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Lucífugo Rofocale

Quem é Lucífugo Rofocale? O demónio dos tesouros do Grande Grimório: nome, lugar na corte infernal, a cena do pacto e como a figura passou à cultura moderna.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. O nome
  3. O lugar na corte infernal
  4. A cena do pacto
  5. Porque é o «demónio dos tesouros»
  6. Na cultura moderna
  7. Diferença entre Lucífugo e Mefistófeles
  8. Continue a ler
  9. Fontes

Lucífugo Rofocale é o demónio central do Grande Grimório, um livro de magia popular francês. O livro chama-lhe «primeiro-ministro» do Inferno e dá-lhe o controlo das riquezas e dos tesouros escondidos.

Não aparece na Bíblia, nem nos padres da Igreja, nem nos tratados de demonologia medievais. É uma criação dos grimórios populares franceses, provavelmente do século XVIII.

Esta página fala da figura. Para a história do livro (datas falsas, edições, conteúdo), veja a página própria.

➜ O Grande Grimório

Ficha

Campo Informação
Nome e variantes Lucífugo Rofocale; em francês Lucifuge ou Lucifugé Rofocale
Tipo Demónio dos grimórios
Primeira fonte Le Grand Grimoire (França, séc. XVIII; edições com datas falsas de 1421, 1521 ou 1522)
Tradições Grimórios populares franceses; ocultismo moderno; cultura popular
Posição «Primeiro-ministro» de Lúcifer
Atributos Riquezas e tesouros; o pacto

O nome

«Lucífugo» vem do latim lucifugus, «que foge da luz». É uma palavra latina comum, usada para animais noturnos. Aplicada a um demónio, faz um jogo evidente com Lúcifer, «o que traz a luz».

«Rofocale» não tem explicação segura. Há quem veja nele um anagrama ou uma deformação de outros nomes de demónios, mas nenhuma hipótese está demonstrada.

O lugar na corte infernal

O Grande Grimório organiza os demónios como a corte de um rei, com títulos militares e de governo tirados da França do seu tempo:

Espírito Título no livro
Lúcifer Imperador
Belzebu Príncipe
Astaroth Grão-duque
Lucífugo Rofocale Primeiro-ministro
Satanachia Grande general
Agaliarept, Fleurety, Sargatanas, Nebiros Outros «oficiais»

Segundo o texto, Lucífugo recebeu de Lúcifer o poder sobre «todas as riquezas e tesouros do mundo». Abaixo dele estariam três espíritos: Bael, Agares e Marbas.

Estes três nomes não foram inventados pelo Grande Grimório. São espíritos da Goetia, a lista de 72 demónios do Lemegeton: Bael é o 1.º, Agares o 2.º e Marbas o 5.º. É um exemplo de como os grimórios se copiavam uns aos outros.

➜ Lúcifer

➜ Baal (e Bael da Goetia)

➜ Goetia

A cena do pacto

A passagem mais famosa do livro é um diálogo entre o operador e Lucífugo. Descrevemos a narrativa; não reproduzimos a conjuração.

  • Lucífugo aparece e pergunta porque o incomodam.
  • O operador pede riquezas.
  • Lucífugo exige que ele se entregue, de corpo e alma, ao fim de vinte anos.
  • O operador recusa e continua as conjurações com a vara fulminante.
  • No fim, o demónio cede: mostra o tesouro mais próximo, em troca de uma pequena moeda oferecida na primeira segunda-feira de cada mês.

É um conto de esperteza: o homem que engana o diabo. O mesmo tema aparece em muitas lendas populares europeias, incluindo portuguesas.

Não há qualquer registo histórico de alguém que tenha encontrado tesouros desta forma.

➜ O diabo na tradição portuguesa

Porque é o «demónio dos tesouros»

Nos séculos XVIII e XIX, a caça aos tesouros escondidos era uma obsessão popular em França, na Galiza e em Portugal. Acreditava-se que mouros, romanos e antigos senhores tinham enterrado riquezas guardadas por espíritos.

Os grimórios baratos respondiam a esse desejo. Lucífugo é a personificação desse sonho: o ministro das finanças do Inferno.

Em Portugal e na Galiza, o mesmo sonho alimentou as listas de tesouros do Livro de São Cipriano e do Ciprianillo galego.

Na cultura moderna

  • A. E. Waite traduziu partes do Grande Grimório para inglês em The Book of Black Magic and of Pacts (1898), com comentários muito críticos. Foi assim que Lucífugo chegou ao ocultismo de língua inglesa.
  • Aparece em romances, jogos e séries de televisão como «demónio do pacto».

Um aviso

Em 2021, um tribunal de Londres condenou a prisão perpétua um jovem que matou duas mulheres em 2020. Ele acreditava ter feito um pacto escrito com Lucífugo Rofocale para ganhar a lotaria.

O caso mostra o perigo de levar à letra textos que são literatura popular e de os misturar com fragilidade psicológica. Quem sente que uma crença lhe está a fazer mal deve procurar ajuda médica ou psicológica.

Diferença entre Lucífugo e Mefistófeles

Os dois são «demónios do pacto», mas vêm de mundos diferentes:

Figura Origem
Mefistófeles Literatura (Fausto, 1587; Marlowe; Goethe)
Lucífugo Rofocale Grimórios populares franceses (séc. XVIII–XIX)

➜ Mefistófeles

Continue a ler

➜ Grimorium Verum

➜ Anjos, demónios e entidades

Fontes

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