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🔯 Símbolos

Nó de Salomão: o entrelaçado de dois anéis

O nó de Salomão explicado: dois anéis entrelaçados em mosaicos romanos, sinagogas, igrejas e arte islâmica, exemplos na Península Ibérica e a confusão com o selo de Salomão.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. Não é um nó
  3. Nos mosaicos romanos
  4. Na Península Ibérica
  5. Na arte judaica, cristã e islâmica
  6. Em África
  7. Porquê «de Salomão»?
  8. Mitos modernos a desfazer
  9. Continue a ler
  10. Fontes

O nó de Salomão é um motivo decorativo formado por dois anéis fechados, entrelaçados um no outro, que se cruzam quatro vezes, passando alternadamente por cima e por baixo. Muitas vezes os anéis são alongados e o desenho parece uma cruz de quatro braços com um quadrado no centro.

É um dos ornamentos mais antigos e mais espalhados do mundo: aparece em mosaicos romanos, sinagogas, igrejas, mesquitas e em tecidos africanos.

Apesar do nome, não está ligado a nenhum texto do rei Salomão. E não deve ser confundido com o «selo de Salomão», que é uma estrela.

Ficha

Campo Informação
Nome Nó de Salomão
Outros nomes Sigillum Salomonis (latim), nodo di Salomone (italiano), nudo de Salomón (espanhol), imbolo (Congo, tecidos Kuba)
Origem mais antiga conhecida Antiguidade; muito frequente em mosaicos romanos
Culturas Romana, judaica, cristã, islâmica, iorubá e kuba (África)
Significados Varia: ornamento, eternidade, união, proteção, realeza (África)

Não é um nó

Em matemática, o nó de Salomão não é um nó mas uma ligação: são dois anéis separados, cada um fechado sobre si mesmo, presos um ao outro. Por isso também se lhe chama «entrelaçado duplo».

É esta ideia de duas coisas distintas unidas sem se confundirem que explica muitas das leituras simbólicas posteriores.

Nos mosaicos romanos

O nó de Salomão é muito frequente nos mosaicos romanos, quase sempre como dois ovais entrelaçados no meio de padrões geométricos. Fazia parte do repertório corrente dos mosaicistas, em casas, termas e edifícios públicos de todo o Império.

Um achado recente mostra bem este uso: em Esmirna (Izmir, Turquia), arqueólogos encontraram um piso de mosaico dos séculos IV a VI com um nó de Salomão no centro. Os investigadores interpretaram-no como um sinal de proteção contra a inveja e o mau-olhado, protegendo o edifício ou quem o usava. É uma interpretação plausível para a Antiguidade tardia, não uma certeza para todos os casos.

➜ Símbolos de proteção

Na Península Ibérica

O motivo chegou à Hispânia com a arte romana. Um exemplo bem documentado é o mosaico de Villafranca (Navarra), do séc. IV, hoje no Museu de Navarra, em Pamplona: cerca de 30 m² com nós de Salomão simples e compostos, a preto, branco, vermelho e ocre.

O desenho continuou em uso depois dos romanos. Aparece na arte da Espanha muçulmana e há registo de um nó de Salomão românico gravado em Silos (Burgos). Na tradição popular portuguesa, porém, o sinal de Salomão mais conhecido é outro: o signo-saimão, uma estrela.

➜ O signo-saimão

Na arte judaica, cristã e islâmica

O nó de Salomão atravessa as três religiões:

  • Judaísmo: surge em mosaicos de sinagogas antigas, como em Séforis (Israel).
  • Cristianismo: está nos mosaicos da Basílica de Aquileia (Itália) e em cadeirais góticos, como os da Catedral de Siena (1363–1425). Na arte cristã primitiva foi lido como imagem da união entre o humano e o divino.
  • Islão: aparece em portais de mesquitas, em tapetes de oração da Ásia Central e num Corão egípcio do séc. XIV guardado no Museu Britânico.

Em África

Entre os Iorubás (Nigéria) e os Kuba (Congo), o motivo aparece em trabalhos de contas, tecidos e esculturas. Aí está muitas vezes ligado ao estatuto real: vê-se em coroas, túnicas e objetos cerimoniais.

Porquê «de Salomão»?

O nome liga o desenho ao rei Salomão da Bíblia, famoso pela sabedoria e, nas lendas posteriores, por poderes sobre os demónios. Não se sabe quando nem porquê o nome se fixou a este desenho em particular.

O nome gera confusão: em latim, sigillum Salomonis («selo de Salomão») foi usado para este entrelaçado e também para a estrela de seis pontas e para o pentagrama. São símbolos diferentes.

➜ O rei Salomão na tradição mágica

➜ Hexagrama: estrela de David e selo de Salomão

Mitos modernos a desfazer

  • «Vem de um grimório de Salomão.» Não. O motivo é decorativo e muito mais antigo do que os grimórios salomónicos.
  • «É um nó celta.» É usado também na arte celta e no artesanato, mas não é exclusivamente celta.
  • «Tem um único significado.» Não. Depende da época e da cultura: ornamento, proteção, união, realeza.

Continue a ler

➜ Triquetra

➜ O círculo como símbolo

➜ A cruz: significados e tipos

➜ Todos os símbolos

Fontes

  • «Solomon's knot», Wikipedia (com bibliografia) — en.wikipedia.org
  • «Nudo de Salomón: qué es, su simbología y ejemplo de mosaico», Arte Viajero (mosaico de Villafranca) — arteviajero.com
  • «Arqueólogos descobrem mosaico romano raro com Nó de Salomão», Aventuras na História, jan. 2026 (Esmirna) — aventurasnahistoria.com.br; a interpretação protetora é citada a partir do portal Arkeonews em noticiabrasil.net.br
  • Lois Rose, Seeing Solomon's Knot, 2005

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