Quem pesquisa «macumba para o amor» procura, quase sempre, um trabalho para trazer de volta ou prender alguém. Esta página não ensina isso.
Explica, com respeito, o que é realmente «macumba», porque é uma palavra carregada de preconceito, que lugar tem o amor nas religiões afro-brasileiras e que alternativas existem.
De onde vem a palavra
«Macumba» tem origem no quimbundo, uma língua banta de Angola. O sentido original não é certo: pode ter designado um instrumento de percussão, parecido com o reco-reco, ou uma dança ritual.
No Brasil, sobretudo no Rio de Janeiro do século XIX e início do XX, a palavra passou a designar os cultos populares de origem africana que misturavam tradições africanas, católicas, indígenas e espíritas.
Com o tempo, «macumba» tornou-se um rótulo genérico e depreciativo para tudo o que era afro-brasileiro, associado a «feitiçaria» e «charlatanismo». É ainda hoje sentido como ofensivo por muitos praticantes.
As religiões por trás do rótulo
Candomblé
Religião que cultua os orixás, divindades de origem iorubá, e outras entidades de origem jeje e banta. Formou-se sobretudo na Bahia, no século XIX, em comunidades de africanos escravizados e seus descendentes.
Umbanda
Religião brasileira que junta elementos africanos, católicos, indígenas e espíritas. Segundo a sua narrativa fundadora, nasceu em Niterói, em 1908, com o médium Zélio Fernandino de Moraes.
Estas religiões foram perseguidas pela polícia no Brasil durante décadas. Muitos terreiros funcionaram às escondidas até a Constituição de 1946 garantir a liberdade de culto.
➜ Umbanda
E o amor?
No Candomblé e na Umbanda, o amor tem as suas figuras:
- Oxum, orixá das águas doces, associada ao amor, à beleza, à fertilidade e ao ouro.
- Pombagira, entidade feminina de algumas linhas da Umbanda e da Quimbanda, ligada à sensualidade e às questões do coração.
Nestas religiões, os pedidos ligados ao amor fazem-se dentro de uma comunidade, com um pai ou mãe de santo, regras e iniciação. Não são receitas soltas para fazer em casa nem serviços vendidos por qualquer pessoa na internet.
Muitas casas sérias recusam trabalhos para prender ou dominar a vontade de alguém.
Estereótipos a desmontar
- «Macumba é magia negra.» Falso. São religiões com ética, rituais e comunidades próprias.
- «Tudo o que se encontra numa encruzilhada é macumba.» Uma oferenda pode ser de várias tradições e, na maioria dos casos, é um gesto religioso, não um ataque.
- «Quem pratica faz amarrações.» Há quem venda esses serviços, como em qualquer tradição. Mas isso não representa as religiões.
Porque não ensinamos a forçar alguém
O Grimório.pt não ensina rituais para obrigar, prender ou fazer voltar uma pessoa. Uma relação que só existe por imposição não é amor. E a promessa de «trazer o amor de volta em X dias» é o isco mais comum das burlas.
➜ Trabalho de urgência: como reconhecer uma burla
Alternativas respeitosas
- Se pertence à Umbanda ou ao Candomblé, fale com a sua casa. Pedir a Oxum pelo amor próprio, pela harmonia ou por um amor novo é diferente de pedir o domínio de alguém.
- Se procura consolo, uma oração pelo amor ou a Santo António pode ajudar a pôr em palavras o que sente.
- Se a relação terminou, dê tempo e, se o sofrimento não passa, fale com um psicólogo.
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➜ Vudu para o amor: o que é o vodu haitiano
➜ Santería
Fontes
- «Macumba», Wikipédia — pt.wikipedia.org
- «Umbanda», Wikipédia — pt.wikipedia.org
- «Candomblé», Wikipédia — pt.wikipedia.org
- Roger Bastide, As Religiões Africanas no Brasil, São Paulo, Pioneira, 1971