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🧙 Figuras do Oculto

Alberto Magno, o santo sábio com fama de mago

Alberto Magno (c. 1200–1280): frade dominicano, santo e naturalista. A sua obra real, o Speculum astronomiae e os livros de magia falsamente atribuídos.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. Vida (facto)
  3. A obra real: um naturalista
  4. O Speculum astronomiae
  5. As falsas atribuições: o «pseudo-Alberto»
  6. A lenda: o mago Alberto
  7. Influência
  8. Continue a ler
  9. Fontes

Alberto Magno foi um dos maiores sábios da Idade Média: frade dominicano, bispo, professor de São Tomás de Aquino e autor de uma obra enorme sobre plantas, minerais e animais. A Igreja Católica fê-lo santo e Doutor da Igreja.

Ao mesmo tempo, o seu nome aparece na capa de alguns dos livros de magia popular mais vendidos da Europa, como o Grand Albert e o Petit Albert.

Alberto não escreveu esses livros. Esta ficha explica porque é que um santo cientista ganhou fama de mago.

Ficha

Campo Informação
Nome Alberto Magno (latim Albertus Magnus; alemão Albert der Große)
Nascimento c. 1200, Lauingen (Baviera)
Morte 15 de novembro de 1280, Colónia
Ocupação Frade dominicano, professor, bispo de Ratisbona (1260–1263)
Obras principais Comentários a Aristóteles; De mineralibus, De vegetabilibus, De animalibus
Conhecido por «Doutor Universal»; mestre de São Tomás de Aquino; santo desde 1931

Vida (facto)

Alberto entrou na Ordem dos Pregadores (dominicanos) ainda jovem. Ensinou em várias casas da ordem e na Universidade de Paris, onde teve como aluno Tomás de Aquino.

Foi bispo de Ratisbona entre 1260 e 1263, mas renunciou para voltar ao ensino e ao estudo. Morreu em Colónia, em 1280.

A Igreja canonizou-o em 1931 e declarou-o Doutor da Igreja. Em 1941 foi proclamado padroeiro dos cientistas das ciências naturais.

A obra real: um naturalista

Alberto foi dos primeiros a comentar quase todas as obras de Aristóteles, abrindo-as ao estudo nas escolas cristãs. A edição das suas obras completas, publicada em 1899, ocupa 38 volumes.

Escreveu sobre lógica, teologia, astronomia, botânica, zoologia e mineralogia. Valorizava a observação direta: em vários pontos corrige os autores antigos com o que ele próprio viu.

Tratou das pedras e das suas «virtudes» e discutiu a alquimia, temas que para a ciência do séc. XIII faziam parte do estudo da natureza.

O Speculum astronomiae

O Espelho da Astronomia, escrito depois de 1260, é tradicionalmente atribuído a Alberto. A autoria é discutida: alguns historiadores duvidam dela, outros defendem-na.

O livro separa uma astrologia lícita, vista como parte do estudo da natureza, dos livros de magia de imagens e invocações, que considera perigosos ou condenáveis. Argumenta que os astros atuam sobre o corpo, não sobre a alma, e por isso não anulam o livre-arbítrio.

Foi muito lido nos séculos seguintes, tanto por defensores da astrologia, como Pedro de Abano, como por críticos, como Pico della Mirandola.

➜ História da astrologia

➜ Pedro de Abano

As falsas atribuições: o «pseudo-Alberto»

A fama de Alberto como conhecedor das ervas, das pedras e dos animais tornou o seu nome muito útil para vender livros de «segredos».

  • O Livro dos Segredos (Liber aggregationis ou Secreta Alberti), sobre as virtudes das ervas, das pedras e dos animais. O núcleo é do séc. XIII, mas não é de Alberto.
  • O De mirabilibus mundi («Das maravilhas do mundo»), outro texto de segredos naturais.
  • O Grand Albert, compilação francesa que junta estes textos a outros, como Dos segredos das mulheres, e que foi vendida em edições baratas durante séculos.
  • O Petit Albert, obra francesa diferente (edições desde o fim do séc. XVII ou início do XVIII), atribuída a um fictício «Alberto Parvo Lúcio».

➜ O Petit Albert

A lenda: o mago Alberto

Já na Idade Média corriam histórias sobre os poderes de Alberto. A mais conhecida é a de uma cabeça ou autómato falante que ele teria construído, e que Tomás de Aquino destruiu por falar demais e o distrair dos estudos.

Histórias parecidas foram contadas sobre outros sábios, como o papa Silvestre II e Roger Bacon. São lendas: não há qualquer prova de que Alberto tenha feito tal coisa.

➜ Roger Bacon

Influência

Alberto ficou na memória europeia com duas faces: o sábio que Dante coloca entre os grandes doutores no Paraíso, e o «mago» dos livros de colportagem.

Mary Shelley ainda se lembrou dele em Frankenstein (1818): o jovem Victor lê Alberto Magno, Cornélio Agrippa e Paracelso antes de descobrir a ciência moderna.

➜ Magia medieval

Continue a ler

➜ Figuras do Oculto

➜ Cornélio Agrippa

➜ Biblioteca de grimórios

Fontes

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