
Ophiel Mercúrio — 14
Phul Lua — 7

Os números descem de sete em sete, de Saturno à Lua, seguindo a ordem planetária antiga. Na tradição do livro, estes espíritos não são demónios, mas intermediários ao serviço de Deus.

Descrevemos a doutrina como documento histórico; não ensinamos invocações.

➜ Os anjos e planetas dos dias da semana

➜ Selos planetários e quadrados mágicos

Magia «branca» e protestante?

O Arbatel nasce num meio muito concreto: Basileia, cidade protestante, e o círculo de seguidores de Paracelso. A ideia de macrocosmo e microcosmo e o interesse pelos espíritos da natureza vêm daí.

Por isso é muitas vezes descrito como um exemplo de magia «branca» e cristã do Renascimento. Mas atenção: nem todos os protestantes o aceitaram. Johann Weyer condenou-o como «cheio de impiedade mágica», e a Universidade de Marburgo tomou medidas contra ele em 1617.

➜ Paracelso

➜ Magia renascentista

Influência

O Arbatel foi um dos livros de magia mais influentes do seu tempo. Leram-no John Dee, os círculos rosacrucianos do século XVII e místicos protestantes.

A tradução inglesa de Robert Turner (1655) divulgou-o no mundo anglófono, apesar de alguns erros. Os espíritos olímpicos passaram depois para grimórios mais tardios e para a magia cerimonial moderna.

Onde ler

O texto de 1575 e a tradução de Turner (1655) estão em domínio público. A edição digital de Joseph H. Peterson pode ler-se gratuitamente no site Esoteric Archives.

Continue a ler

➜ Biblioteca de grimórios

➜ O Heptameron

➜ Filosofia Oculta de Cornélio Agrippa

➜ Pseudomonarchia Daemonum de Johann Weyer

Fontes

  • Arbatel of Magick, trad. Robert Turner (1655), ed. Joseph H. Peterson — esotericarchives.com
  • «Arbatel de magia veterum», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • «Olympian spirits», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • Joseph H. Peterson (ed.), Arbatel: Concerning the Magic of the Ancients, Ibis Press, 2009.

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