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🧙 Figuras do Oculto

O Conde de Saint-Germain

Quem foi o Conde de Saint-Germain: o aventureiro do séc. XVIII na corte de Luís XV, a lenda da imortalidade e o «mestre ascenso» da teosofia.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. A vida: o que está documentado
  3. A lenda: o homem que não morria
  4. O «mestre ascenso»: a crença moderna
  5. Curiosidades
  6. Continue a ler
  7. Fontes

O Conde de Saint-Germain foi um aventureiro, músico e químico amador que circulou pelas cortes europeias no século XVIII. Ninguém sabia de onde vinha nem que idade tinha — e ele fazia questão de manter o mistério.

Morreu em 1784, numa cidade do norte da Alemanha atual. Mas a lenda não morreu com ele. No século XIX e XX tornou-se um imortal, um alquimista que teria descoberto o elixir da vida e, para a teosofia, um «mestre» espiritual.

Nesta página separamos o que está documentado do que é lenda e do que é crença religiosa moderna.

Ficha

Campo Informação
Nome Conde de Saint-Germain (nome verdadeiro desconhecido)
Nascimento Desconhecido; ele próprio sugeria cerca de 1691
Morte 27 de fevereiro de 1784, Eckernförde (Schleswig)
Origem Desconhecida; várias teorias sem prova
Ocupação Cortesão, músico, químico de corantes, agente diplomático
Obras Composições musicais; La Très Sainte Trinosophie (atribuição contestada)
Conhecido por A lenda da imortalidade e o culto de «mestre ascenso»

A vida: o que está documentado

Londres e Paris

Em 1745, em Londres, foi detido por suspeita de ser espião jacobita e depois libertado. O escritor Horace Walpole comentou o caso numa carta. Nessa época era conhecido como músico e compositor; escreveu árias para a ópera L'incostanza delusa (1745).

Em 1758 estava em Paris. Com o apoio da marquesa de Pompadour, foi apresentado a Luís XV e tornou-se um dos seus familiares. Recebeu instalações no castelo de Chambord, onde montou um laboratório.

A missão de 1760

Em 1760 foi para Haia (Países Baixos), ao que parece encarregado pelo rei de sondar a paz com a Grã-Bretanha durante a Guerra dos Sete Anos. O ministro Choiseul, que não o tolerava, convenceu Luís XV a desautorizá-lo. Saint-Germain teve de fugir.

Os últimos anos

Viajou depois pela Rússia, Prússia e estados alemães, com vários nomes. Interessava-se sobretudo por corantes e tintas e dizia saber limpar os defeitos dos diamantes.

Em 1779 instalou-se em Schleswig, sob a proteção do príncipe Carlos de Hesse-Cassel, que partilhava o gosto pela alquimia. Morreu em Eckernförde a 27 de fevereiro de 1784. O inventário dos bens é modesto: algum dinheiro e roupa, sem joias nem ouro.

A lenda: o homem que não morria

Saint-Germain alimentava o mistério. Falava de épocas antigas como se as tivesse vivido e nunca revelou a sua origem.

Os contemporâneos ajudaram:

  • Voltaire, numa carta a Frederico II da Prússia, chamou-lhe com ironia «um homem que nunca morre e que sabe tudo»;
  • Casanova encontrou-o e descreveu-o como um conversador sem igual, mas suspeitou de impostura;
  • Segundo a Wikipédia francesa, o próprio Choiseul terá pago a um ator para o imitar nos salões e contar histórias absurdas — por exemplo, que conhecera Cristo — para o ridicularizar.

Teorias sobre a origem

Nenhuma está provada:

  • filho ilegítimo do príncipe Francisco II Rákóczi da Transilvânia (a mais popular);
  • filho de um judeu português ou alsaciano;
  • filho de uma rainha de Espanha.

As «aparições» depois da morte

No século XIX surgiram relatos de que teria sido visto depois de 1784. Um dos mais citados vem das Souvenirs atribuídas à condessa d'Adhémar (1836), em que avisa Maria Antonieta da Revolução. Esse livro é considerado uma falsificação de Étienne-Léon de Lamothe-Langon.

A lenda da imortalidade junta-se aqui à tradição alquímica do elixir da longa vida.

➜ Alquimia

➜ Rosa-Cruz

O «mestre ascenso»: a crença moderna

No fim do século XIX, a teosofia transformou Saint-Germain num dos «Mestres» ou «Mahatmas» — seres humanos que teriam alcançado a perfeição espiritual e guiariam a humanidade.

  • Helena Blavatsky chamou-lhe o maior adepto oriental que a Europa conhecera nos últimos séculos;
  • C. W. Leadbeater afirmou tê-lo encontrado em Roma;
  • Em 1930, o norte-americano Guy Ballard disse tê-lo encontrado no monte Shasta, na Califórnia, e fundou o movimento «Eu Sou» (I AM).

Desde então, Saint-Germain aparece em vários movimentos da Nova Era, associado à «chama violeta». Isto é crença religiosa moderna, sem relação documentada com o homem do século XVIII.

➜ Teosofia

➜ Helena Blavatsky

Curiosidades

  • Os contemporâneos atribuíam-lhe o domínio de muitas línguas, incluindo o português, mas não há forma de o confirmar.
  • O dossiê policial que Napoleão III mandou reunir sobre ele terá ardido no incêndio das Tulherias, em 1871.
  • Nos anos 70, o francês Richard Chanfray apareceu na televisão a dizer que era Saint-Germain.

Continue a ler

➜ Cagliostro, o outro grande aventureiro do oculto

➜ Franc-Maçonaria

➜ História do Ocultismo

➜ Figuras do Oculto

Fontes

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