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🌿 Ervas

Alfazema: a planta da roupa lavada

Ficha da alfazema: nome científico, origem árabe do nome, uso na roupa e nos armários, simbolismo na tradição esotérica e precauções com o óleo essencial.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. Alfazema, lavanda e rosmaninho
  3. Dois nomes, duas línguas
  4. História: da Antiguidade aos armários
  5. Na tradição portuguesa
  6. Na tradição esotérica
  7. Precauções
  8. Continue a ler
  9. Fontes

Poucas plantas têm um cheiro tão reconhecível como a alfazema. Durante séculos perfumou roupa, armários e gavetas em toda a Europa, e o nome português guarda a marca da presença árabe na Península.

Nesta ficha separamos o que é facto botânico e histórico, o que é tradição popular e o que pertence à crença esotérica moderna. No fim encontra as precauções, sobretudo com o óleo essencial.

Ficha

Campo Informação
Nome comum Alfazema, lavanda
Nome científico Lavandula angustifolia (antes L. officinalis)
Família Lamiáceas (a do alecrim, da salva e da hortelã)
Outros nomes em Portugal Lavanda; o nome «alfazema» também se aplica, na linguagem popular, a outras espécies de Lavandula
Partes usadas na tradição Flores secas (espigas)
Toxicidade Baixa como planta seca; o óleo essencial exige cuidados

Alfazema, lavanda e rosmaninho

Em Portugal, os nomes populares cruzam-se. Os dicionários chamam «alfazema» a várias espécies do género Lavandula. A mais cultivada é a Lavandula angustifolia, de espigas finas e azuladas.

As lavandas silvestres de espiga curta, com um «penacho» de brácteas roxas no topo, são o rosmaninho. Têm ficha própria.

➜ Rosmaninho: a lavanda brava de Portugal

Dois nomes, duas línguas

«Alfazema» vem do árabe al-khuzāmā, que designava a mesma planta. É uma das muitas palavras de origem árabe ligadas às plantas e à agricultura em português.

«Lavanda» liga-se ao latim. A explicação mais repetida é a ligação a lavare («lavar»). Os estudiosos lembram, porém, que não há provas de que os romanos usassem lavanda nos banhos. O que está documentado é o uso da planta para perfumar roupa guardada.

História: da Antiguidade aos armários

Os gregos antigos conheciam sobretudo a lavanda de espiga curta (Lavandula stoechas). O nome da espécie vem das ilhas Stoechades (atuais ilhas de Hyères, em França), segundo o médico grego Dioscórides, no século I.

Na Europa medieval e moderna, as flores secas eram colocadas entre a roupa guardada para lhe dar cheiro fresco e afastar a traça. Também enchiam saquinhos de pano para perfumar lençóis. Em inglês, as lavadeiras chegaram a ser chamadas lavenders.

Hoje a planta é cultivada em grande escala para perfumaria, sabões e cosmética.

Na tradição portuguesa

Em Portugal, como no resto da Europa, a alfazema entrou sobretudo na vida doméstica. Os saquinhos de flores secas nas gavetas, nos armários e entre a roupa de cama continuam a ser um costume comum.

O gesto tem uma função prática: perfumar e ajudar a afastar a traça. Por isso o cheiro da alfazema ficou associado à ideia de casa arrumada, limpa e cuidada.

A planta cresce também espontaneamente em várias zonas do país, e há hoje produtores portugueses dedicados à alfazema.

➜ Como fazer um saquinho de ervas

Na tradição esotérica

Na tradição esotérica moderna, a alfazema é associada a:

  • Calma e paz em casa;
  • Limpeza e purificação, pela ligação ao «lavar»;
  • Sono tranquilo, com um saquinho junto à almofada;
  • Amor sereno e reconciliação.

Os usos mais comuns são saquinhos de flores, banhos de flores e defumações leves. Tudo isto pertence ao campo da crença e do simbolismo. Nenhuma prática garante resultados.

➜ Banho de flores

➜ Banho para paz interior

A Agência Europeia do Medicamento (EMA) reconhece a flor de alfazema como medicamento tradicional à base de plantas para sintomas ligeiros de stress e para ajudar a adormecer. Isto é uso tradicional regulado, não prova de efeitos espirituais. Problemas de sono persistentes ou ansiedade devem ser vistos por um médico.

Precauções

A planta seca em saquinhos é, em geral, segura. O óleo essencial é concentrado e exige mais cuidado.

  • Nunca ingira o óleo essencial. Guarde-o fora do alcance das crianças.
  • Pele: pode causar dermatite de contacto e reações alérgicas. Use sempre diluído e faça um teste numa pequena zona antes de um banho.
  • Crianças: o NCCIH (Estados Unidos) recomenda cautela com o uso de óleo de alfazema em rapazes jovens, por possíveis efeitos hormonais.
  • Gravidez e amamentação: não há dados de segurança suficientes. Evite preparações concentradas sem conselho médico.
  • Animais: óleos essenciais em difusor podem fazer mal a gatos. Mantenha a divisão arejada.
  • Medicamentos: se toma calmantes ou medicação para dormir, fale com o médico antes de usar alfazema como remédio.

Defumações: queime as flores num recipiente resistente ao calor, com a janela aberta, sem nunca as deixar sem vigilância. Evite o fumo perto de crianças, animais e pessoas com asma.

➜ Como usar velas com segurança

Continue a ler

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Fontes

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