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🏺 Tradição Portuguesa

A Cruz de Caravaca: da relíquia espanhola ao amuleto popular

A Cruz de Caravaca: a relíquia de Caravaca de la Cruz, a lenda dos anjos de 1232, a cruz de dois braços, o amuleto e os livrinhos de orações em Portugal e no Brasil.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. A lenda da aparição
  3. O que diz a história
  4. Roubo e ano jubilar
  5. Uma cruz de dois braços
  6. Amuleto em Portugal e no Brasil
  7. O livrinho da Cruz de Caravaca
  8. Continue a ler
  9. Fontes

A Cruz de Caravaca reconhece-se logo: é uma cruz com dois braços horizontais, muitas vezes ladeada por dois anjos. Vende-se em medalhas, pendentes e pequenos livros de orações, em Portugal e sobretudo no Brasil.

A sua origem é espanhola. É o relicário de Caravaca de la Cruz, uma cidade da região de Múrcia, onde se venera um fragmento que a tradição cristã considera ser da cruz de Cristo.

Nesta página separamos o que é história documentada, o que é lenda e o que é uso popular da cruz como amuleto.

Ficha

Campo Informação
Nome Cruz de Caravaca (Santíssima e Vera Cruz de Caravaca)
Local Caravaca de la Cruz, Múrcia (Espanha)
Forma Cruz patriarcal ou de Lorena, com dois braços
Natureza Relicário com fragmento do «Santo Lenho»
Data da lenda 3 de maio de 1232 (outras versões: 1231 ou 1227)
Primeiro relato escrito Antonio de Honcala, 1546
Uso popular Amuleto de proteção e devoção

A lenda da aparição

Segundo a tradição, a região de Caravaca era governada por um senhor muçulmano, Zayd Abu Zayd (em português aparece como Zeyt Abu-Zeyt). Entre os seus prisioneiros estava um sacerdote, Ginés Pérez Chirinos.

O governador quis ver como se celebrava a missa. O padre preparou tudo, mas percebeu que faltava a cruz. Nesse momento, conta a lenda, dois anjos trouxeram uma cruz pela janela. O governador e a sua corte ter-se-iam convertido.

É por isso que a cruz aparece tantas vezes com dois anjos nas imagens populares.

O que diz a história

Há alguns factos sólidos por trás da lenda:

  • Zayd Abu Zayd existiu e comunicou em 1228 ao papa Gregório IX a intenção de se converter.
  • O primeiro relato escrito da aparição é de 1546, na obra Pentaplon christianae pietatis, de Antonio de Honcala — mais de três séculos depois da data que a lenda indica.
  • Em 1390, o mestre da Ordem de Santiago, Lorenzo Suárez de Figueroa, peregrinou a Caravaca e ofereceu um relicário de prata.

A tradição diz que a cruz foi guardada pelos Templários e depois pela Ordem de Santiago. Historiadores como Vicente de la Fuente puseram em causa vários pormenores da lenda.

Roubo e ano jubilar

A 14 de fevereiro de 1934, a relíquia medieval foi roubada e desapareceu. Em 1942 chegaram a Caravaca dois novos fragmentos do Santo Lenho, oferecidos pelo papa Pio XII.

Em 1998, o papa João Paulo II concedeu a Caravaca um ano jubilar perpétuo, de sete em sete anos, a partir de 2003. O santuário fica no Real Alcázar, a Basílica da Vera Cruz.

Uma cruz de dois braços

A forma é a da cruz patriarcal (ou de Lorena): um braço mais curto em cima e outro mais comprido em baixo. No relicário de Caravaca, os braços medem cerca de 7 e 10 cm.

Não é uma forma exclusiva de Caravaca. A cruz de dois braços existe há muito na arte cristã. O que torna a Cruz de Caravaca reconhecível são os anjos e a ligação à relíquia.

➜ A cruz na magia e na devoção

Amuleto em Portugal e no Brasil

A devoção espalhou-se pelo mundo católico, em parte através dos jesuítas. No Brasil, no Rio Grande do Sul, ficou conhecida também como cruz missioneira.

Com o tempo, a Cruz de Caravaca passou de objeto de devoção a amuleto popular. Pendura-se na parede, traz-se ao pescoço, guarda-se na carteira. Nalguns lares da América Latina aparece mesmo ao lado da ferradura. Também é usada por praticantes do esoterismo.

Na tradição popular, a cruz é associada à proteção da casa e da pessoa. É uma crença: a Igreja vê-a como sinal de devoção à cruz de Cristo, não como talismã.

➜ Símbolos de proteção

➜ Medalha de São Bento

O livrinho da Cruz de Caravaca

Em Portugal e no Brasil circulam há muito pequenos livros de orações dedicados à cruz, com títulos como O Livro da Verdadeira Cruz de Caravaca ou O Livro Tradicional da Cruz de Caravaca.

São edições populares e comerciais, com a história da cruz, relatos de milagres e orações. Não são textos da Igreja nem documentos antigos. Muitas orações que ali aparecem não têm autor nem data conhecidos.

Uma oração curta, redigida pelo Grimório.pt a partir das fórmulas populares:

Santa Cruz de Caravaca,
sinal da cruz de Cristo,
guardai a minha casa e a minha família,
de dia e de noite.
Ámen.

Rezar não substitui a prudência nem a ajuda de profissionais quando é preciso.

Continue a ler

➜ O signo-saimão

➜ Oração do Justo Juiz

➜ Amuletos e talismãs

➜ Tradição portuguesa

Fontes

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