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🏛️ Enciclopédia do Oculto

Alquimia: a arte da transformação

A história da alquimia, do Egito romano a Newton: a pedra filosofal, os grandes autores, os símbolos e como a arte dos alquimistas deu origem à química moderna.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. De onde vem a palavra
  2. Uma história em quatro etapas
  3. As grandes ideias da alquimia
  4. A linguagem secreta dos alquimistas
  5. Alquimia e hermetismo
  6. Da alquimia à química
  7. A alquimia no ocultismo moderno
  8. Continue a ler
  9. Fontes

A alquimia foi, durante quase 1500 anos, a tentativa de compreender e transformar a matéria. Os alquimistas procuravam transformar metais comuns em ouro, criar remédios universais e, para muitos, aperfeiçoar a própria alma.

Hoje sabemos que não é possível fazer ouro por meios químicos. Mas a alquimia não foi só ilusão: nos laboratórios dos alquimistas nasceram técnicas e conhecimentos que deram origem à química moderna.

Nesta página resumimos a história documentada, as ideias principais e a forma como a alquimia foi mais tarde reinterpretada pelo ocultismo.

De onde vem a palavra

«Alquimia» vem do árabe al-kīmiyā, que por sua vez deriva provavelmente do grego chēmeia. A palavra chegou-nos pela Península Ibérica, através das traduções de textos árabes feitas na Idade Média.

Uma história em quatro etapas

Egito greco-romano

Os textos alquímicos mais antigos que conhecemos foram escritos em grego, no Egito da época romana. O autor mais importante é Zósimo de Panópolis, que viveu por volta do ano 300 d.C.

Estes textos misturam receitas práticas (tingir metais, imitar pedras preciosas) com ideias filosóficas e religiosas.

O mundo islâmico

Entre os séculos VIII e X, os sábios de língua árabe desenvolveram muito a alquimia. Um grande conjunto de obras circulou sob o nome de Jābir ibn Ḥayyān (conhecido na Europa como Geber).

Deste período vem a teoria de que os metais são formados por enxofre e mercúrio em proporções diferentes. Se a proporção mudasse, o metal poderia, em teoria, transformar-se noutro.

A Europa medieval

A alquimia entrou na Europa latina pelas traduções. Em 1144, Roberto de Chester traduziu do árabe o Livro da composição da alquimia, considerado um dos primeiros textos alquímicos em latim.

Surgiram depois obras muito influentes atribuídas a autores famosos, como a Summa perfectionis, do final do século XIII, publicada sob o nome de Geber.

Renascimento e Revolução Científica

Paracelso (1493–1541) mudou o rumo da alquimia: para ele, o objetivo principal não era o ouro, mas preparar medicamentos.

No século XVII, Robert Boyle publicou The Sceptical Chymist (1661), e até Isaac Newton dedicou anos a experiências alquímicas, deixando muitos manuscritos sobre o tema.

As grandes ideias da alquimia

Conceito O que significava
Pedra filosofal Substância capaz de transformar metais em ouro
Elixir da longa vida Remédio que prolongaria a vida
Transmutação Transformação de uma substância noutra
Magnum Opus A «Grande Obra»: o processo completo do alquimista
Os quatro elementos Terra, água, ar e fogo, herdados de Aristóteles

Os alquimistas descreviam a Grande Obra em fases de cor: o negro (nigredo), o branco (albedo) e o vermelho (rubedo). A ordem e o número de fases variam de autor para autor.

➜ Os quatro elementos na magia

➜ A quintessência

A linguagem secreta dos alquimistas

Os tratados de alquimia são difíceis de ler de propósito. Usam símbolos, animais e imagens para esconder as receitas: o leão verde, o dragão, o casamento do rei e da rainha, a serpente que morde a cauda (o ouroboros).

Cada metal estava ligado a um planeta: o ouro ao Sol, a prata à Lua, o ferro a Marte, o cobre a Vénus, o mercúrio a Mercúrio, o estanho a Júpiter e o chumbo a Saturno.

➜ A serpente como símbolo

Alquimia e hermetismo

Muitos alquimistas diziam seguir os ensinamentos de Hermes Trismegisto. O texto mais famoso associado a ele é a Tábua de Esmeralda, com a célebre ideia de que «o que está em baixo é como o que está em cima».

Os estudiosos mostraram que a Tábua de Esmeralda é conhecida primeiro em fontes árabes (séculos VIII–IX) e não é um texto do antigo Egito, como a lenda afirma.

➜ Hermetismo

Da alquimia à química

No século XVIII, com Antoine Lavoisier e outros, a química separou-se definitivamente da alquimia. A ideia de transmutar metais foi abandonada.

Curiosamente, no século XX a física nuclear mostrou que é possível transformar um elemento noutro, mas em reatores e aceleradores, a custos enormes. Nada disto confirma os métodos dos alquimistas.

A alquimia no ocultismo moderno

A partir do século XIX, ocultistas passaram a ler a alquimia sobretudo como símbolo de transformação espiritual. No século XX, o psiquiatra Carl Gustav Jung estudou as imagens alquímicas como expressão da psique.

Esta leitura é uma interpretação moderna. Muitos alquimistas antigos trabalhavam de facto com fornos, metais e substâncias reais.

Atenção: as receitas alquímicas antigas usam mercúrio, chumbo, arsénico e outras substâncias tóxicas. Não devem ser reproduzidas.

Continue a ler

➜ Hermetismo

➜ Magia renascentista

➜ Magia cerimonial

➜ Enciclopédia do Oculto

Fontes

  • Lawrence M. Principe, The Secrets of Alchemy, University of Chicago Press, 2013.
  • «Alchemy», Encyclopaedia Britannica — britannica.com
  • Science History Institute, «Alchemy» — sciencehistory.org
  • The Newton Project (manuscritos de Isaac Newton, incluindo os alquímicos) — newtonproject.ox.ac.uk

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