O eucalipto faz parte da paisagem portuguesa. Está nas serras, à beira das estradas e nas memórias de infância: o cheiro das folhas, os vapores para a constipação, os ramos a queimar na lareira.
Mas não é uma planta portuguesa. Chegou da Austrália no século XIX e tornou-se, em pouco mais de cem anos, uma das árvores mais plantadas do país.
Nesta ficha separamos a história, a tradição popular, a crença esotérica e os cuidados, porque o óleo de eucalipto pode ser perigoso.
Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Nome comum | Eucalipto, eucalipto-comum |
| Nome científico | Eucalyptus globulus (a espécie mais comum em Portugal) |
| Família | Mirtáceas (a da murta) |
| Origem | Austrália (Tasmânia e sudeste australiano) |
| Partes usadas na tradição | Folhas |
| Toxicidade | Óleo essencial tóxico se ingerido; perigoso para crianças e gatos |
Como chegou a Portugal
O género Eucalyptus tem mais de 700 espécies, quase todas originárias da Austrália.
Uma das plantações mais antigas de que há notícia em Portugal é a de Francis Cook, que por volta de 1860 plantou eucaliptos no seu Palácio de Monserrate, em Sintra. Em 1878, segundo relatos da época, a árvore já se tinha espalhado «de uma ponta à outra de Portugal».
Cresceu tão depressa porque a madeira servia a muitos fins, e sobretudo, no século XX, à indústria do papel. Em 2017, cerca de um quarto da área florestal portuguesa era ocupada por eucaliptos.
É também uma árvore polémica: consome muita água, compete com a vegetação nativa e é associada à propagação de incêndios florestais.
Usos populares em Portugal
Por ser uma árvore «nova» no país, o eucalipto não aparece nas tradições antigas, nos ensalmos medievais nem nos processos da Inquisição. Os seus usos populares são recentes — dos séculos XIX e XX.
Os mais conhecidos são:
- Vapores: folhas em água a ferver, para respirar o vapor nas constipações. É um costume doméstico muito difundido.
- Defumações: folhas secas queimadas em casa ou no fumeiro, pelo cheiro intenso.
- Aroma: ramos pendurados em armários ou na casa de banho.
O óleo de eucalipto contém sobretudo cineol (também chamado eucaliptol), que é usado em alguns produtos farmacêuticos para a tosse. Isto não quer dizer que os preparados caseiros sejam seguros ou eficazes. Para problemas respiratórios, consulte o médico ou o farmacêutico.
Na tradição esotérica
Na tradição esotérica moderna, o eucalipto é associado a:
- limpeza e «renovação» do ambiente, pelo cheiro fresco;
- proteção da casa;
- defumações de limpeza, muitas vezes com alecrim ou louro.
Estas associações são modernas, nascidas do cheiro e dos usos domésticos da planta. São crença, não efeito demonstrado, e nenhuma garante resultados.
Precauções
O eucalipto merece cuidados sérios:
- Nunca ingerir o óleo essencial. Há registo de intoxicações graves em crianças que beberam apenas 4 a 5 ml de óleo de eucalipto. Guarde os frascos fora do alcance das crianças.
- Não ingerir folhas nem chás caseiros concentrados.
- Crianças pequenas: não aplique óleo de eucalipto na pele, no nariz nem na almofada de bebés e crianças pequenas. Pergunte ao pediatra.
- Gatos e outros animais: o óleo de eucalipto é perigoso para gatos, que podem ficar a cambalear e a salivar muito. Não use difusores perto de animais.
- Pele: o óleo puro irrita a pele; se o usar, só muito diluído.
- Vapores com água a ferver: cuidado com queimaduras. Nunca faça vapores com crianças sem vigilância.
- Asma: o cheiro forte e o fumo podem desencadear crises.
- Fumo e fogo: as folhas têm óleos inflamáveis e ardem com muita força. Queime pequenas quantidades num recipiente de barro ou metal, com janela aberta, longe de cortinas, e nunca sem vigilância.
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Nenhuma defumação ou vapor substitui o tratamento médico.
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Fontes
- «Eucalyptus globulus», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Eucalipto», Wikipédia — pt.wikipedia.org
- «Eucalyptus oil» (secção de toxicidade), Wikipedia — en.wikipedia.org