Poucas plantas têm um cheiro tão reconhecível como a alfazema. Durante séculos perfumou roupa, armários e gavetas em toda a Europa, e o nome português guarda a marca da presença árabe na Península.
Nesta ficha separamos o que é facto botânico e histórico, o que é tradição popular e o que pertence à crença esotérica moderna. No fim encontra as precauções, sobretudo com o óleo essencial.
Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Nome comum | Alfazema, lavanda |
| Nome científico | Lavandula angustifolia (antes L. officinalis) |
| Família | Lamiáceas (a do alecrim, da salva e da hortelã) |
| Outros nomes em Portugal | Lavanda; o nome «alfazema» também se aplica, na linguagem popular, a outras espécies de Lavandula |
| Partes usadas na tradição | Flores secas (espigas) |
| Toxicidade | Baixa como planta seca; o óleo essencial exige cuidados |
Alfazema, lavanda e rosmaninho
Em Portugal, os nomes populares cruzam-se. Os dicionários chamam «alfazema» a várias espécies do género Lavandula. A mais cultivada é a Lavandula angustifolia, de espigas finas e azuladas.
As lavandas silvestres de espiga curta, com um «penacho» de brácteas roxas no topo, são o rosmaninho. Têm ficha própria.
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Dois nomes, duas línguas
«Alfazema» vem do árabe al-khuzāmā, que designava a mesma planta. É uma das muitas palavras de origem árabe ligadas às plantas e à agricultura em português.
«Lavanda» liga-se ao latim. A explicação mais repetida é a ligação a lavare («lavar»). Os estudiosos lembram, porém, que não há provas de que os romanos usassem lavanda nos banhos. O que está documentado é o uso da planta para perfumar roupa guardada.
História: da Antiguidade aos armários
Os gregos antigos conheciam sobretudo a lavanda de espiga curta (Lavandula stoechas). O nome da espécie vem das ilhas Stoechades (atuais ilhas de Hyères, em França), segundo o médico grego Dioscórides, no século I.
Na Europa medieval e moderna, as flores secas eram colocadas entre a roupa guardada para lhe dar cheiro fresco e afastar a traça. Também enchiam saquinhos de pano para perfumar lençóis. Em inglês, as lavadeiras chegaram a ser chamadas lavenders.
Hoje a planta é cultivada em grande escala para perfumaria, sabões e cosmética.
Na tradição portuguesa
Em Portugal, como no resto da Europa, a alfazema entrou sobretudo na vida doméstica. Os saquinhos de flores secas nas gavetas, nos armários e entre a roupa de cama continuam a ser um costume comum.
O gesto tem uma função prática: perfumar e ajudar a afastar a traça. Por isso o cheiro da alfazema ficou associado à ideia de casa arrumada, limpa e cuidada.
A planta cresce também espontaneamente em várias zonas do país, e há hoje produtores portugueses dedicados à alfazema.
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Na tradição esotérica
Na tradição esotérica moderna, a alfazema é associada a:
- Calma e paz em casa;
- Limpeza e purificação, pela ligação ao «lavar»;
- Sono tranquilo, com um saquinho junto à almofada;
- Amor sereno e reconciliação.
Os usos mais comuns são saquinhos de flores, banhos de flores e defumações leves. Tudo isto pertence ao campo da crença e do simbolismo. Nenhuma prática garante resultados.
A Agência Europeia do Medicamento (EMA) reconhece a flor de alfazema como medicamento tradicional à base de plantas para sintomas ligeiros de stress e para ajudar a adormecer. Isto é uso tradicional regulado, não prova de efeitos espirituais. Problemas de sono persistentes ou ansiedade devem ser vistos por um médico.
Precauções
A planta seca em saquinhos é, em geral, segura. O óleo essencial é concentrado e exige mais cuidado.
- Nunca ingira o óleo essencial. Guarde-o fora do alcance das crianças.
- Pele: pode causar dermatite de contacto e reações alérgicas. Use sempre diluído e faça um teste numa pequena zona antes de um banho.
- Crianças: o NCCIH (Estados Unidos) recomenda cautela com o uso de óleo de alfazema em rapazes jovens, por possíveis efeitos hormonais.
- Gravidez e amamentação: não há dados de segurança suficientes. Evite preparações concentradas sem conselho médico.
- Animais: óleos essenciais em difusor podem fazer mal a gatos. Mantenha a divisão arejada.
- Medicamentos: se toma calmantes ou medicação para dormir, fale com o médico antes de usar alfazema como remédio.
Defumações: queime as flores num recipiente resistente ao calor, com a janela aberta, sem nunca as deixar sem vigilância. Evite o fumo perto de crianças, animais e pessoas com asma.
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Fontes
- «Alfazema», Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa — infopedia.pt
- «Lavandula», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Lavandulae flos», European Medicines Agency (HMPC) — ema.europa.eu
- «A história da alfazema», Revista Jardins — revistajardins.pt