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Exorcismo: o que é, quem o faz e o que diz a Igreja

O que é o exorcismo: o Ritual Romano de 1614 e a revisão de 1999, quem o pode fazer, a avaliação médica exigida pela Igreja e o exorcismo noutras tradições.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. O exorcismo na Igreja Católica
  2. Noutras tradições
  3. Quando o exorcismo faz mal
  4. O que fazer
  5. Continue a ler
  6. Fontes

O exorcismo é um rito para expulsar um mal espiritual, em geral um demónio, de uma pessoa, de um lugar ou de um objeto. Existe em muitas religiões, mas é no catolicismo que está mais regulado.

Nesta página explicamos o que é o exorcismo na Igreja Católica, quem o pode fazer, porque é que a Igreja exige primeiro uma avaliação médica, e como outras tradições tratam o mesmo tema.

Uma nota antes de tudo: se alguém à sua volta mudou de repente de comportamento, ouve vozes ou fala em fazer mal a si próprio, a primeira ajuda é médica. Em perigo imediato, ligue 112.

O exorcismo na Igreja Católica

O que é

O Catecismo da Igreja Católica (§ 1673) define-o assim:

Quando a Igreja pede publicamente e com autoridade, em nome de Jesus Cristo, que uma pessoa ou objecto seja protegido contra a acção do Maligno e subtraído ao seu domínio, fala-se de exorcismo.

A Igreja distingue dois tipos:

  • o exorcismo simples ou menor, que faz parte da celebração do batismo e de algumas orações;
  • o exorcismo solene ou «grande exorcismo», reservado aos casos em que se considera haver possessão.

Do Ritual Romano de 1614 à revisão de 1999

Em 1614, o papa Paulo V publicou o Rituale Romanum, que incluía um capítulo com as regras e as orações para exorcizar os possessos. Esse texto foi usado durante mais de três séculos.

Em janeiro de 1999, o Vaticano publicou o rito revisto, com o título latino De exorcismis et supplicationibus quibusdam («Dos exorcismos e de algumas súplicas»). O novo rito reforça a prudência e a distinção entre possessão e doença.

Quem o pode fazer

Segundo o Código de Direito Canónico (cân. 1172), só um padre com licença especial e expressa do bispo pode fazer exorcismos sobre possessos. O bispo deve escolher um sacerdote de piedade, ciência, prudência e integridade de vida.

Um leigo, um «mestre» ou um curandeiro não fazem exorcismos católicos, por muito que usem esse nome.

Em Portugal, quem procura este acompanhamento deve dirigir-se à sua paróquia, que o encaminha para a diocese.

Primeiro, o médico

O Catecismo é claro:

Muito diferente é o caso das doenças, sobretudo psíquicas, cujo tratamento depende da ciência médica.

Por isso, antes de qualquer exorcismo, a Igreja pede uma avaliação médica e psiquiátrica completa. Na prática, a grande maioria das pessoas que chegam a um exorcista acaba encaminhada para cuidados de saúde ou acompanhamento espiritual comum.

➜ Oração a São Miguel Arcanjo

➜ Demonologia

Noutras tradições

Tradição Prática
Judaísmo Na tradição cabalística, rituais para libertar alguém de um dibbuk, espírito que se acreditava ter-se «colado» a uma pessoa.
Islão A ruqyah: recitação de versículos do Corão sobre a pessoa.
Protestantismo Sobretudo nas igrejas pentecostais, orações de «libertação».
Espiritismo Não fala de possessão demoníaca, mas de «obsessão» por espíritos; responde com a «desobsessão», feita com oração e diálogo.
Umbanda Descarregos e limpezas espirituais.

Na tradição popular portuguesa, os exorcismos também chegaram aos livros de magia. O Livro de São Cipriano inclui esconjurações contra o Demónio, escritas para serem ditas por um padre.

➜ Desfazer feitiços no Livro de São Cipriano

➜ Os demónios no Livro de São Cipriano

Quando o exorcismo faz mal

A história tem casos trágicos. O mais conhecido é o de Anneliese Michel, uma jovem alemã que morreu em 1976 depois de meses de exorcismos, sem tratamento médico adequado. Os pais e os dois padres envolvidos foram condenados por homicídio por negligência.

Os sinais que muitos associam à «possessão», como mudanças bruscas de personalidade, vozes, convulsões ou aversão a objetos religiosos, podem corresponder a epilepsia, psicose, perturbações dissociativas ou efeitos de drogas. Todas estas situações têm tratamento.

O que fazer

  1. Procure o médico de família ou ligue para o SNS 24 (808 24 24 24). Em crise, 112.
  2. Se é crente, fale também com o seu pároco ou líder religioso. Fé e medicina não se excluem.
  3. Desconfie de quem oferece «exorcismos» pagos, à distância ou com garantias.

Continue a ler

➜ Presenças espirituais

➜ Proteção espiritual: guia geral

➜ Cortar magia negra: o medo e as burlas

➜ Relatos do paranormal português — PortugalParanormal.pt

Fontes

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