Alberto Magno foi um dos maiores sábios da Idade Média: frade dominicano, bispo, professor de São Tomás de Aquino e autor de uma obra enorme sobre plantas, minerais e animais. A Igreja Católica fê-lo santo e Doutor da Igreja.
Ao mesmo tempo, o seu nome aparece na capa de alguns dos livros de magia popular mais vendidos da Europa, como o Grand Albert e o Petit Albert.
Alberto não escreveu esses livros. Esta ficha explica porque é que um santo cientista ganhou fama de mago.
Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Nome | Alberto Magno (latim Albertus Magnus; alemão Albert der Große) |
| Nascimento | c. 1200, Lauingen (Baviera) |
| Morte | 15 de novembro de 1280, Colónia |
| Ocupação | Frade dominicano, professor, bispo de Ratisbona (1260–1263) |
| Obras principais | Comentários a Aristóteles; De mineralibus, De vegetabilibus, De animalibus |
| Conhecido por | «Doutor Universal»; mestre de São Tomás de Aquino; santo desde 1931 |
Vida (facto)
Alberto entrou na Ordem dos Pregadores (dominicanos) ainda jovem. Ensinou em várias casas da ordem e na Universidade de Paris, onde teve como aluno Tomás de Aquino.
Foi bispo de Ratisbona entre 1260 e 1263, mas renunciou para voltar ao ensino e ao estudo. Morreu em Colónia, em 1280.
A Igreja canonizou-o em 1931 e declarou-o Doutor da Igreja. Em 1941 foi proclamado padroeiro dos cientistas das ciências naturais.
A obra real: um naturalista
Alberto foi dos primeiros a comentar quase todas as obras de Aristóteles, abrindo-as ao estudo nas escolas cristãs. A edição das suas obras completas, publicada em 1899, ocupa 38 volumes.
Escreveu sobre lógica, teologia, astronomia, botânica, zoologia e mineralogia. Valorizava a observação direta: em vários pontos corrige os autores antigos com o que ele próprio viu.
Tratou das pedras e das suas «virtudes» e discutiu a alquimia, temas que para a ciência do séc. XIII faziam parte do estudo da natureza.
O Speculum astronomiae
O Espelho da Astronomia, escrito depois de 1260, é tradicionalmente atribuído a Alberto. A autoria é discutida: alguns historiadores duvidam dela, outros defendem-na.
O livro separa uma astrologia lícita, vista como parte do estudo da natureza, dos livros de magia de imagens e invocações, que considera perigosos ou condenáveis. Argumenta que os astros atuam sobre o corpo, não sobre a alma, e por isso não anulam o livre-arbítrio.
Foi muito lido nos séculos seguintes, tanto por defensores da astrologia, como Pedro de Abano, como por críticos, como Pico della Mirandola.
As falsas atribuições: o «pseudo-Alberto»
A fama de Alberto como conhecedor das ervas, das pedras e dos animais tornou o seu nome muito útil para vender livros de «segredos».
- O Livro dos Segredos (Liber aggregationis ou Secreta Alberti), sobre as virtudes das ervas, das pedras e dos animais. O núcleo é do séc. XIII, mas não é de Alberto.
- O De mirabilibus mundi («Das maravilhas do mundo»), outro texto de segredos naturais.
- O Grand Albert, compilação francesa que junta estes textos a outros, como Dos segredos das mulheres, e que foi vendida em edições baratas durante séculos.
- O Petit Albert, obra francesa diferente (edições desde o fim do séc. XVII ou início do XVIII), atribuída a um fictício «Alberto Parvo Lúcio».
A lenda: o mago Alberto
Já na Idade Média corriam histórias sobre os poderes de Alberto. A mais conhecida é a de uma cabeça ou autómato falante que ele teria construído, e que Tomás de Aquino destruiu por falar demais e o distrair dos estudos.
Histórias parecidas foram contadas sobre outros sábios, como o papa Silvestre II e Roger Bacon. São lendas: não há qualquer prova de que Alberto tenha feito tal coisa.
Influência
Alberto ficou na memória europeia com duas faces: o sábio que Dante coloca entre os grandes doutores no Paraíso, e o «mago» dos livros de colportagem.
Mary Shelley ainda se lembrou dele em Frankenstein (1818): o jovem Victor lê Alberto Magno, Cornélio Agrippa e Paracelso antes de descobrir a ciência moderna.
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Fontes
- «Albertus Magnus», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Speculum astronomiae», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Grand Albert», Wikipédia — fr.wikipedia.org
- «Brazen head», Wikipedia — en.wikipedia.org
- Paola Zambelli, The Speculum Astronomiae and Its Enigma, Kluwer, 1992.