Gabriel é o anjo mensageiro por excelência. É ele quem explica as visões ao profeta Daniel e quem anuncia a Maria o nascimento de Jesus. No islão, é o anjo que transmite o Corão ao profeta Maomé.
Poucas figuras são tão importantes, ao mesmo tempo, para judeus, cristãos e muçulmanos. Nesta ficha seguimos Gabriel através dessas três tradições e da arte.
Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Nome e variantes | Gabriel; hebraico Gavri'el; árabe Jibrīl |
| Significado | «Homem de Deus»; tradicionalmente também «força de Deus» |
| Tipo | Arcanjo |
| Primeira fonte | Livro de Daniel (séc. II a.C.) |
| Tradições | Judaísmo, cristianismo, islão |
| Atributos | Lírio branco, bastão ou cetro, filactera (faixa com texto), trombeta |
| Festa | 29 de setembro (católicos, desde 1969); antes, 24 de março |
Gabriel na Bíblia hebraica
Na Bíblia hebraica, Gabriel aparece no Livro de Daniel, um dos textos mais tardios do Antigo Testamento:
- Daniel 8, 15–26: explica ao profeta a visão do carneiro e do bode.
- Daniel 9, 21–27: traz-lhe a profecia das «setenta semanas».
O seu papel é sempre o mesmo: fazer compreender uma mensagem de Deus.
Gabriel nos Evangelhos
No Evangelho de Lucas, Gabriel faz dois anúncios:
- A Zacarias, no Templo, anuncia o nascimento de João Batista (Lucas 1, 5–25). Apresenta-se dizendo que está «diante de Deus».
- A Maria, em Nazaré, anuncia o nascimento de Jesus (Lucas 1, 26–38). É a Anunciação.
A saudação de Gabriel a Maria («Avé, cheia de graça») deu origem à primeira parte da Ave-Maria. A oração do Angelus, rezada ao toque dos sinos, recorda também este episódio.
Gabriel nos apócrifos
O Livro de Enoque (1 Enoque), texto judaico antigo que ficou fora da Bíblia (exceto na Igreja etíope), coloca Gabriel entre os anjos principais que estão diante de Deus, com Miguel, Rafael e Uriel.
Jibril no islão
No islão, Jibrīl é o anjo da revelação. Segundo a tradição islâmica, foi ele quem transmitiu a Maomé os primeiros versículos do Corão, numa gruta perto de Meca, e continuou a trazer a revelação ao longo de mais de vinte anos.
O Corão nomeia-o três vezes (sura 2, versículos 97 e 98, e sura 66, versículo 4). Os relatos da tradição (hadith) descrevem-no com seiscentas asas. É uma imagem da tradição, não do texto do Corão.
Iconografia
Na arte cristã, Gabriel é quase sempre o anjo da Anunciação: ajoelhado ou de pé diante de Maria, a abençoar ou a apontar para o alto. Os atributos mais comuns são:
- O lírio branco, símbolo da pureza de Maria.
- O bastão ou cetro de mensageiro.
- A filactera, uma faixa com as palavras da saudação.
Na tradição popular também lhe é atribuída uma trombeta, ligada ao anúncio do Juízo Final. A Bíblia não diz que é Gabriel quem a toca.
Gabriel em Portugal
Na primeira viagem de Vasco da Gama à Índia (1497–1499), a nau capitânia chamava-se São Gabriel. A outra nau chamava-se São Rafael.
Gabriel é hoje considerado padroeiro dos carteiros, dos diplomatas e das telecomunicações, justamente pelo papel de mensageiro.
Gabriel na magia cerimonial
Os grimórios renascentistas deram a Gabriel um lugar fixo nas correspondências planetárias. É uma construção da tradição mágica, não da Bíblia:
- No Heptameron (impresso em 1559), Gabriel é o anjo da segunda-feira e da Lua.
- Na tabela de sete anjos de Cornélio Agrippa (1533), também está ligado à Lua.
- Nos rituais da Golden Dawn, Gabriel ocupa o oeste, associado à água.
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➜ Angelus
Fontes
- «Gabriel», Wikipédia (inglês) — en.wikipedia.org
- «Arcanjo», Wikipédia — pt.wikipedia.org
- «Vasco da Gama», Wikipédia (inglês) — en.wikipedia.org
- Cornélio Agrippa, De occulta philosophia, livro II, cap. 10 — esotericarchives.com
- Heptameron, ed. Joseph Peterson — esotericarchives.com