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📚 Grimórios

Heptameron ou Elementos Mágicos

O Heptameron, atribuído a Pedro de Abano: a primeira edição de 1559, os anjos dos dias e das horas, o círculo mágico, a tradução de 1655 e a sua influência.

5 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha do grimório
  2. Quem foi Pedro de Abano
  3. Origem real e primeiras edições
  4. O que contém
  5. Influência
  6. Curiosidades
  7. Onde ler
  8. Continue a ler
  9. Fontes

O Heptameron é um pequeno manual de magia cerimonial organizado pelos sete dias da semana — daí o nome, que em grego quer dizer «sete dias». Para cada dia, indica os anjos, os espíritos e as orações associados.

A tradição atribui-o ao médico e filósofo italiano Pedro de Abano, morto por volta de 1316. Essa autoria é quase certamente falsa. O texto só aparece impresso no século XVI, mais de duzentos anos depois.

É um livro curto, mas teve uma enorme descendência. Muitos grimórios posteriores copiaram as suas listas de anjos e o seu desenho do círculo.

Ficha do grimório

Campo Informação
Título Heptameron ou Elementos Mágicos
Nome original Heptameron, seu Elementa Magica Petri de Abano Philosophi
Período Primeira edição confirmada: Marburgo, 1559
Origem Europa (texto latino); origem exata desconhecida
Autoria Atribuída a Pedro de Abano; autor real desconhecido
Idiomas Latim; tradução inglesa de Robert Turner (1655)
Tipo Magia cerimonial angélica

Quem foi Pedro de Abano

Pedro de Abano (c. 1250–c. 1316) foi um médico e filósofo de Pádua, conhecido pelos seus trabalhos de medicina e astrologia. Foi investigado por heresia e morreu antes de o processo terminar.

A fama de astrólogo e as suspeitas da Inquisição transformaram-no, depois da morte, numa figura de mago. Foi essa fama que levou alguém a pôr o seu nome num manual de conjurações.

O historiador Lynn Thorndike considerou a atribuição do Heptameron a Pedro de Abano «quase de certeza espúria». É também a posição de Joseph H. Peterson, editor moderno do texto.

Origem real e primeiras edições

Facto documentado: a edição mais antiga confirmada é a de Marburgo, 1559, onde o Heptameron surge ao lado do chamado Quarto Livro de Filosofia Oculta, falsamente atribuído a Agrippa.

Alguns autores do século XIX referiram edições de Paris (1474) e de Veneza (1496). Segundo Peterson, não há prova de que tenham existido.

O texto foi depois reimpresso com as obras de Agrippa e circulou em manuscrito. Um manuscrito do Vaticano, datado de 1569, contém uma versão aparentada.

Em 1655, o inglês Robert Turner traduziu-o para inglês, no mesmo volume que o Quarto Livro. Foi essa tradução que o tornou conhecido no mundo anglófono.

➜ Três Livros de Filosofia Oculta, de Agrippa

O que contém

O próprio texto apresenta-se como uma introdução prática para quem não domina a magia. O Quarto Livro teria sido escrito «para os eruditos»; o Heptameron seria o manual para principiantes.

O círculo mágico

A primeira parte descreve o círculo: três círculos concêntricos, com cerca de nove pés de diâmetro. Entre eles escrevem-se nomes divinos, o nome da hora, o nome do anjo da hora, o nome da estação e os seus anjos.

Nos quatro pontos cardeais desenham-se sinais e nomes. O círculo muda conforme o dia, a hora e a época do ano. A instrução começa assim, na tradução de Turner:

«Escreve o nome da hora em que fazes a obra.»

➜ O círculo mágico

As horas e as estações

O livro dá um nome próprio a cada uma das 24 horas (12 do dia e 12 da noite) e indica os anjos que as regem. Divide também o ano em quatro estações, cada uma com os seus anjos e «sinais».

Este sistema assenta nas horas planetárias, uma ideia astrológica antiga: cada hora do dia seria governada por um dos sete planetas clássicos.

➜ Horas planetárias

Os anjos dos dias da semana

O núcleo da obra é uma secção para cada dia, com o seu planeta, os seus anjos, os espíritos do ar e uma breve conjuração. Os anjos principais são:

Dia (planeta) Anjo principal
Domingo (Sol) Miguel
Segunda (Lua) Gabriel
Terça (Marte) Samael
Quarta (Mercúrio) Rafael
Quinta (Júpiter) Sachiel
Sexta (Vénus) Anael
Sábado (Saturno) Cassiel

Nenhuma destas correspondências vem da Bíblia. Resultam da tradição astrológica e angélica medieval.

Preparações

Há ainda consagrações, bênçãos, perfumes (as «suffumigações»), exorcismos do fogo e indicações sobre as vestes do operador. São fórmulas cristãs, muito próximas das da Chave de Salomão.

Não reproduzimos as conjurações. Interessam-nos como documento histórico.

➜ Chave de Salomão

Influência

O Heptameron tornou-se uma das fontes mais copiadas da magia cerimonial:

  • as listas de anjos dos dias passaram para inúmeros manuais e calendários mágicos;
  • o seu círculo e as suas conjurações foram reaproveitados em grimórios posteriores, incluindo partes do Lemegeton;
  • através da tradução de Turner, chegou aos ocultistas ingleses dos séculos XIX e XX.

Ainda hoje, quando um livro associa Miguel ao domingo ou Anael à sexta-feira, está a repetir, direta ou indiretamente, o Heptameron.

➜ Lemegeton, a Chave Menor de Salomão

➜ Magia cerimonial

Curiosidades

  • O livro é tão curto que caberia num caderno; a sua força está nas tabelas, fáceis de copiar.
  • Os nomes das horas (como Yayn ou Janor) não têm origem conhecida em nenhuma língua.
  • O verdadeiro Pedro de Abano defendia explicações naturais para os fenómenos, o que torna a atribuição ainda mais irónica.

Onde ler

O texto latino da edição de 1559, com a tradução inglesa de Robert Turner (1655), está disponível gratuitamente no site Esoteric Archives, de Joseph H. Peterson.

Continue a ler

➜ Três Livros de Filosofia Oculta, de Agrippa

➜ Horas planetárias

➜ Os anjos no Livro de São Cipriano

➜ Biblioteca de grimórios

Fontes

  • Joseph H. Peterson (ed.), Heptameron, or Magical Elements, com a tradução de Robert Turner (1655) — esotericarchives.com
  • Pseudo-Agrippa, Fourth Book of Occult Philosophy, ed. Joseph H. Peterson — esotericarchives.com
  • «Pietro d'Abano» (entrada «Heptameron»), Wikipedia — en.wikipedia.org
  • Lynn Thorndike, A History of Magic and Experimental Science, vol. II, Columbia University Press, 1923.

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