The Magus, or Celestial Intelligencer («O Mago, ou o Informador Celeste») foi publicado em Londres em 1801. Apresentava-se como «um sistema completo de filosofia oculta».
Na realidade, é quase todo uma compilação: Barrett copiou, cortou e modernizou textos ingleses mais antigos, sobretudo traduções de Cornélio Agrippa e do Heptameron.
Mesmo assim, o livro teve um papel importante. Numa época em que a magia parecia coisa do passado, manteve disponíveis os textos clássicos da magia cerimonial para os ocultistas ingleses do século XIX.
Ficha do grimório
| Campo | Informação |
|---|---|
| Título | O Mago, ou o Informador Celeste |
| Nome original | The Magus, or Celestial Intelligencer |
| Período | 1801 |
| Origem | Londres, editora Lackington, Allen & Co. |
| Autoria | Francis Barrett (compilador) |
| Idioma | Inglês |
| Tipo | Compilação de magia natural, talismânica e cerimonial |
Quem foi Francis Barrett
Sabe-se pouco sobre ele. Terá nascido em Londres por volta de 1774 e apresentava-se como professor de química, filosofia natural e oculta, e Cabala.
No próprio livro anunciava aulas privadas em Marylebone, para um máximo de doze alunos. Entre os seus discípulos conhecidos está John Parkins, um curandeiro popular («cunning man») do Lincolnshire.
Em 1802 tentou várias subidas de balão, com pouco sucesso — o que lhe valeu troça na imprensa. O historiador Francis X. King dedicou-lhe um livro, The Flying Sorcerer (1992).
O que contém
A obra divide-se em dois livros, num só volume. Descrevemos o conteúdo; não reproduzimos instruções.
- Magia natural: as virtudes atribuídas a ervas, pedras e animais, as simpatias e antipatias, o magnetismo;
- Magia talismânica e cabalística: os números, os quadrados mágicos, os selos dos planetas, os nomes divinos e os 72 anjos da tradição cabalística;
- Magia cerimonial: o círculo, as orações, as horas e os anjos dos dias, tirados do Heptameron;
- Biografias de «adeptos»: de Zoroastro e Hermes a Paracelso e Roger Bacon.
➜ Heptameron de Pedro de Abano
As gravuras dos demónios
As ilustrações são o que mais se recorda do livro. Uma série de gravuras coloridas, sob o título «Cabeças de demónios malignos — Vasos da Ira», mostra rostos atribuídos a figuras como Asmodeu e Theutus.
Barrett também reorganizou a hierarquia dos demónios: apresenta Satanás como «príncipe dos enganadores», ao serviço de conjuradores e bruxas.
As fontes: um livro «emprestado»
| Fonte | O que Barrett tirou |
|---|---|
| Agrippa, Três Livros da Filosofia Oculta (tradução inglesa de 1651) | A maior parte da magia natural e celeste |
| Quarto Livro da Filosofia Oculta (atribuído a Agrippa) | Material cerimonial |
| Heptameron de Pedro de Abano (tradução de Robert Turner, 1655) | A magia dos dias, horas e anjos |
Barrett não indicou claramente estas fontes. Modernizou a ortografia e a sintaxe, mas o texto é, em grande parte, o dos tradutores do século XVII.
➜ A Filosofia Oculta de Agrippa
Influência
A sua importância é sobretudo indireta:
- tornou fácil encontrar, num só volume, material que andava disperso em livros raros;
- circulou entre ocultistas ingleses do século XIX, como Frederick Hockley;
- é frequentemente apontado como leitura do romancista Edward Bulwer-Lytton e de Éliphas Lévi;
- foi reimpresso em 1875, já em plena renovação ocultista, pouco antes da fundação da Golden Dawn (1888).
Os historiadores veem-no como uma ponte entre os grimórios renascentistas e o ocultismo vitoriano.
➜ Dogma e Ritual da Alta Magia de Éliphas Lévi
Curiosidades
- O livro termina com uma Biographia Antiqua, uma galeria de «magos» antigos e medievais onde lendas e factos surgem misturados.
- Muitas edições modernas de bolso reproduzem as gravuras coloridas, que se tornaram imagens populares da demonologia.
Onde ler
A edição de 1801 está em domínio público. As gravuras do segundo livro podem ver-se, digitalizadas, no site FromOldBooks.
Continue a ler
Fontes
- «The Magus (Barrett book)», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Francis Barrett (occultist)», Wikipedia — en.wikipedia.org
- Gravuras de The Magus, livro II — fromoldbooks.org
- Francis X. King, The Flying Sorcerer, Mandrake, 1992.
- Owen Davies, Grimoires: A History of Magic Books, Oxford University Press, 2009.