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📚 Grimórios

Lemegeton, a Chave Menor de Salomão

O Lemegeton ou Chave Menor de Salomão: grimório inglês do séc. XVII em cinco partes, da Goetia à Ars Notoria. Manuscritos, fontes, edições e onde ler.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha do grimório
  2. Uma coletânea, não um livro
  3. A lenda de Salomão
  4. As cinco partes
  5. O que o livro NÃO é
  6. Edições
  7. Influência
  8. Curiosidades
  9. Onde ler
  10. Continue a ler
  11. Fontes

O Lemegeton — também chamado Chave Menor de Salomão — é uma coletânea de cinco livros de magia cerimonial. A parte mais famosa é a Goetia, com a lista dos 72 espíritos que Salomão teria fechado num vaso de bronze.

Tal como outros grimórios «salomónicos», a atribuição ao rei Salomão é lendária. A coletânea foi reunida em Inglaterra no século XVII, a partir de textos mais antigos de várias origens.

Ficha do grimório

Campo Informação
Título Lemegeton / Chave Menor de Salomão
Nome original Lemegeton Clavicula Salomonis
Período Meados do séc. XVII; materiais dos séc. XIII–XVII
Origem Inglaterra
Autoria Atribuída ao rei Salomão; compiladores reais desconhecidos
Idiomas Inglês, com passagens em latim
Tipo Coletânea de magia cerimonial (espíritos e anjos)

Uma coletânea, não um livro

O Lemegeton não foi escrito de uma só vez. É uma montagem de textos independentes, alguns com séculos de diferença entre si.

Os manuscritos mais importantes estão hoje na British Library, em Londres, nas coleções Sloane e Harley (que pertenceram ao antigo British Museum):

  • Sloane 3825 (séc. XVII) — considerado por Joseph H. Peterson o manuscrito mais fiel às fontes;
  • Sloane 2731 (c. 1665 ou pouco depois) — compilado a partir de várias versões;
  • Harley 6483 (1712–1713) — com acrescentos associados a um «Dr. Rudd».

Há indícios de data dentro do próprio texto: a Ars Paulina refere o ano de 1641.

A lenda de Salomão

Na tradição judaica e cristã posterior à Bíblia, Salomão ganhou fama de mago que comandava demónios através de um anel com selo.

O Lemegeton aproveita essa fama. Diz que Salomão fechou 72 espíritos num vaso de bronze, que o lançou num lago na Babilónia e que os babilónios, julgando encontrar um tesouro, o partiram e libertaram os espíritos.

É uma narrativa lendária, sem base histórica, que serve para dar autoridade ao livro.

As cinco partes

1. Ars Goetia

A lista de 72 espíritos, cada um com um título (rei, duque, marquês, presidente, conde, cavaleiro), uma descrição e um selo. Deriva em grande parte da Pseudomonarchia Daemonum de Johann Weyer (1577).

➜ A Goetia e os 72 espíritos

2. Ars Theurgia-Goetia

Espíritos «do ar», bons e maus, ligados aos pontos cardeais: quatro imperadores, dezasseis duques e onze «príncipes errantes». Vem sobretudo da Steganographia do abade alemão Johannes Trithemius (c. 1500).

3. Ars Paulina

Atribuída ao apóstolo Paulo. Dividida em duas partes: os anjos das 24 horas do dia e os espíritos dos graus do zodíaco. Usa material de Trithemius e do Heptameron.

➜ O Heptameron

4. Ars Almadel

Descreve uma tábua de cera com desenhos e nomes — o almadel — usada para contactar anjos por contemplação. É uma tradição mais antiga, com cópias do século XV.

5. Ars Notoria

Orações e figuras destinadas, segundo a crença, a melhorar a memória, a eloquência e o entendimento. É a parte mais antiga: a Ars Notoria medieval circulava já no século XIII e foi condenada por teólogos como Tomás de Aquino.

O que o livro NÃO é

Muitas pessoas confundem o Lemegeton com a Chave de Salomão.

Obra Diferença
Chave de Salomão Séc. XIV–XV; preparação do mago, horas planetárias, pentáculos
Lemegeton Séc. XVII; catálogos de espíritos e anjos, com selos

➜ Chave de Salomão

Edições

  • Mathers e Crowley, 1904 — The Book of the Goetia of Solomon the King, publicado por Aleister Crowley em Foyers (Escócia), com tradução atribuída a S. L. MacGregor Mathers. Só inclui a Goetia. Crowley acrescentou invocações e um ensaio que interpreta os espíritos em termos psicológicos.
  • A. E. Waite, 1898 — The Book of Black Magic and of Pacts, que resume a obra e terá popularizado o nome «Lesser Key».
  • Joseph H. Peterson, 2001 — The Lesser Key of Solomon (Weiser), com as cinco partes a partir dos manuscritos. É hoje a edição de referência para os investigadores.

Influência

Graças à edição de 1904, a Goetia tornou-se o texto de demonologia mais conhecido do mundo anglófono. Os seus nomes e selos passaram para a magia cerimonial moderna, para a literatura, para jogos e séries de televisão.

Na tradição esotérica moderna, há quem leia os espíritos como forças psicológicas, na linha de Crowley. É uma interpretação, não um dado histórico.

➜ Magia cerimonial

➜ Demonologia

Curiosidades

  • O nome «Lemegeton» não tem etimologia segura. Não aparece em todos os manuscritos.
  • Nas cópias de Thomas Rudd, cada demónio da Goetia é emparelhado com um dos 72 anjos do Shem HaMephorash, um nome divino da tradição cabalística.
  • A Ars Notoria é uma oração «para estudar», muito longe da imagem de livro de magia negra que o conjunto tem hoje.

Onde ler

As cinco partes, a partir dos manuscritos da British Library, podem ler-se gratuitamente na edição digital de Joseph H. Peterson:

Continue a ler

➜ A Goetia e os 72 espíritos

➜ Grimorium Verum

➜ Magia renascentista

➜ Biblioteca de grimórios

Fontes

  • Joseph H. Peterson (ed.), The Lemegeton, Esoteric Archives — esotericarchives.com
  • «Lesser Key of Solomon», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • Joseph H. Peterson (ed.), The Lesser Key of Solomon, Weiser Books, 2001.
  • Owen Davies, Grimoires: A History of Magic Books, Oxford University Press, 2009.

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