Quem pesquisa «vudu para o amor» imagina muitas vezes um boneco espetado com alfinetes que faz alguém apaixonar-se ou voltar. Essa imagem tem muito mais de Hollywood do que de religião.
Nesta página explicamos o que é o vodu haitiano, que lugar tem o amor nessa religião, de onde vêm os bonecos de vudu e porque é que não ensinamos rituais para forçar a vontade de ninguém.
O que é o vodu haitiano
O vodu (em crioulo haitiano Vodou) é uma religião nascida no Haiti entre os séculos XVI e XIX. Juntou crenças de povos da África Ocidental e Central (fon, iorubá, congo) trazidos como escravos, com o catolicismo dos colonos franceses.
As suas linhas principais:
- Há um Deus supremo, Bondye (do francês Bon Dieu, «Bom Deus»), distante dos assuntos humanos.
- Entre Deus e as pessoas estão os lwa (ou loa), espíritos com personalidades, cores, dias e oferendas próprias.
- As cerimónias são conduzidas por um sacerdote (oungan) ou uma sacerdotisa (manbo), com cânticos, tambores, dança e desenhos rituais no chão, os vèvè.
- Muitos haitianos praticam o vodu e o catolicismo, e os lwa são associados a santos católicos.
Erzulie Freda, o lwa do amor
No vodu, o amor tem uma figura central: Erzulie Freda (ou Ezili Freda). É o lwa do amor, da beleza, do luxo e das flores. Usa três alianças, gosta de perfumes, joias e doces, e as suas cores são o rosa, o branco e o azul-claro.
É associada à Mater Dolorosa, Nossa Senhora das Dores, porque, segundo a tradição, nunca consegue o que o seu coração mais deseja e sai das cerimónias a chorar.
Na religião, as relações com Erzulie fazem-se dentro de uma comunidade, com iniciação e orientação de um oungan ou manbo. Não é uma «receita de amor» para fazer em casa.
De onde vêm os bonecos de vudu
O boneco espetado com alfinetes não é uma prática central do vodu haitiano nem do vodu da Luisiana.
- A magia de figuras (bonecos de cera, barro ou pano que representam uma pessoa) é muito antiga no Mediterrâneo e na Europa. Na Grécia antiga já se usavam pequenas figuras em rituais de «amarrar», estudadas pelo historiador Christopher Faraone.
- Na Europa, estes bonecos chamavam-se em inglês poppets e aparecem em processos de feitiçaria.
- No século XX, livros e filmes de terror norte-americanos, como White Zombie (1932), colaram esta imagem ao Haiti, num contexto de preconceito contra as religiões negras.
- Em Nova Orleães, a partir dos anos 60, o turismo transformou o «voodoo» em lembrança de loja.
Porque não ensinamos a forçar alguém
O Grimório.pt não ensina rituais para prender, fazer voltar ou dominar outra pessoa, com bonecos ou sem eles. Uma relação que dependesse disso não seria livre. E as promessas de «amarração vudu» com resultados rápidos são um isco clássico de burla.
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Alternativas respeitosas
- Conhecer a religião a sério: ler sobre o vodu, a sua história e a revolução haitiana, sem os filtros do cinema.
- Pedir amor para si, e não o domínio de alguém: um gesto de abertura, com uma vela cor-de-rosa e uma intenção.
- Cuidar da relação real: conversar, dar espaço, pedir ajuda a um terapeuta de casal.
- Após uma separação, dar tempo e, se a dor não passa, falar com um psicólogo.
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Fontes
- «Haitian Vodou», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Erzulie Freda», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Voodoo doll», Wikipedia — en.wikipedia.org
- Christopher A. Faraone, «Binding and Burying the Forces of Evil: The Defensive Use of "Voodoo Dolls" in Ancient Greece», Classical Antiquity, 1991
- «Louisiana Voodoo», Wikipedia — en.wikipedia.org