Uma simpatia é um pequeno gesto ritual, feito em casa com coisas simples, para pedir algo: amor, sorte, trabalho, proteção. Um dente de alho atrás da porta, um ramo de alecrim na carteira, uma vela acesa com uma oração.
Nesta página explicamos de onde vem a palavra, a ideia antiga que está por trás destas práticas e onde encontrar cada simpatia, organizada por finalidade.
Uma nota antes de começar: nenhuma simpatia garante resultados. São costumes da tradição popular, com valor cultural e simbólico. Não substituem o médico, o advogado nem uma boa conversa.
De onde vem a palavra «simpatia»
Em português, «simpatia» quer dizer sobretudo afinidade entre pessoas. O sentido de ritual para conseguir o que se deseja é sobretudo brasileiro: o dicionário Priberam marca esta aceção como uso do Brasil.
Em Portugal, as mesmas práticas tinham outros nomes:
| Nome português | O que designa |
|---|---|
| Mezinha | Remédio caseiro, muitas vezes com uma parte ritual |
| Reza | Oração dita para um fim concreto |
| Benzedura | Oração e gestos de uma benzedeira, por exemplo contra o quebranto |
| Sortes | Pequenas adivinhações, como as de Santo António e São João |
Hoje, com a internet e a televisão, a palavra «simpatia» entrou no uso português. Nesta secção usamo-la no sentido largo: pequenas práticas populares, feitas em casa, com um objetivo concreto.
➜ O que é uma simpatia (artigo)
A ideia por trás: a «magia simpática»
A palavra não é um acaso. No século XIX, os antropólogos chamaram magia simpática às práticas que assentam numa ligação invisível («simpatia») entre as coisas.
O escocês James George Frazer tornou a expressão famosa em O Ramo de Ouro (The Golden Bough), publicado pela primeira vez em 1890 e ampliado nas edições seguintes. Frazer resumiu o pensamento mágico em duas leis:
- Lei da semelhança: o semelhante produz o semelhante. Por isso o mel «adoça», a lua crescente «faz crescer» e a vela vermelha, da cor do coração, liga-se ao amor. Frazer chamou-lhe magia homeopática ou imitativa.
- Lei do contacto ou contágio: as coisas que estiveram em contacto continuam ligadas. Por isso se usa uma peça de roupa, um cabelo ou uma fotografia. Frazer chamou-lhe magia contagiosa.
Atenção: Frazer descrevia estas leis como formas de pensar das pessoas, não como leis da natureza. Hoje muitas das suas ideias foram criticadas pelos antropólogos, mas as duas leis continuam a ser a forma mais simples de perceber porque é que as simpatias usam os ingredientes que usam.
Simpatias por finalidade
Amor e relações
Dinheiro, trabalho e sorte
➜ Simpatia para atrair clientes
➜ Simpatia para passar no exame
Proteção e saúde
➜ Simpatias para afastar inimigos (proteção pessoal)
Por ingrediente
Pelo calendário
Como lemos as simpatias nesta secção
Cada página segue o mesmo método:
- Origem: quando é conhecida. Quando não é, dizemos «tradição popular, origem desconhecida».
- Simbolismo: o que cada gesto representa, segundo a crença.
- Passo a passo: simples, com ingredientes comuns e seguros.
- Limites: o que uma simpatia não faz e quando procurar ajuda real.
Muitas simpatias que circulam na internet são recentes, sobretudo brasileiras, e não «segredos antigos portugueses». Quando for esse o caso, dizemo-lo.
Regras que seguimos
- Nada contra outras pessoas. Não publicamos simpatias para prender, separar, castigar ou forçar a vontade de alguém.
- Nada perigoso. Sem enxofre, sem plantas tóxicas para beber, sem animais, sem cemitérios.
- Fogo com cuidado. Uma vela nunca fica acesa sem vigilância.
- Ervas com cuidado. Não beba nem ponha na pele plantas que não conhece bem.
➜ Como usar velas com segurança
Continue a ler
Fontes
- James George Frazer, The Golden Bough: A Study of Magic and Religion (ed. abreviada de 1922), Project Gutenberg — gutenberg.org
- «Sympathetic magic», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «simpatia», Dicionário Priberam da Língua Portuguesa — dicionario.priberam.org
- «Benzedura para afastar a inveja e tirar o quebranto», Portugal d'Antigamente — sapo.pt