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📚 Grimórios

The Magus (O Mago) de Francis Barrett

The Magus, de Francis Barrett (Londres, 1801): compilação de Agrippa e do Heptameron que manteve viva a magia cerimonial inglesa até à Golden Dawn.

3 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha do grimório
  2. Quem foi Francis Barrett
  3. O que contém
  4. As fontes: um livro «emprestado»
  5. Influência
  6. Curiosidades
  7. Onde ler
  8. Continue a ler
  9. Fontes

The Magus, or Celestial Intelligencer («O Mago, ou o Informador Celeste») foi publicado em Londres em 1801. Apresentava-se como «um sistema completo de filosofia oculta».

Na realidade, é quase todo uma compilação: Barrett copiou, cortou e modernizou textos ingleses mais antigos, sobretudo traduções de Cornélio Agrippa e do Heptameron.

Mesmo assim, o livro teve um papel importante. Numa época em que a magia parecia coisa do passado, manteve disponíveis os textos clássicos da magia cerimonial para os ocultistas ingleses do século XIX.

Ficha do grimório

Campo Informação
Título O Mago, ou o Informador Celeste
Nome original The Magus, or Celestial Intelligencer
Período 1801
Origem Londres, editora Lackington, Allen & Co.
Autoria Francis Barrett (compilador)
Idioma Inglês
Tipo Compilação de magia natural, talismânica e cerimonial

Quem foi Francis Barrett

Sabe-se pouco sobre ele. Terá nascido em Londres por volta de 1774 e apresentava-se como professor de química, filosofia natural e oculta, e Cabala.

No próprio livro anunciava aulas privadas em Marylebone, para um máximo de doze alunos. Entre os seus discípulos conhecidos está John Parkins, um curandeiro popular («cunning man») do Lincolnshire.

Em 1802 tentou várias subidas de balão, com pouco sucesso — o que lhe valeu troça na imprensa. O historiador Francis X. King dedicou-lhe um livro, The Flying Sorcerer (1992).

O que contém

A obra divide-se em dois livros, num só volume. Descrevemos o conteúdo; não reproduzimos instruções.

  • Magia natural: as virtudes atribuídas a ervas, pedras e animais, as simpatias e antipatias, o magnetismo;
  • Magia talismânica e cabalística: os números, os quadrados mágicos, os selos dos planetas, os nomes divinos e os 72 anjos da tradição cabalística;
  • Magia cerimonial: o círculo, as orações, as horas e os anjos dos dias, tirados do Heptameron;
  • Biografias de «adeptos»: de Zoroastro e Hermes a Paracelso e Roger Bacon.

➜ Heptameron de Pedro de Abano

As gravuras dos demónios

As ilustrações são o que mais se recorda do livro. Uma série de gravuras coloridas, sob o título «Cabeças de demónios malignos — Vasos da Ira», mostra rostos atribuídos a figuras como Asmodeu e Theutus.

Barrett também reorganizou a hierarquia dos demónios: apresenta Satanás como «príncipe dos enganadores», ao serviço de conjuradores e bruxas.

As fontes: um livro «emprestado»

Fonte O que Barrett tirou
Agrippa, Três Livros da Filosofia Oculta (tradução inglesa de 1651) A maior parte da magia natural e celeste
Quarto Livro da Filosofia Oculta (atribuído a Agrippa) Material cerimonial
Heptameron de Pedro de Abano (tradução de Robert Turner, 1655) A magia dos dias, horas e anjos

Barrett não indicou claramente estas fontes. Modernizou a ortografia e a sintaxe, mas o texto é, em grande parte, o dos tradutores do século XVII.

➜ A Filosofia Oculta de Agrippa

Influência

A sua importância é sobretudo indireta:

  • tornou fácil encontrar, num só volume, material que andava disperso em livros raros;
  • circulou entre ocultistas ingleses do século XIX, como Frederick Hockley;
  • é frequentemente apontado como leitura do romancista Edward Bulwer-Lytton e de Éliphas Lévi;
  • foi reimpresso em 1875, já em plena renovação ocultista, pouco antes da fundação da Golden Dawn (1888).

Os historiadores veem-no como uma ponte entre os grimórios renascentistas e o ocultismo vitoriano.

➜ A Golden Dawn

➜ Dogma e Ritual da Alta Magia de Éliphas Lévi

Curiosidades

  • O livro termina com uma Biographia Antiqua, uma galeria de «magos» antigos e medievais onde lendas e factos surgem misturados.
  • Muitas edições modernas de bolso reproduzem as gravuras coloridas, que se tornaram imagens populares da demonologia.

Onde ler

A edição de 1801 está em domínio público. As gravuras do segundo livro podem ver-se, digitalizadas, no site FromOldBooks.

Continue a ler

➜ Biblioteca de grimórios

➜ Magia cerimonial

➜ História do ocultismo

➜ O Calendário Mágico

Fontes

  • «The Magus (Barrett book)», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • «Francis Barrett (occultist)», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • Gravuras de The Magus, livro II — fromoldbooks.org
  • Francis X. King, The Flying Sorcerer, Mandrake, 1992.
  • Owen Davies, Grimoires: A History of Magic Books, Oxford University Press, 2009.

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