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🏛️ Enciclopédia do Oculto

História do ocultismo ocidental

Cronologia do ocultismo ocidental: magia antiga, hermetismo, Renascimento, Rosa-Cruz, Lévi, Teosofia, Golden Dawn, Crowley e a visita a Pessoa.

3 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. As fontes antigas
  2. Idade Média
  3. Renascimento (séculos XV–XVI)
  4. Século XVII e XVIII: sociedades secretas
  5. Século XIX: o nascimento do ocultismo moderno
  6. Século XX
  7. E Portugal?
  8. Como os historiadores estudam o tema
  9. Continue a ler
  10. Fontes

«Oculto» significa simplesmente escondido. Durante séculos, chamou-se «ciências ocultas» à astrologia, à alquimia e à magia: saberes que tratavam de forças invisíveis e que eram transmitidos a poucos.

A palavra ocultismo, como nome de um movimento, é mais recente: surge em França no século XIX. Esta página conta a história de forma resumida, com as datas principais e ligações para aprofundar cada época.

As fontes antigas

O ocultismo ocidental alimentou-se de três grandes heranças da Antiguidade:

  • Magia greco-egípcia — amuletos, nomes divinos, Papiros Mágicos Gregos.
  • Hermetismo — textos atribuídos a Hermes Trismegisto (primeiros séculos d.C.).
  • Neoplatonismo — a ideia de um cosmos cheio de correspondências e de uma alma que pode subir até ao divino.

A estas juntou-se, mais tarde, a Cabala judaica.

➜ Magia grega antiga

➜ Magia egípcia

➜ Hermetismo

Idade Média

Na Europa medieval, os textos árabes traduzidos para latim trouxeram astrologia, alquimia e magia astral. Circulavam grimórios atribuídos a Salomão, em manuscritos copiados por clérigos.

A Igreja tolerava a «magia natural», mas condenava a invocação de demónios.

➜ Magia medieval

Renascimento (séculos XV–XVI)

É a grande época da «filosofia oculta». Ficino traduz o Corpus Hermeticum (impresso em 1471), Pico della Mirandola junta Cabala e cristianismo e Agrippa publica os Três Livros de Filosofia Oculta (1533).

➜ Magia renascentista

Século XVII e XVIII: sociedades secretas

  • 1614–1617 — os manifestos Rosa-Cruz anunciam uma fraternidade secreta de sábios.
  • 1717 — fundação da Grande Loja de Londres, marco da Franc-Maçonaria moderna.
  • Fim do século XVIII — o tarot passa a ser lido como livro esotérico (Court de Gébelin, 1781).

➜ Rosa-Cruz

➜ Franc-Maçonaria

Século XIX: o nascimento do ocultismo moderno

É neste século que o ocultismo ganha a forma que hoje conhecemos.

Data Acontecimento
1848 Irmãs Fox, nos EUA: início do espiritualismo moderno
1854–1856 Éliphas Lévi publica Dogma e Ritual da Alta Magia
1857 Allan Kardec publica O Livro dos Espíritos
1875 Fundação da Sociedade Teosófica, em Nova Iorque
1888 Fundação da Ordem Hermética da Golden Dawn, em Londres

Éliphas Lévi (Alphonse-Louis Constant) foi decisivo: ligou tarot, Cabala e magia num só sistema e popularizou a expressão «alta magia».

A Golden Dawn organizou todo este saber em graus iniciáticos e rituais. Quase todo o ocultismo do século XX descende dela.

➜ Teosofia

➜ Espiritismo em Portugal

➜ Magia cerimonial

Século XX

  • Aleister Crowley (1875–1947), antigo membro da Golden Dawn, cria a Thelema a partir de 1904.
  • Anos 1950 — Gerald Gardner divulga a Wicca em Inglaterra.
  • Anos 1960–1970 — nasce a espiritualidade New Age.
  • Anos 1970 — surge a magia do caos.

➜ Wicca

➜ New Age

➜ Magia do caos

E Portugal?

Portugal teve uma ligação curiosa a esta história. Fernando Pessoa interessou-se profundamente por astrologia, Teosofia e ocultismo, e traduziu para português obras teosóficas.

Em setembro de 1930, Aleister Crowley visitou Lisboa e encontrou-se com Pessoa. Crowley encenou então o seu «desaparecimento» na Boca do Inferno, em Cascais, com a ajuda do poeta — um episódio documentado em jornais da época.

Na tradição popular portuguesa, o oculto seguiu outro caminho: benzedeiras, o Livro de São Cipriano e a feitiçaria perseguida pela Inquisição.

➜ Bruxaria em Portugal

➜ São Cipriano e a magia portuguesa

Como os historiadores estudam o tema

Desde os anos 90, o esoterismo ocidental tornou-se uma área académica séria, com cátedras na Universidade de Amesterdão e na École Pratique des Hautes Études, em Paris. Investigadores como Antoine Faivre e Wouter Hanegraaff estudam estas correntes como parte da história cultural europeia.

Estudar a história do ocultismo não implica acreditar nele. É perceber como estas ideias moldaram a arte, a literatura e a religião.

Continue a ler

➜ Enciclopédia do Oculto

➜ Grimórios

➜ Livros de magia recomendados

Fontes

  • Hanegraaff, Wouter J., Western Esotericism: A Guide for the Perplexed, Bloomsbury, 2013
  • Faivre, Antoine, L'ésotérisme, Presses Universitaires de France (col. Que sais-je?)
  • Goodrick-Clarke, Nicholas, The Western Esoteric Traditions, Oxford University Press, 2008
  • Encyclopaedia Britannica, «Theosophical Society» — britannica.com

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