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Cabala: a tradição mística judaica

O que é a Cabala: a mística judaica, o Zohar, as sefirot, a Árvore da Vida, Isaac Luria, a Cabala cristã e a sua adaptação pelo ocultismo moderno.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. As origens
  2. O Zohar
  3. As sefirot e a Árvore da Vida
  4. A Cabala depois da expulsão
  5. A Cabala cristã
  6. A Cabala no ocultismo moderno
  7. Gematria e nomes divinos
  8. A Cabala hoje
  9. Continue a ler
  10. Fontes

A Cabala é uma tradição mística do judaísmo. Procura compreender a natureza de Deus, a criação do mundo e o sentido escondido da Torá.

A palavra hebraica qabbalah significa «receção» ou «tradição recebida». Durante séculos foi estudada por rabinos e comunidades judaicas, com regras e textos próprios.

Mais tarde, cristãos do Renascimento e ocultistas modernos adaptaram-na aos seus sistemas. Por isso convém distinguir a Cabala judaica da Cabala cristã e da Cabala ocultista (por vezes escrita «Qabalah»).

As origens

O Sefer Yetzirah

O Livro da Formação (Sefer Yetzirah) é um texto curto e muito antigo. Os estudiosos não concordam na data, que pode ir do século III ao VI. Explica a criação através das 22 letras hebraicas e de dez números, chamados sefirot.

A Provença e a Catalunha

A Cabala como movimento surgiu no sul de França, no final do século XII. O primeiro texto claramente cabalístico é o Sefer ha-Bahir (c. 1180). Depois espalhou-se pela Catalunha, sobretudo em Girona.

O Zohar

O livro mais importante da Cabala é o Zohar («Esplendor»), escrito em aramaico. Apresenta-se como obra de um rabino do século II, Shimon bar Yochai.

Os estudiosos modernos, a começar por Gershom Scholem, mostraram que o Zohar foi composto em Castela, no final do século XIII, em grande parte por Moisés de León ou pelo seu círculo.

É um bom exemplo de texto atribuído: a tradição diz uma coisa, a investigação histórica mostra outra. Para muitos judeus crentes, o valor religioso do Zohar não depende desta questão.

As sefirot e a Árvore da Vida

As dez sefirot são as dez manifestações ou qualidades de Deus. São muitas vezes desenhadas num esquema chamado Árvore da Vida.

Sefirá Sentido habitual
Keter Coroa
Chokhmah Sabedoria
Binah Entendimento
Chesed Misericórdia
Gevurah Rigor, força
Tiferet Beleza, harmonia
Netzach Vitória, eternidade
Hod Glória, esplendor
Yesod Fundamento
Malkhut Reino

Há vários desenhos diferentes da Árvore. O mais usado no ocultismo ocidental divulgou-se a partir de gravuras do século XVII.

A Cabala depois da expulsão

Em 1492 os judeus foram expulsos de Espanha e, em 1496–1497, Portugal decretou a expulsão e impôs depois a conversão forçada. Muitos judeus sefarditas, alguns de origem portuguesa, fixaram-se no Império Otomano.

Em Safed, na Galileia, formou-se no século XVI um grande centro de Cabala. Ali ensinou Isaac Luria (1534–1572), cuja Cabala, chamada luriânica, marcou todo o judaísmo posterior.

A Cabala cristã

No Renascimento, alguns pensadores cristãos acreditaram que a Cabala confirmava a verdade do cristianismo:

  • Pico della Mirandola incluiu teses cabalísticas nas suas 900 Teses (1486).
  • Johannes Reuchlin publicou De arte cabalistica (1517).
  • Cornélio Agrippa usou letras e nomes hebraicos na sua magia.

Estes autores trabalhavam muitas vezes com traduções e interpretações livres. A Cabala cristã é uma adaptação, não a Cabala judaica.

➜ Magia renascentista

A Cabala no ocultismo moderno

No século XIX, Éliphas Lévi ligou as 22 letras hebraicas aos 22 arcanos maiores do tarot. A Ordem Hermética da Aurora Dourada (1888) fez da Árvore da Vida a base do seu sistema de magia.

Estas ligações são invenções modernas. O tarot surgiu em Itália no século XV e não tem origem na Cabala.

➜ Os arcanos maiores do tarot

➜ Magia cerimonial

Gematria e nomes divinos

A gematria atribui um valor numérico a cada letra hebraica, permitindo comparar palavras com o mesmo valor. É uma técnica de interpretação antiga, usada também fora da Cabala.

Os nomes de Deus em hebraico tiveram grande importância na magia medieval e nos grimórios, como a Chave de Salomão.

➜ Numerologia

➜ A Chave de Salomão

➜ O hexagrama

A Cabala hoje

A Cabala continua viva em comunidades judaicas, sobretudo no hassidismo. Existem também movimentos modernos de divulgação, alguns muito comerciais.

Quem quer estudar a Cabala a sério deve começar pelos historiadores, como Gershom Scholem e Moshe Idel, e distinguir sempre a tradição judaica das adaptações posteriores.

Continue a ler

➜ Hermetismo

➜ Angelologia

➜ Rosa-Cruz

➜ Enciclopédia do Oculto

Fontes

  • Gershom Scholem, Major Trends in Jewish Mysticism, Schocken, 1941 (várias reedições).
  • Moshe Idel, Kabbalah: New Perspectives, Yale University Press, 1988.
  • «Kabbala», Encyclopaedia Britannica — britannica.com
  • Joseph Dan, Kabbalah: A Very Short Introduction, Oxford University Press, 2006.

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