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🧙 Figuras do Oculto

Samuel Liddell MacGregor Mathers

S. L. MacGregor Mathers (1854–1918): cofundador da Golden Dawn, tradutor da Chave de Salomão (1889) e do Abramelin (1898), e a rutura com Crowley.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. A vida
  3. A Golden Dawn (1888)
  4. O tradutor de grimórios
  5. A crise de 1900 e a rutura com Crowley
  6. Os últimos anos
  7. Curiosidades
  8. Continue a ler
  9. Fontes

Se hoje é fácil ler a Chave de Salomão, a Goécia ou o Livro de Abramelin em inglês — e, a partir daí, em português —, isso deve-se muito a um homem: Samuel Liddell MacGregor Mathers.

Mathers foi um dos três fundadores da Ordem Hermética da Aurora Dourada (Golden Dawn). O ocultista Israel Regardie chegou a escrever que a Golden Dawn era Mathers. Foi também o mestre — e depois o grande inimigo — de Aleister Crowley.

Ficha

Campo Informação
Nome Samuel Liddell Mathers (acrescentou «MacGregor»)
Nascimento 1854, Hackney, Londres
Morte Novembro de 1918, Paris
Origem Inglaterra; reclamava ascendência escocesa
Ocupação Escriturário, tradutor, ocultista
Obras principais The Kabbalah Unveiled (1887), The Key of Solomon the King (1889), Abramelin (1898)
Conhecido por Fundar e dirigir a Golden Dawn

A vida

Mathers cresceu em Londres e estudou na Bedford Grammar School. Trabalhou como escriturário, sem grande fortuna.

Em 1877 entrou na maçonaria e depois na Societas Rosicruciana in Anglia, uma sociedade rosacruz reservada a maçons. Foi aí que conheceu William Wynn Westcott e William Robert Woodman.

Passava horas na sala de leitura do Museu Britânico, a copiar manuscritos mágicos. Ali conheceu Mina Bergson, irmã do filósofo Henri Bergson. Casaram em 1890; ela adotou o nome Moina Mathers e tornou-se também uma figura importante da ordem.

Mathers tinha fama de excêntrico: vegetariano, contra a vivissecção, apaixonado por esgrima e tática militar e defensor dos direitos das mulheres na ordem.

➜ A maçonaria

➜ Os rosa-cruzes

A Golden Dawn (1888)

Em 1888, Westcott, Woodman e Mathers fundaram em Londres o templo Ísis-Urânia. A base eram os chamados manuscritos cifrados, que Mathers transformou em rituais completos.

A ordem ensinava Cabala, astrologia, tarot, geomancia e magia cerimonial, numa sequência de graus. Atraiu poetas, atores e artistas, entre eles W. B. Yeats.

Com a morte de Woodman, em 1891, Mathers ficou na prática à frente da ordem. Em 1892 mudou-se para Paris, de onde passou a dirigi-la à distância. Dizia estar em contacto com «Chefes Secretos», mestres invisíveis que lhe teriam transmitido os rituais do grau superior — uma alegação impossível de verificar.

➜ A Golden Dawn: história, graus e membros

O tradutor de grimórios

É provavelmente o legado mais duradouro de Mathers:

Obra O que fez
The Kabbalah Unveiled (1887) Tradução de partes do Zohar, a partir do latim de Knorr von Rosenroth
The Key of Solomon the King (1889) Edição da Clavícula, com base em manuscritos do Museu Britânico
Abramelin (1898) Tradução de um manuscrito francês da Biblioteca do Arsenal, em Paris
Goetia (1904) Primeiro livro da Chave Menor, publicado por Crowley

As edições tinham falhas. Na Chave de Salomão omitiu capítulos. No Abramelin usou uma versão francesa tardia, que só tem três dos quatro livros das versões alemãs. Mesmo assim, foram estas traduções que tornaram os grimórios conhecidos no mundo inteiro.

A crise de 1900 e a rutura com Crowley

Aleister Crowley entrou na Golden Dawn em 1898. Os membros de Londres recusaram-se a promovê-lo ao grau seguinte. Mathers iniciou-o pessoalmente em Paris, em 1900.

No mesmo ano, Mathers afirmou que as cartas da misteriosa «Anna Sprengel», que tinham autorizado a fundação da ordem, eram falsificações de Westcott. A acusação abalou a confiança dos membros.

Em abril de 1900, a mando de Mathers, Crowley tentou tomar à força a sala de rituais da ordem, em Blythe Road, Londres. Os adeptos de Londres resistiram e o caso acabou em tribunal, contra Crowley e Mathers. Mathers foi expulso e a ordem dividiu-se.

Depois de 1904, Crowley declarou uma nova era com o Livro da Lei e rompeu com o antigo mestre. Dizia até que Mathers o atacava por magia. Em 1910, Mathers processou-o para impedir a publicação dos rituais secretos na revista The Equinox, mas o tribunal deu razão a Crowley. Anos mais tarde, Crowley caricaturou-o como vilão no romance Moonchild.

➜ Aleister Crowley

➜ O Livro da Lei

Os últimos anos

Em Paris, Mathers fundou em 1903 a ordem Alpha et Omega, continuação da sua Golden Dawn. Com Moina, encenou em público os «Ritos de Ísis».

Morreu em Paris em novembro de 1918, durante a pandemia de gripe. A data exata varia conforme as fontes (5 ou 20 de novembro). Moina continuou a dirigir a Alpha et Omega, onde, no ano seguinte, foi iniciada Dion Fortune.

Curiosidades

  • Falava ou lia várias línguas, incluindo latim, grego, hebraico, francês e gaélico.
  • Durante anos o casal viveu do apoio financeiro de Annie Horniman, herdeira de uma família de comerciantes de chá.
  • Por o seu túmulo ter ficado muito tempo desconhecido, correu o boato de que não tinha morrido.

Continue a ler

➜ A Golden Dawn

➜ A Chave de Salomão

➜ Dion Fortune

➜ Figuras do Oculto

Fontes

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