Emanuel Swedenborg foi um dos sábios mais respeitados da Suécia do século XVIII: engenheiro de minas, anatomista, autor de obras de física e cosmologia. Aos 50 e poucos anos mudou de rumo.
A partir de meados da década de 1740, afirmou que podia visitar o mundo dos espíritos e conversar com anjos e com os mortos. Passou o resto da vida a escrever sobre o que dizia ter visto.
O seu livro mais famoso, Céu e Inferno (1758), influenciou poetas, filósofos e movimentos religiosos até hoje.
Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Nome | Emanuel Swedenborg (nascido Swedberg) |
| Nascimento | 29 de janeiro de 1688, Estocolmo |
| Morte | 29 de março de 1772, Londres |
| Origem | Suécia; filho do bispo luterano Jesper Swedberg |
| Ocupação | Cientista, assessor do Colégio de Minas, teólogo e visionário |
| Obras principais | Principia (1734); Arcana Coelestia (1749–1756); Céu e Inferno (1758) |
| Conhecido por | Visões do além e doutrina das correspondências |
A vida: o cientista
Swedenborg estudou em Uppsala e viajou pela Inglaterra, Holanda, França e Alemanha. De volta à Suécia, trabalhou durante décadas no Colégio de Minas, o organismo que tutelava a indústria mineira.
Em 1719 a família foi enobrecida e passou a chamar-se Swedenborg.
Entre os seus trabalhos científicos:
- fundou a primeira revista científica sueca, Daedalus Hyperboreus (1716–1718);
- desenhou em 1714 uma máquina voadora, que nunca foi construída;
- nos Principia (1734) propôs uma ideia próxima da hipótese nebular da formação do sistema solar;
- estudou o cérebro e o sistema nervoso, com ideias muito avançadas para a época.
A crise e as visões
Entre 1743 e 1745 passou por uma crise espiritual. Anotou sonhos e visões num diário pessoal, hoje conhecido como Diário dos Sonhos.
Segundo o seu próprio relato, Cristo encarregou-o de revelar o sentido espiritual da Bíblia. A partir daí abandonou a ciência e dedicou-se à teologia. Dizia manter contacto diário com o mundo espiritual — um relato pessoal, sem forma de ser verificado.
Escreveu em latim e publicou sobretudo em Londres e Amesterdão. A primeira grande obra foi Arcana Coelestia (1749–1756), um comentário ao Génesis e ao Êxodo em vários volumes.
Céu e Inferno (1758)
O título latino é De Caelo et ejus Mirabilibus et de Inferno, ex Auditis et Visis — «Do Céu e das suas maravilhas e do Inferno, a partir de coisas ouvidas e vistas». Foi publicado em Londres, em 1758.
O livro descreve:
- vários céus, divididos em celestial, espiritual e natural;
- um mundo dos espíritos intermédio, para onde todos vão depois da morte;
- o inferno, para onde cada espírito se dirige por escolha própria, segundo aquilo que amou em vida — Deus não condena ninguém, diz Swedenborg;
- a continuação do amor conjugal depois da morte.
É uma obra de teologia visionária. Não é um grimório nem ensina rituais.
A doutrina das correspondências
Para Swedenborg, cada coisa do mundo natural corresponde a uma realidade espiritual. A luz corresponde à verdade, o calor ao amor, e assim por diante. A Bíblia deveria ser lida com esta chave.
Esta ideia teve grande futuro no esoterismo e na poesia do século XIX.
➜ Cabala
➜ A Alma
Os episódios de clarividência
O caso mais famoso passou-se em 1759. Swedenborg estava em Gotemburgo e terá descrito, com horas de antecedência sobre as notícias, um incêndio em Estocolmo, a cerca de 400 km.
O filósofo Immanuel Kant investigou estas histórias e respondeu com o livro Sonhos de um Visionário (1766), em tom crítico e irónico. Não há forma de hoje verificar o episódio do incêndio: conhecemo-lo por testemunhos indiretos.
Influência
Swedenborg não fundou nenhuma igreja. Depois da sua morte, os seguidores criaram em Inglaterra a Nova Igreja (1787), que ainda existe.
A sua influência ultrapassou a religião:
- William Blake anotou os seus livros, primeiro com entusiasmo, depois com crítica;
- Balzac escreveu o romance Séraphîta, inspirado nas suas ideias;
- Emerson dedicou-lhe um capítulo em Homens Representativos;
- Borges admirava-o e escreveu sobre ele.
No ocultismo, Éliphas Lévi leu Swedenborg. Papus chegou a Grão-Mestre de um rito maçónico «swedenborguiano». Muitos veem nele também um antepassado das ideias do espiritismo sobre a vida depois da morte.
Em 1908 os seus restos mortais foram trasladados de Londres para a catedral de Uppsala. Os seus manuscritos estão no registo Memória do Mundo da UNESCO (2005).
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➜ Jakob Böhme, o místico sapateiro
Fontes
- Emanuel Swedenborg — Wikipedia (inglês)
- Emanuel Swedenborg — Wikipédia (português)
- Heaven and Hell (Swedenborg) — Wikipedia (inglês)
- Swedenborg, Heaven and Hell, trad. John C. Ager — sacred-texts.com (domínio público)
- Kant, Immanuel. Träume eines Geistersehers, erläutert durch Träume der Metaphysik. Königsberg, 1766.