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🧙 Figuras do Oculto

Giordano Bruno: o filósofo do universo infinito que morreu na fogueira

Giordano Bruno (1548–1600): o frade de Nola, a arte da memória, o universo infinito, o hermetismo segundo Frances Yates e a fogueira de Roma em 1600.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. A vida (facto)
  3. A arte da memória
  4. O universo infinito
  5. Hermetismo e magia: a tese de Frances Yates
  6. Mito e realidade: «mártir da ciência»?
  7. Influência
  8. Continue a ler
  9. Fontes

Giordano Bruno foi um frade dominicano italiano que imaginou um universo infinito, cheio de estrelas que seriam outros sóis com os seus próprios planetas.

Foi também mestre da arte da memória e leitor apaixonado de textos herméticos e mágicos. Condenado como herege pela Inquisição romana, morreu queimado em Roma a 17 de fevereiro de 1600.

A sua figura divide os historiadores: mártir da ciência, mago hermético, ou algo entre os dois?

Ficha

Campo Informação
Nome Filippo Bruno; «Giordano» foi o nome religioso
Nascimento 1548, Nola (Reino de Nápoles)
Morte 17 de fevereiro de 1600, Campo de' Fiori, Roma
Origem Itália
Ocupação Frade dominicano, filósofo, professor
Obras principais De umbris idearum (1582); A Ceia das Cinzas, Do Infinito, Universo e Mundos (1584)
Conhecido por Arte da memória, universo infinito, condenação pela Inquisição

A vida (facto)

Entrou na Ordem dos Dominicanos em Nápoles, em 1565, e foi ordenado padre em 1572. Suspeito de heresia, fugiu no fim da década de 1570.

Começou então uma vida de viagens:

  • Genebra (1579), onde foi preso por atacar um professor;
  • Toulouse (1580–1581), como professor de filosofia;
  • Paris (1581–1583), sob a proteção do rei Henrique III;
  • Inglaterra (1583–1585), na embaixada francesa; deu lições em Oxford;
  • Alemanha (1586–1590), com passagem por Wittenberg e Praga.

Em 1592 aceitou ir para Veneza ensinar a arte da memória ao nobre Giovanni Mocenigo. Descontente, Mocenigo denunciou-o à Inquisição. Bruno foi preso a 22 de maio de 1592 e levado para Roma em 1593.

O processo e a fogueira

O processo durou sete anos. As acusações incluíam negar a Trindade e a divindade de Cristo, defender a pluralidade de mundos, acreditar na reencarnação e praticar magia e adivinhação.

Bruno recusou retratar-se por completo. A 20 de janeiro de 1600 foi declarado herege. A 17 de fevereiro de 1600 foi queimado vivo no Campo de' Fiori, em Roma.

➜ A Inquisição em Portugal

A arte da memória

Desde a Antiguidade ensinava-se uma técnica para memorizar: imaginar um edifício e colocar em cada sala uma imagem ligada ao que se quer lembrar.

Bruno levou esta arte muito longe. Em De umbris idearum («As sombras das ideias», Paris, 1582) combinou imagens, rodas de letras e símbolos astrológicos. Para ele, a memória não era só um truque: era um caminho para ordenar todo o conhecimento e aproximar a mente da unidade do universo.

O universo infinito

Nos diálogos escritos em Inglaterra, em 1584, Bruno aceitou o sistema de Copérnico (a Terra gira à volta do Sol) e foi mais longe:

  • o universo é infinito e não tem centro;
  • as estrelas são outros sóis;
  • há inúmeros mundos, possivelmente habitados.

Estas ideias não eram resultado de observação ou cálculo. Eram especulação filosófica. Muitas viriam a coincidir, séculos depois, com a astronomia moderna.

Hermetismo e magia: a tese de Frances Yates

Em 1964, a historiadora inglesa Frances Yates publicou Giordano Bruno and the Hermetic Tradition. Defendeu que Bruno era sobretudo um mago hermético, inspirado nos textos atribuídos a Hermes Trismegisto, e que o seu copernicanismo era mais religioso e mágico do que científico.

O livro teve enorme impacto: mostrou que magia, Cabala e hermetismo estavam no coração do Renascimento. Mas foi também criticado. Historiadores como Robert Westman consideraram que Yates exagerou o peso do hermetismo, e hoje a tese é vista como importante, mas parcial.

➜ Hermetismo

➜ Hermes Trismegisto

Mito e realidade: «mártir da ciência»?

No século XIX, Bruno tornou-se símbolo do livre-pensamento. Em 1889 ergueu-se a sua estátua no Campo de' Fiori, no local da fogueira.

Mas a ideia de que foi queimado só por defender Copérnico é uma simplificação. Em 1600 a Igreja ainda não tinha posição oficial contra o copernicanismo (isso só aconteceria em 1616). As acusações principais eram teológicas.

Em 2000, no 400.º aniversário, o cardeal Angelo Sodano chamou à sua morte um «episódio triste», sem anular a condenação.

Influência

  • Tornou-se símbolo da liberdade de pensamento; em Roma realizam-se homenagens anuais junto à estátua.
  • É uma referência para quem estuda a magia do Renascimento, ao lado de Ficino, Pico della Mirandola e Agrippa.
  • Uma cratera da Lua tem o seu nome.

Continue a ler

➜ Figuras do Oculto

➜ Cornélio Agrippa

➜ John Dee

➜ A Cabala

Fontes

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