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🧙 Figuras do Oculto

Roger Bacon, o «Doutor Admirável»

Roger Bacon, franciscano inglês do séc. XIII: a ciência experimental, a Opus maius, a lenda da cabeça de bronze e porque não escreveu o manuscrito Voynich.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. A vida (facto)
  3. Bacon e a magia
  4. A lenda: a cabeça de bronze
  5. O manuscrito Voynich: uma atribuição falsa
  6. Influência
  7. Curiosidades
  8. Continue a ler
  9. Fontes

Roger Bacon foi um frade franciscano inglês do século XIII, professor em Oxford e Paris. Defendeu que o conhecimento da natureza devia ser posto à prova pela experiência, numa época em que quase tudo se decidia pela autoridade dos livros.

Depois da morte, ganhou fama de mago. Contava-se que construíra uma cabeça de bronze que falava. Séculos mais tarde, puseram-lhe o nome num dos livros mais misteriosos do mundo, o manuscrito Voynich.

Esta página separa o que está documentado do que é lenda.

Ficha

Campo Informação
Nome Roger Bacon (em latim, Rogerus Baconus)
Nascimento c. 1214–1220, Inglaterra (tradicionalmente, perto de Ilchester)
Morte c. 1292, Oxford
Origem Inglaterra
Ocupação Mestre de artes, filósofo natural, frade franciscano
Obras principais Opus maius, Opus minus, Opus tertium, Perspectiva
Conhecido por Ciência experimental, ótica, lendas de magia

A vida (facto)

Bacon estudou em Oxford e ensinou em Paris, nos anos 1240, onde comentou as obras de Aristóteles sobre a natureza. Foi influenciado pelo bispo Robert Grosseteste e pelo círculo de Oxford.

Por volta de 1256–1257 entrou na Ordem Franciscana. Em 1266, o papa Clemente IV pediu-lhe que lhe enviasse os seus escritos. Bacon respondeu, em 1267–1268, com a Opus maius («Obra maior»), acompanhada da Opus minus e da Opus tertium.

Nestas obras propunha uma reforma dos estudos: línguas antigas, matemática, ótica (perspectiva) e aquilo a que chamou scientia experimentalis, a ciência que confirma pela experiência. Clemente IV morreu em 1268, e com ele terminou a proteção papal.

Bacon voltou a Oxford por volta de 1280 e aí morreu, cerca de 1292.

Esteve preso?

A tradição diz que foi encarcerado pelos superiores franciscanos por «novidades suspeitas». Mas a primeira referência a essa prisão surge cerca de oitenta anos depois da morte dele. Os historiadores atuais consideram-na duvidosa ou, pelo menos, mal explicada.

Bacon e a magia

Bacon interessava-se por astrologia, alquimia e pelo Secretum secretorum, um tratado muito lido na Idade Média, que ele próprio editou. Para ele, estas matérias podiam ser ciência da natureza bem entendida.

Ao mesmo tempo, criticava a magia de invocações. A Carta sobre as obras secretas da arte e da natureza e sobre a nulidade da magia, que lhe é atribuída (a autoria de partes é discutida), diz que muitas maravilhas se fazem pela arte e pela natureza, sem demónios. Imagina barcos sem remadores, carros sem animais e máquinas voadoras.

Bacon é muitas vezes citado como o primeiro europeu a descrever a pólvora por escrito. A receita com proporções aparece, porém, naquela carta de autenticidade discutida.

➜ Alquimia

➜ História da astrologia

A lenda: a cabeça de bronze

Depois da morte, o estudioso transformou-se em mago de feira. A lenda mais famosa conta que Bacon e o frei Bungay passaram sete anos a construir uma cabeça de bronze capaz de falar. Queriam saber como rodear a Inglaterra de uma muralha de bronze.

Para a fazer falar, teriam precisado da ajuda de um demónio. No momento decisivo, a distração ou o cansaço estragaram tudo, e a cabeça desfez-se.

A história ficou célebre com a peça de Robert Greene, Frei Bacon e Frei Bungay (c. 1589–1590), uma das comédias de maior êxito da Inglaterra isabelina. Greene acrescentou elementos de necromancia que não estavam nos relatos anteriores.

Não há nenhum documento que ligue o verdadeiro Bacon a tal cabeça. A mesma lenda foi contada sobre outros sábios medievais: o papa Silvestre II (Gerberto), Robert Grosseteste e Alberto Magno.

➜ Alberto Magno

O manuscrito Voynich: uma atribuição falsa

O manuscrito Voynich é um códice ilustrado, escrito numa escrita que ninguém conseguiu ler. Está hoje na Biblioteca Beinecke, da Universidade de Yale (MS 408).

Data O que aconteceu
1665–1666 Uma carta de Johannes Marcus Marci conta que o imperador Rodolfo II teria pago 600 ducados pelo livro, julgando-o de Roger Bacon. O próprio Marci não se compromete.
1912 O livreiro Wilfrid Voynich compra o manuscrito e defende a autoria de Bacon.
1921 William Romaine Newbold diz tê-lo decifrado e fala de microscópios e galáxias descritos por Bacon.
1931 John Manly mostra que o método de Newbold permitia «ler» quase tudo. A decifração cai.
2009 A datação por radiocarbono do pergaminho, na Universidade do Arizona, dá 1404–1438.

O pergaminho é, portanto, mais de um século posterior à morte de Bacon. A atribuição está hoje abandonada pelos historiadores.

Influência

  • O título de Doctor mirabilis («Doutor Admirável») foi-lhe dado depois da morte.
  • No século XIX, foi apresentado como um «cientista moderno» perseguido pela Igreja. Os historiadores atuais veem-no antes como um franciscano medieval que queria pôr as ciências ao serviço da fé.
  • As lendas fizeram dele, durante séculos, uma figura dos livros de magia populares, ao lado de Alberto Magno e de Agrippa.

Curiosidades

  • Bacon propôs ao papa uma reforma do calendário, porque o calendário juliano se afastava do Sol. A reforma só viria em 1582, com Gregório XIII.
  • Não tem parentesco conhecido com Francis Bacon, o filósofo inglês do século XVII.

Continue a ler

➜ Figuras do oculto

➜ Magia medieval

➜ Pedro de Abano

➜ Nicolau Flamel

Fontes

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