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🧙 Figuras do Oculto

O rei Salomão na tradição mágica

Como o rei Salomão da Bíblia se tornou o grande mago da tradição: o anel com o selo, os demónios do Templo, Josefo, o Corão e os grimórios que lhe atribuíram.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. O Salomão da Bíblia
  3. Do sábio ao exorcista
  4. O anel e os demónios do Templo
  5. Sulaymān no Islão
  6. Os grimórios de Salomão
  7. Salomão em Portugal
  8. Continue a ler
  9. Fontes

Nenhum nome aparece tantas vezes nos grimórios como o de Salomão. Há uma Chave de Salomão, uma Chave Menor de Salomão, um Testamento de Salomão, uma Arte Notória de Salomão e o célebre selo ou signo-saimão.

Mas o Salomão da Bíblia não é um mago. É um rei sábio. A figura do mago que prende demónios com um anel nasceu depois, em lendas judaicas, cristãs e islâmicas.

Esta ficha acompanha essa transformação. Nenhum dos grimórios atribuídos a Salomão foi escrito por ele.

Ficha

Campo Informação
Nome Salomão (hebraico Shlomo; árabe Sulaymān)
Época Séc. X a.C., segundo a cronologia bíblica (c. 970–931 a.C., data hipotética)
Origem Reino de Israel, Jerusalém
Ocupação Rei, filho de David e Betsabé
Obras atribuídas Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Sabedoria (atribuições tradicionais)
Conhecido por A sabedoria, o Templo de Jerusalém e, na lenda, o anel que comandava os demónios

O Salomão da Bíblia

No Primeiro Livro dos Reis (cap. 3), Salomão pede a Deus sabedoria para governar, em vez de riqueza ou vida longa. O texto diz que compôs 3000 provérbios e 1005 cânticos, e que falava das árvores, dos animais, das aves e dos peixes (1 Reis 4, 32–33).

A Bíblia atribui-lhe a construção do Templo de Jerusalém. No fim da vida, segundo 1 Reis 11, as mulheres estrangeiras levaram-no a prestar culto a outros deuses.

Facto e dúvida: os historiadores aceitam, em geral, que existiu um rei Salomão. Mas a riqueza e a extensão do seu reino, tal como a Bíblia as descreve, são consideradas exageradas, e as provas arqueológicas são escassas e discutidas.

Do sábio ao exorcista

O saber de Salomão sobre a natureza abriu caminho à lenda. O livro da Sabedoria (séc. I–II a.C.) já lhe atribui o conhecimento dos astros, dos animais, das plantas e das «virtudes das raízes» (Sabedoria 7, 17–20).

O testemunho de Flávio Josefo (séc. I d.C.)

O historiador judeu Flávio Josefo, nas Antiguidades Judaicas (livro VIII), escreve que Deus concedeu a Salomão a arte de expulsar demónios e que ele deixou fórmulas de exorcismo.

Josefo conta ter visto um judeu chamado Eleazar libertar possessos diante do futuro imperador Vespasiano. Usava um anel com uma raiz «das indicadas por Salomão», invocava o nome do rei e mandava o demónio derrubar uma bacia de água ao sair, como prova.

É um dos testemunhos mais antigos de Salomão como patrono dos exorcistas.

O anel e os demónios do Templo

Nos séculos seguintes, a lenda cresceu à volta de um objeto: o anel de Salomão.

  • No Testamento de Salomão, texto grego dos primeiros séculos da era cristã, o rei recebe do arcanjo Miguel um anel que lhe permite interrogar e dominar demónios e obrigá-los a trabalhar na construção do Templo.
  • No Talmude (tratado Gittin), Salomão usa um anel gravado com o Nome divino para capturar o rei dos demónios, Ashmedai (Asmodeu), que o ajuda a construir o Templo e depois o afasta do trono durante algum tempo.

➜ O Testamento de Salomão

➜ Asmodeu

Sulaymān no Islão

O Corão apresenta Salomão como profeta a quem Deus submeteu o vento e os djinns, que trabalhavam para ele (surata 34, 12–13). Na surata 27, «A Formiga», Salomão entende a linguagem de uma formiga e de uma poupa, e a poupa traz-lhe notícias da rainha de Sabá.

A tradição islâmica posterior desenvolveu a história do anel com o selo. Foi também no mundo árabe medieval que o selo ganhou a forma de hexagrama; a versão em pentagrama tornou-se comum mais tarde, na magia europeia.

➜ Magia islâmica e os djinns

➜ O hexagrama

Os grimórios de Salomão

Na Idade Média e no Renascimento, pôr um livro sob o nome de Salomão dava-lhe autoridade e antiguidade. Os principais:

Obra O que é
Testamento de Salomão Texto grego antigo sobre os demónios e o anel
Ars Notoria Orações para obter saber e memória (séc. XII–XIII)
Chave de Salomão Manual de magia cerimonial (séc. XIV–XV)
Lemegeton A «Chave Menor», séc. XVII, que inclui a Goécia

A lista de 72 espíritos que Salomão teria fechado num vaso de bronze pertence ao Lemegeton, não à Bíblia.

Salomão em Portugal

Na tradição popular portuguesa, o signo-saimão (sino-saimão) — a estrela de cinco ou seis pontas — era desenhado em portas, chaminés e objetos como proteção. O nome vem precisamente do «signo de Salomão».

➜ O Signo-Saimão

Continue a ler

➜ Figuras do Oculto

➜ A Goécia

➜ Demonologia

Fontes

  • Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, VIII, 2, 5 (trad. inglesa de W. Whiston) — lexundria.com
  • «Solomon», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • «Seal of Solomon», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • «Solomon in Islam», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • Owen Davies, Grimoires: A History of Magic Books, Oxford University Press, 2009.

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