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🔯 Símbolos

O Selo de Lúcifer: o desenho, a origem e o uso moderno

O selo de Lúcifer explicado: de onde vem o desenho, o que diz o Grimorium Verum, a edição italiana de 1880 e porque se tornou um símbolo moderno.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. O desenho
  3. De onde vem: o Grimorium Verum
  4. Como se tornou um símbolo moderno
  5. Mitos a desfazer
  6. Selos e sigilos nos grimórios
  7. Continue a ler
  8. Fontes

O chamado Selo de Lúcifer é hoje um dos símbolos «ocultos» mais vistos: em tatuagens, t-shirts, capas de discos e redes sociais. Muita gente usa-o sem saber de onde vem.

A resposta é concreta: o desenho vem de um grimório francês do século XVIII, o Grimorium Verum, onde surge entre os «caracteres» dos espíritos. Não é um símbolo antigo, nem bíblico.

Esta página trata do símbolo gráfico. Para a figura de Lúcifer em si — de Isaías à literatura — veja a página própria.

➜ Lúcifer: da estrela da manhã ao diabo cristão

Ficha

Campo Informação
Nome Selo de Lúcifer (em inglês, Sigil of Lucifer)
Outros nomes Caracteres de Lúcifer; «selo de Satanás» (em meios satanistas)
Origem mais antiga conhecida Grimorium Verum, grimório francês do séc. XVIII
Culturas Magia dos grimórios; satanismo e luciferianismo modernos; cultura pop
Significados No grimório: sinal do espírito. Hoje: emblema de rebeldia, «luz» ou identidade

O desenho

A versão mais divulgada tem uma forma que lembra uma taça ou cálice estilizado:

  • um triângulo grande com a ponta para baixo;
  • linhas cruzadas em X na parte de cima, que formam um triângulo mais pequeno;
  • uma letra V na base, sob o triângulo;
  • pequenos traços e ganchos nas extremidades, típicos dos «caracteres» dos grimórios.

Não há nos textos antigos nenhuma explicação para cada traço. As leituras que atribuem sentidos a cada linha (o V como «Vénus», o cálice como «receptáculo da luz») são interpretações modernas.

De onde vem: o Grimorium Verum

O Grimorium Verum («Verdadeiro Grimório») diz ter sido publicado em «Memphis, 1517» por um tal Alibeck, o Egípcio. A data é falsa: os estudiosos situam a obra no século XVIII. Há manuscritos como o Wellcome MS 983, datado de cerca de 1709.

O livro apresenta três espíritos superiores — Lúcifer, Belzebu e Astaroth — e dá a cada um os seus «caracteres». Segundo o texto, estes sinais deviam ser levados consigo pelo operador. O grimório descreve isto; não é tradição antiga, é uma construção do próprio livro.

➜ Grimorium Verum

A edição italiana de 1880

O desenho que hoje circula está ligado sobretudo à tradução italiana La Clavicola del Re Salomone, publicada em Florença em 1880 (Amato Muzzi Editore). Ali aparece uma prancha com o título «Caratteri di Lucifero» (Caracteres de Lúcifer).

É frequente ler-se que a fonte é uma edição de 1868. Não conseguimos confirmar essa data: a edição documentada e transcrita pelo investigador Joseph H. Peterson é a de 1880.

As edições francesas impressas também variam. Peterson nota que numa delas (a de Blocquel) uma das figuras desta secção aparece confundida com a de outro espírito, Claunech. Ou seja: o próprio desenho mudou de edição para edição.

Como se tornou um símbolo moderno

Durante mais de um século, o selo ficou quase esquecido nas páginas de um grimório. A sua popularidade é recente:

  • no satanismo teísta e em correntes luciferianas passou a ser usado como emblema, às vezes com o nome de «selo de Satanás»;
  • a internet e a cultura da tatuagem espalharam-no a partir dos anos 2000;
  • bandas de metal e outros músicos usam-no em capas e cenários (a banda suíça Zeal & Ardor, por exemplo).

Para quem o usa hoje, o sentido é quase sempre simbólico: rebeldia, procura de conhecimento, a ideia de Lúcifer como «portador da luz». É uma leitura do luciferianismo moderno, não do grimório original.

➜ Bruxaria luciferiana

Mitos a desfazer

  • «É um símbolo antiquíssimo.» Não. A fonte mais antiga conhecida é um grimório do século XVIII.
  • «É o mesmo que o sigilo de Baphomet.» Não. O sigilo de Baphomet (pentagrama invertido com cabeça de bode) foi adotado pela Igreja de Satanás em 1966. São desenhos e histórias diferentes.
  • «Usar o selo atrai Lúcifer.» Essa é uma crença, não um facto. Na maior parte dos casos, o selo é usado como emblema estético ou de identidade.

➜ Baphomet

➜ Pentagrama e pentagrama invertido

Selos e sigilos nos grimórios

O Selo de Lúcifer pertence a uma família maior: os sigilos ou «caracteres» dos espíritos. A Goetia, por exemplo, dá um selo a cada um dos seus 72 espíritos. Estes sinais funcionavam, dentro da lógica dos grimórios, como uma espécie de assinatura do espírito.

➜ Goetia

Continue a ler

➜ Lúcifer

➜ Grimorium Verum

➜ Como se desenham sigilos

➜ Todos os símbolos

Fontes

  • Joseph H. Peterson (ed.), Grimorium Verum, edição digital do texto francês, com notas sobre manuscritos e edições — esotericarchives.com
  • Joseph H. Peterson (ed.), La Clavicola del Re Salomone, Florença, Amato Muzzi, 1880 («Caratteri di Lucifero», Tavola 1) — esotericarchives.com
  • Joseph H. Peterson, Grimorium Verum: A Handbook of Black Magic, CreateSpace, 2007
  • «Grimorium Verum» e «List of occult symbols», Wikipedia — en.wikipedia.org

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