O Arbatel de magia veterum («Arbatel, sobre a magia dos antigos») é um pequeno livro impresso em Basileia, na Suíça, em 1575. Destoa de quase todos os grimórios da sua época: não fala de demónios, pactos ou maldições.
Propõe uma magia cristã, piedosa e otimista, em que o saber vem de Deus e de espíritos bons. É conhecido sobretudo pelos sete espíritos olímpicos, ligados aos sete planetas da astrologia antiga.
Ficha do grimório
| Campo | Informação |
|---|---|
| Título | Arbatel |
| Nome original | Arbatel de magia veterum |
| Período | Impresso em 1575 |
| Origem | Basileia (Suíça), impressor Pietro Perna |
| Autoria | Anónima; Jacques Gohory é uma hipótese; atribuído sem prova a Paracelso |
| Idioma | Latim; tradução inglesa de Robert Turner (1655) |
| Tipo | Magia teúrgica e cristã, de inspiração paracelsiana |
Origem e autor
O livro saiu em 1575 da oficina de Pietro Perna, em Basileia, e foi reimpresso no mesmo ano. A edição final terá sido preparada pelo médico e humanista Theodor Zwinger.
O autor é desconhecido. Joseph H. Peterson considera Jacques Gohory (1520–1576) o candidato mais provável. Alguns manuscritos alemães atribuíram-no a Paracelso, sem qualquer fundamento.
O nome «Arbatel» não tem explicação segura.
Um plano de nove livros
O texto anuncia uma obra em nove tomos: magia microcósmica, olímpica, hesiódica e homérica, sibilina, pitagórica, de Apolónio, hermética e, por fim, profética.
Só o primeiro, a Isagoge (introdução), chegou até nós — e talvez tenha sido o único escrito.
O que contém
A Isagoge tem 49 aforismos, organizados em sete «septenários» (grupos de sete). Não é um livro de receitas: é sobretudo uma reflexão moral e espiritual.
- O mago deve amar a Deus e ao próximo, ser humilde e estudar a Escritura;
- Os segredos devem ser guardados, e revelados só a quem deve conhecê-los;
- Os espíritos só agem na medida em que Deus o permite.
O texto abre com uma invocação ao «Criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis».
Os sete espíritos olímpicos
A parte mais conhecida são os espíritos olímpicos, que segundo o texto habitam o firmamento e governam «províncias» do universo. Cada um corresponde a um planeta:
| Espírito | Planeta e províncias |
|---|---|
| Aratron | Saturno — 49 |
| Bethor | Júpiter — 42 |
| Phaleg | Marte — 35 |
| Och | Sol — 28 |
| Hagith | Vénus — 21 |
| Ophiel | Mercúrio — 14 |
| Phul | Lua — 7 |
Os números descem de sete em sete, de Saturno à Lua, seguindo a ordem planetária antiga. Na tradição do livro, estes espíritos não são demónios, mas intermediários ao serviço de Deus.
Descrevemos a doutrina como documento histórico; não ensinamos invocações.
➜ Os anjos e planetas dos dias da semana
➜ Selos planetários e quadrados mágicos
Magia «branca» e protestante?
O Arbatel nasce num meio muito concreto: Basileia, cidade protestante, e o círculo de seguidores de Paracelso. A ideia de macrocosmo e microcosmo e o interesse pelos espíritos da natureza vêm daí.
Por isso é muitas vezes descrito como um exemplo de magia «branca» e cristã do Renascimento. Mas atenção: nem todos os protestantes o aceitaram. Johann Weyer condenou-o como «cheio de impiedade mágica», e a Universidade de Marburgo tomou medidas contra ele em 1617.
Influência
O Arbatel foi um dos livros de magia mais influentes do seu tempo. Leram-no John Dee, os círculos rosacrucianos do século XVII e místicos protestantes.
A tradução inglesa de Robert Turner (1655) divulgou-o no mundo anglófono, apesar de alguns erros. Os espíritos olímpicos passaram depois para grimórios mais tardios e para a magia cerimonial moderna.
Onde ler
O texto de 1575 e a tradução de Turner (1655) estão em domínio público. A edição digital de Joseph H. Peterson pode ler-se gratuitamente no site Esoteric Archives.
Continue a ler
➜ Filosofia Oculta de Cornélio Agrippa
➜ Pseudomonarchia Daemonum de Johann Weyer
Fontes
- Arbatel of Magick, trad. Robert Turner (1655), ed. Joseph H. Peterson — esotericarchives.com
- «Arbatel de magia veterum», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Olympian spirits», Wikipedia — en.wikipedia.org
- Joseph H. Peterson (ed.), Arbatel: Concerning the Magic of the Ancients, Ibis Press, 2009.