O alho é uma das plantas cultivadas mais antigas do mundo. Esteve na mesa de camponeses, soldados e marinheiros, foi oferecido a deuses e acabou, no folclore europeu, como arma contra vampiros.
Nesta ficha contamos essa história, separando o que está documentado do que é folclore, literatura e crença. Para a simpatia popular portuguesa com alho, há uma página própria.
Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Nome comum | Alho |
| Nome científico | Allium sativum |
| Família | Amarilidáceas (a da cebola e do alho-porro) |
| Outros nomes em Portugal | Alho-comum; a cabeça divide-se em «dentes» |
| Partes usadas na tradição | Bolbo (cabeça e dentes), réstias |
| Toxicidade | Alimento seguro para pessoas; tóxico para cães e gatos |
Origem e história
O alho terá origem na Ásia Central, no nordeste do Irão e nas faldas dos Himalaias. É aí que existe hoje a maior diversidade de variedades.
No Egito antigo, o alho era conhecido e apreciado. Foram encontrados dentes de alho bem conservados no túmulo de Tutankhamon (c. 1325 a.C.).
Na Grécia e em Roma, era alimento de soldados, marinheiros e gente do campo. Os gregos deixavam alho nas encruzilhadas como oferenda a Hécate, a deusa ligada à magia, às encruzilhadas e ao mundo subterrâneo.
O alho contra vampiros
A fama do alho como proteção contra o sobrenatural é sobretudo folclore da Europa Central e de Leste. Segundo essas tradições, para afastar vampiros o alho podia ser usado ao pescoço, pendurado nas janelas ou esfregado nas chaminés e fechaduras — as entradas da casa.
A literatura espalhou a ideia pelo mundo. No romance Drácula, de Bram Stoker (1897), o professor Van Helsing enche de flores de alho o quarto de Lucy Westenra para a proteger. O cinema fez o resto.
Convém separar as coisas: a imagem do vampiro que teme o alho é uma mistura de folclore regional, literatura do século XIX e cinema. Não é tradição portuguesa antiga.
Na tradição portuguesa
Em Portugal, o alho entra na religiosidade popular por outros caminhos:
- A cabeça de alho atrás da porta ou pendurada na cozinha, contra o mau-olhado e a inveja;
- Um dente de alho no bolso como amuleto discreto;
- No São João do Porto e de Braga, o alho-porro — parente do alho — com que se tocava a cabeça de quem passava, como saudação e desejo de sorte.
São tradições populares sem origem documentada, transmitidas de geração em geração.
➜ Amuletos
Na tradição esotérica
Na tradição esotérica, o alho é associado a:
- Proteção e barreira contra o que «não deve entrar»;
- Força e coragem;
- Limpeza de ambientes.
A lógica é simbólica: o cheiro forte que afasta insetos e pessoas passou a representar o afastamento do que não se vê. É crença. O alho que seca ou escurece não «absorveu» nada: seca e escurece naturalmente.
Precauções
Na cozinha, o alho é um alimento comum e seguro para a maioria das pessoas. Os cuidados são outros:
- Nunca aplique alho cru na pele. Pode causar irritação grave e queimaduras químicas, sobretudo em crianças. Não o prenda ao corpo nem o use em pensos.
- Anticoagulantes e cirurgia: suplementos de alho podem aumentar o risco de hemorragia. Se toma anticoagulantes ou aspirina, ou vai ser operado, fale com o médico.
- Medicamentos: o alho em suplemento pode interagir com alguns medicamentos. Informe sempre o médico ou farmacêutico.
- Alho em azeite: conservas caseiras de alho em azeite podem permitir o crescimento da bactéria do botulismo. Guarde no frigorífico e consuma depressa.
- Animais: o alho é tóxico para cães e gatos. Réstias e cabeças penduradas devem ficar fora do alcance deles.
- Saúde: o alho faz parte de uma alimentação variada, mas não trata doenças nem substitui medicamentos.
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Fontes
- «Garlic», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Garlic», National Center for Complementary and Integrative Health (NCCIH) — nccih.nih.gov
- Stoker, Bram, Dracula, Londres, Archibald Constable, 1897 (romance em domínio público)