Marie Laveau (1801–1881) é a figura mais famosa do vodu de Nova Orleães, no sul dos Estados Unidos. Em vida já lhe chamavam «rainha do vodu».
À volta do seu nome cresceram histórias de poderes sobrenaturais, riqueza secreta e até imortalidade. Os documentos mostram uma mulher diferente: católica devota, líder religiosa, curandeira e caridosa.
Esta página separa o que está documentado do que é lenda. O vodu haitiano, uma religião aparentada mas distinta, tem página própria.
Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Nome | Marie Catherine Laveau (também «Laveaux») |
| Nascimento | 10 de setembro de 1801, Nova Orleães |
| Morte | 15 de junho de 1881, Nova Orleães |
| Origem | Mulher livre de cor, na Luisiana |
| Ocupação | Sacerdotisa do vodu, curandeira, conselheira |
| Religião | Católica praticante e líder do vodu local |
| Conhecida por | «Rainha do vodu»; túmulo no cemitério de St. Louis n.º 1 |
A vida documentada
Família
Marie nasceu em Nova Orleães numa família de pessoas livres de cor. A bisavó tinha chegado escravizada do Senegal em 1743; a mãe, Marguerite Henry, foi libertada em 1790. O pai, Charles Laveaux, era um comerciante próspero.
Casamento e filhos
A 4 de agosto de 1819 casou na Catedral de São Luís com Jacques Paris, um carpinteiro. Ele desapareceu por volta de 1824.
Depois viveu em união de facto com Christophe Glapion até à morte dele, em 1855. Tiveram vários filhos, mas só duas filhas chegaram à idade adulta.
Líder religiosa
Na sua casa da rua St. Ann recebia pessoas de todas as origens para consultas e cerimónias. É-lhe atribuída a direção das celebrações da véspera de São João nas margens do lago Pontchartrain.
Nunca deixou o catolicismo: foi batizada, casada e sepultada pela Igreja. Para ela, e para muitos crentes da época, vodu e devoção católica conviviam.
Caridade
Nos últimos anos dedicou-se a visitar condenados à morte, rezando com eles e erguendo altares nas celas. Diz-se também que tratou doentes durante epidemias de febre-amarela.
Quando morreu, em 1881, jornais de Nova Orleães descreveram-na como mulher que tratava os doentes e ajudava os necessitados. Outros jornais chamaram-lhe charlatã.
A lenda
Sobre Marie Laveau contam-se muitas histórias que não têm confirmação:
- Imortalidade: dizia-se que continuava jovem durante décadas. A explicação provável é a confusão com uma segunda «Marie Laveau», talvez uma filha, que teria continuado o papel.
- A sucessora: a historiadora Carolyn Morrow Long nota que a filha mais velha morreu em 1862 e que a outra, Philomène, era uma católica sem ligação conhecida ao vodu. Quem seria a «Marie Laveau II» continua um mistério.
- Riqueza e espionagem: conta-se que trabalhava como cabeleireira em casas ricas e usava os segredos ouvidos para impressionar clientes. É uma história muito repetida, mas mal documentada; as fontes indicam que viveu de forma modesta.
O túmulo
Marie Laveau terá sido sepultada no jazigo da família Glapion, no cemitério de St. Louis n.º 1, aberto em 1789 — o mais antigo cemitério de Nova Orleães que ainda existe.
O túmulo tornou-se lugar de peregrinação. Criou-se o costume de desenhar três cruzes («XXX») na pedra para pedir um desejo. Estas marcas danificam o jazigo.
Por causa do vandalismo, desde 1 de março de 2015 a arquidiocese só permite a entrada no cemitério com visitas guiadas autorizadas.
Vodu de Nova Orleães, hoodoo e vodu haitiano
Os três termos confundem-se muitas vezes:
| Termo | O que é |
|---|---|
| Vodu haitiano | Religião organizada do Haiti, com os seus espíritos (lwa) |
| Vodu de Nova Orleães | Tradição religiosa da Luisiana, de raiz africana, que Marie Laveau liderou |
| Hoodoo | Magia popular afro-americana, sem estrutura de religião |
➜ Santería
Na cultura popular
Marie Laveau aparece em canções, romances e séries de televisão, quase sempre como feiticeira temível. Essa imagem deve mais ao sensacionalismo do que à mulher real descrita nos registos da Igreja e nos jornais da época.
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Fontes
- Carolyn Morrow Long, «Marie Laveau», 64 Parishes (Louisiana Endowment for the Humanities): https://64parishes.org/entry/marie-laveau
- Carolyn Morrow Long, A New Orleans Voudou Priestess: The Legend and Reality of Marie Laveau, University Press of Florida, 2006.
- «Marie Laveau», Encyclopaedia Britannica: https://www.britannica.com/biography/Marie-Laveau
- «Marie Laveau» e «St. Louis Cemetery», Wikipedia (inglês): https://en.wikipedia.org/wiki/Marie_Laveau