Saltar para o conteúdo

🌿 Ervas

Funcho: da planície de Maratona às fogueiras de São João

Ficha do funcho: o nome grego que deu origem a Maratona, o mito de Prometeu, Plínio e as serpentes, o Funchal, o São João e as precauções.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. A planta e os nomes
  3. Mitos e fontes antigas
  4. O funcho no São João
  5. Na cozinha e na tradição
  6. Precauções
  7. Continue a ler
  8. Fontes

O funcho cresce por todo o lado em Portugal: em bermas, muros, terrenos abandonados e encostas. Reconhece-se pelas folhas finas como cabelos, pelas umbelas amarelas e pelo cheiro doce a anis.

É uma planta de cozinha e de chá, mas tem também uma história antiga e cheia de mitos. O seu nome grego deu origem a um dos lugares mais famosos da história, e o seu nome português batizou a capital da Madeira.

Ficha

Campo Informação
Nome comum Funcho
Nome científico Foeniculum vulgare
Família Apiáceas (a da cenoura, da salsa e do aipo)
Outros nomes em Portugal Erva-doce, funcho-doce, fiolho
Origem Bacia do Mediterrâneo
Partes usadas na tradição Sementes (frutos), folhas, bolbo, caules
Toxicidade Seguro como alimento; preparações concentradas com limites para crianças e grávidas

A planta e os nomes

O nome latino faeniculum é um diminutivo de faenum, «feno». Daí vêm o português «funcho» e o inglês fennel.

Os Gregos chamavam-lhe márathon. A planície onde, em 490 a.C., os Atenienses venceram os Persas chamava-se Maratona, que quer dizer literalmente «lugar do funcho». A corrida moderna da maratona recebeu o nome dessa batalha.

Em Portugal, o funcho também deu nome a um lugar: o Funchal, capital da Madeira, chama-se assim por causa da abundância de funcho que havia no local.

Mitos e fontes antigas

Prometeu e o fogo

Segundo a Teogonia de Hesíodo, o titã Prometeu roubou o fogo aos deuses e levou-o aos homens escondido num caule oco de nártex. Muitas vezes traduz-se por «funcho». Os botânicos, porém, identificam geralmente o nártex com a férula (Ferula communis), uma planta aparentada, muito maior, de caule grosso e oco.

É um mito, não um facto histórico. Mas mostra que as plantas desta família faziam parte do imaginário grego. Com caules de férula faziam-se também os tirsos, os bastões dos seguidores de Dioniso.

➜ Magia grega

Plínio e as serpentes

No século I, Plínio, o Velho, conta na História Natural que as serpentes, ao sair do inverno, mudam de pele com a ajuda do sumo do funcho e esfregam os olhos na planta para recuperar a vista. Daí nasceu uma longa fama do funcho como planta «boa para os olhos».

É uma crença antiga, não uma observação confirmada pela zoologia moderna.

O funcho no São João

Em Portugal, o funcho é uma das plantas das festas de São João. Há descrições de fogueiras acesas com rosmaninho, funcho, sabugueiro e alecrim, que os jovens saltam na noite de 23 para 24 de junho.

Noutros pontos da Europa acontece o mesmo. Na Galiza, o funcho está entre as ervas colhidas na véspera de São João e deixadas em água ao relento; de manhã, lava-se a cara com essa água. Na Toscana, as flores de funcho-bravo entram na «água de São João».

Estas práticas são tradição popular, ligada às antigas festas do solstício de verão.

➜ As ervas de São João em Portugal

➜ Solstício de verão

➜ Sabugueiro

Na cozinha e na tradição

As sementes perfumam pão, bolos, enchidos e licores. O bolbo do funcho cultivado come-se cru em saladas ou assado. Nos Açores, as folhas tenras entram numa sopa tradicional com feijão e inhame.

Na medicina popular, o chá de sementes de funcho usa-se para gases e má digestão.

Na tradição esotérica moderna, o funcho aparece sobretudo ligado à proteção e à purificação. É crença e simbolismo, sem efeito espiritual demonstrado.

➜ Ervas de proteção

Precauções

  • Bebés e crianças: o funcho contém estragol, uma substância que, em doses elevadas, levanta preocupações de segurança. A Agência Europeia do Medicamento (EMA) não recomenda preparações medicinais com estragol em crianças até aos 11 anos quando ultrapassam um limite diário muito baixo. Não dê chá de funcho a bebés sem conselho do pediatra.
  • Gravidez e amamentação: a EMA também não recomenda estas preparações acima do limite de segurança. Fale com o médico antes de tomar chá de funcho com regularidade.
  • Óleo essencial: nunca o ingira, e não o use em crianças.
  • Confusões perigosas: o funcho pertence à mesma família da cicuta, que é mortalmente venenosa e pode parecer-se com ele à primeira vista. Não colha funcho-bravo se não tiver a certeza absoluta da identificação. O cheiro a anis ajuda, mas não basta.
  • Alergias: quem é alérgico ao aipo, à cenoura ou a outras Apiáceas pode reagir também ao funcho.
  • Fogueiras: só em local autorizado, longe de mato seco, com água por perto e sempre com vigilância. Respeite os períodos de proibição de queimadas.

➜ Como usar velas com segurança

O uso tradicional do funcho não substitui tratamento médico. Se os problemas digestivos persistem, consulte um médico.

Continue a ler

➜ Tomilho

➜ Anis-estrelado

➜ Todas as ervas

Fontes

A minha nota

Escreva aqui as suas anotações. Ficam guardadas só neste dispositivo — não são enviadas para nenhum servidor.

Continue a explorar

Ver tudo em Ervas ›