Durante séculos, muitas casas portuguesas tiveram uma estrela gravada na soleira da porta, na chaminé ou numa laje. O povo chamava-lhe signo-saimão, sino-saimão ou signo-de-salomão.
É o mesmo sinal que noutros países se chama selo de Salomão. Em Portugal ganhou um nome próprio e uma função muito concreta: guardar a casa e as pessoas contra o mal.
Esta página trata do uso português e popular do sinal. A história geral da estrela de seis pontas está na página do hexagrama.
➜ Hexagrama: estrela de David e selo de Salomão
Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Nome | Signo-saimão |
| Outros nomes | Sino-saimão, signo-de-salomão, signo-salomão, signo-simão, sino-samão |
| Origem do nome | «Signo» + alteração popular de «Salomão» |
| Forma | Estrela de seis pontas (dois triângulos) ou de cinco pontas |
| Onde aparece | Portas, soleiras, chaminés, lareiras, lápides, pendentes, moedas |
| Crença | Proteção contra demónios, bruxaria e mau-olhado |
| Estudo de referência | J. Leite de Vasconcelos, Signum Salomonis (1918) |
O que diz o nome
O dicionário Priberam explica que «signo-saimão» junta signo (sinal) a uma alteração de Salomão. Na boca do povo, «Salomão» passou a «saimão», e «signo» passou muitas vezes a «sino».
O mesmo dicionário define-o como um talismã de dois triângulos entrelaçados, geralmente de metal, a que o folclore atribui virtude contra as influências nocivas.
Cinco ou seis pontas?
Aqui há uma confusão antiga, e vale a pena esclarecê-la.
- Os dicionários descrevem o signo-saimão como a estrela de seis pontas, feita de dois triângulos.
- Na prática popular, o nome também foi dado à estrela de cinco pontas, o pentagrama.
Um exemplo conhecido está em Tomar. No frontão do portal da Igreja de Santa Maria do Olival há uma estrela de cinco pontas, que a Infopédia descreve e a que a Wikipédia portuguesa chama precisamente signo-saimão.
Para o povo, o que contava era a ideia: uma estrela desenhada de um só traço, fechada, onde o mal não conseguia entrar.
Onde se punha
Os usos registados vão das casas aos objetos do dia a dia. O sinal aparece em:
- soleiras de portas, a entrada da casa;
- chaminés e lareiras, a outra «abertura» da casa;
- lápides e lajes;
- pendentes e moedas furadas, usados ao pescoço.
A lógica é a mesma de outros sinais de proteção: marcar as passagens. Portas e chaminés eram vistas como os pontos por onde o mal podia entrar.
A lenda da noite de São João
Há uma lenda portuguesa, contada nas Caldas da Rainha e com versões noutras terras, que mostra bem a fama do sinal.
Segundo a lenda, quem desenhasse um signo-saimão no chão de uma encruzilhada, à meia-noite de São João, e se deitasse sobre ele, ver-se-ia cercado de demónios a tentar puxá-lo para fora. Se aguentasse sem perder a coragem, os demónios desistiam. A roupa que trazia vestida ficava, segundo a crença, com o poder de afastar o mal.
É lenda, não prática a imitar. Mas junta três temas fortes do imaginário português: a noite de São João, a encruzilhada e o círculo fechado que o diabo não atravessa.
Leite de Vasconcelos e o «Signum Salomonis»
O grande estudioso deste sinal em Portugal foi o etnógrafo José Leite de Vasconcelos (1858–1941). Em 1918 publicou Signum Salomonis, um estudo de etnografia comparada que junta os usos portugueses aos de outros povos. A obra foi reeditada com os estudos A Figa e A Barba em Portugal.
O historiador Gershom Scholem, maior especialista na história da estrela de David, reconheceu mais tarde o valor deste trabalho.
De Salomão ao povo
A ligação a Salomão vem de uma lenda antiga: a de um anel mágico com que o rei mandaria nos demónios. A associação do nome de Salomão a esse sinal é, segundo os historiadores, sobretudo medieval, com forte influência da tradição árabe.
O signo-saimão é o ponto de chegada popular dessa longa história: um sinal erudito que se tornou amuleto de porta nas aldeias portuguesas.
➜ O rei Salomão na tradição mágica
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Fontes
- Dicionário Priberam, «signo-saimão» — dicionario.priberam.org
- Infopédia, «Igreja de Santa Maria do Olival» — infopedia.pt
- J. Leite de Vasconcelos, Signum Salomonis. A Figa. A Barba em Portugal, Etnográfica Press — books.openedition.org
- «Marginália e imaginário: apontamentos sobre a história do pentagrama», LOUD! — loudmagazine.net
- «Seal of Solomon», Wikipedia — en.wikipedia.org