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🧙 Figuras do Oculto

Emanuel Swedenborg

Emanuel Swedenborg (1688–1772): cientista sueco que passou a relatar visões do mundo espiritual. O livro Céu e Inferno (1758), Kant e a sua influência.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. A vida: o cientista
  3. A crise e as visões
  4. Céu e Inferno (1758)
  5. A doutrina das correspondências
  6. Os episódios de clarividência
  7. Influência
  8. Continue a ler
  9. Fontes

Emanuel Swedenborg foi um dos sábios mais respeitados da Suécia do século XVIII: engenheiro de minas, anatomista, autor de obras de física e cosmologia. Aos 50 e poucos anos mudou de rumo.

A partir de meados da década de 1740, afirmou que podia visitar o mundo dos espíritos e conversar com anjos e com os mortos. Passou o resto da vida a escrever sobre o que dizia ter visto.

O seu livro mais famoso, Céu e Inferno (1758), influenciou poetas, filósofos e movimentos religiosos até hoje.

Ficha

Campo Informação
Nome Emanuel Swedenborg (nascido Swedberg)
Nascimento 29 de janeiro de 1688, Estocolmo
Morte 29 de março de 1772, Londres
Origem Suécia; filho do bispo luterano Jesper Swedberg
Ocupação Cientista, assessor do Colégio de Minas, teólogo e visionário
Obras principais Principia (1734); Arcana Coelestia (1749–1756); Céu e Inferno (1758)
Conhecido por Visões do além e doutrina das correspondências

A vida: o cientista

Swedenborg estudou em Uppsala e viajou pela Inglaterra, Holanda, França e Alemanha. De volta à Suécia, trabalhou durante décadas no Colégio de Minas, o organismo que tutelava a indústria mineira.

Em 1719 a família foi enobrecida e passou a chamar-se Swedenborg.

Entre os seus trabalhos científicos:

  • fundou a primeira revista científica sueca, Daedalus Hyperboreus (1716–1718);
  • desenhou em 1714 uma máquina voadora, que nunca foi construída;
  • nos Principia (1734) propôs uma ideia próxima da hipótese nebular da formação do sistema solar;
  • estudou o cérebro e o sistema nervoso, com ideias muito avançadas para a época.

A crise e as visões

Entre 1743 e 1745 passou por uma crise espiritual. Anotou sonhos e visões num diário pessoal, hoje conhecido como Diário dos Sonhos.

Segundo o seu próprio relato, Cristo encarregou-o de revelar o sentido espiritual da Bíblia. A partir daí abandonou a ciência e dedicou-se à teologia. Dizia manter contacto diário com o mundo espiritual — um relato pessoal, sem forma de ser verificado.

Escreveu em latim e publicou sobretudo em Londres e Amesterdão. A primeira grande obra foi Arcana Coelestia (1749–1756), um comentário ao Génesis e ao Êxodo em vários volumes.

Céu e Inferno (1758)

O título latino é De Caelo et ejus Mirabilibus et de Inferno, ex Auditis et Visis — «Do Céu e das suas maravilhas e do Inferno, a partir de coisas ouvidas e vistas». Foi publicado em Londres, em 1758.

O livro descreve:

  • vários céus, divididos em celestial, espiritual e natural;
  • um mundo dos espíritos intermédio, para onde todos vão depois da morte;
  • o inferno, para onde cada espírito se dirige por escolha própria, segundo aquilo que amou em vida — Deus não condena ninguém, diz Swedenborg;
  • a continuação do amor conjugal depois da morte.

É uma obra de teologia visionária. Não é um grimório nem ensina rituais.

A doutrina das correspondências

Para Swedenborg, cada coisa do mundo natural corresponde a uma realidade espiritual. A luz corresponde à verdade, o calor ao amor, e assim por diante. A Bíblia deveria ser lida com esta chave.

Esta ideia teve grande futuro no esoterismo e na poesia do século XIX.

➜ Cabala

➜ A Alma

Os episódios de clarividência

O caso mais famoso passou-se em 1759. Swedenborg estava em Gotemburgo e terá descrito, com horas de antecedência sobre as notícias, um incêndio em Estocolmo, a cerca de 400 km.

O filósofo Immanuel Kant investigou estas histórias e respondeu com o livro Sonhos de um Visionário (1766), em tom crítico e irónico. Não há forma de hoje verificar o episódio do incêndio: conhecemo-lo por testemunhos indiretos.

Influência

Swedenborg não fundou nenhuma igreja. Depois da sua morte, os seguidores criaram em Inglaterra a Nova Igreja (1787), que ainda existe.

A sua influência ultrapassou a religião:

  • William Blake anotou os seus livros, primeiro com entusiasmo, depois com crítica;
  • Balzac escreveu o romance Séraphîta, inspirado nas suas ideias;
  • Emerson dedicou-lhe um capítulo em Homens Representativos;
  • Borges admirava-o e escreveu sobre ele.

No ocultismo, Éliphas Lévi leu Swedenborg. Papus chegou a Grão-Mestre de um rito maçónico «swedenborguiano». Muitos veem nele também um antepassado das ideias do espiritismo sobre a vida depois da morte.

Em 1908 os seus restos mortais foram trasladados de Londres para a catedral de Uppsala. Os seus manuscritos estão no registo Memória do Mundo da UNESCO (2005).

Continue a ler

➜ Jakob Böhme, o místico sapateiro

➜ Éliphas Lévi

➜ Espiritismo

➜ Figuras do Oculto

Fontes

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