O Olho da Providência é um olho, geralmente dentro de um triângulo e rodeado de raios de luz. Também se chama «olho que tudo vê».
Muita gente associa-o de imediato à nota de um dólar, à maçonaria e às teorias da conspiração. Mas a sua origem é outra: é um símbolo cristão, que ainda hoje se vê em muitas igrejas católicas.
Nesta página separamos a história documentada dos mitos que se criaram à volta dele.
Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Nome | Olho da Providência |
| Outros nomes | Olho que tudo vê, olho de Deus, olho divino |
| Origem mais antiga conhecida | Arte cristã europeia, séc. XVI |
| Culturas | Cristianismo, maçonaria, iconografia republicana dos EUA e de França, caodaísmo |
| Significados | A providência divina: Deus que vê e cuida de tudo; a Trindade (triângulo) |
A origem cristã
«Providência» é a ideia de que Deus vê, governa e cuida do mundo. A imagem de um olho para dizer isso vem de expressões bíblicas sobre «os olhos do Senhor».
Um dos exemplos mais antigos conhecidos está na pintura Ceia em Emaús de Pontormo, de 1525: um olho pintado sobre um triângulo, por cima de Cristo.
No fim do Renascimento e no Barroco, o olho dentro de um triângulo tornou-se um símbolo explícito da Santíssima Trindade: o triângulo, com três lados iguais, lembra as três Pessoas de um só Deus. É por isso que o encontra em retábulos, tetos e altares de igrejas católicas, incluindo em Portugal.
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O olho egípcio é o mesmo?
Não. O olho de Hórus é um símbolo egípcio de proteção e cura, com uma forma própria. As duas imagens são por vezes confundidas, e há quem diga que o olho cristão «vem» do egípcio. Não há provas dessa linha direta.
O Grande Selo dos Estados Unidos (1782)
Em 1776, logo após a independência, o Congresso americano nomeou uma comissão para desenhar o selo do novo país. O artista Pierre Eugène du Simitière, consultor dessa comissão, propôs o Olho da Providência por cima dos escudos dos treze estados.
O desenho final, aprovado em 1782, pôs o olho por cima de uma pirâmide inacabada de treze degraus, com a data MDCCLXXVI (1776) na base. Por cima, a divisa latina Annuit Coeptis: «Ele aprovou os nossos empreendimentos». Por baixo, Novus Ordo Seclorum: «uma nova ordem dos séculos», isto é, uma nova era — não uma «nova ordem mundial».
A nota de um dólar (1935)
O reverso do Grande Selo quase não era usado. Só entrou na nota de um dólar a partir da série de 1935, no tempo do presidente Franklin D. Roosevelt. Foi a nota que tornou o olho e a pirâmide famosos em todo o mundo.
A maçonaria
A maçonaria adotou o olho que tudo vê, como símbolo do Grande Arquiteto do Universo, que vigia os atos dos homens. Esse uso passou a ser padrão com o livro The Freemason's Monitor de Thomas Smith Webb, em 1797 — quinze anos depois de aprovado o Grande Selo.
Dos membros das comissões do selo, só Benjamin Franklin era maçom, e as suas ideias para o selo não foram adotadas. Várias organizações maçónicas negam qualquer papel na criação do selo.
Outros usos
- França, 1789: a imagem oficial da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão mostra o olho num triângulo radiante.
- Caodaísmo: esta religião vietnamita, fundada em 1926, venera o olho divino como símbolo do Ser Supremo.
Mitos modernos a desfazer
- «É um símbolo dos Illuminati.» Não há prova disso. A ordem dos Illuminati da Baviera (1776–1785) não está ligada ao desenho do selo americano.
- «Foi a maçonaria que o pôs no dólar.» A cronologia mostra o contrário: o selo é de 1782 e o uso maçónico padronizado é de 1797.
- «É um símbolo satânico.» Nasceu na arte cristã e continua em igrejas.
- «Protege contra o mau-olhado.» Não é essa a sua função tradicional. Para os amuletos contra o mau-olhado, veja o olho turco e a hamsá.
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Fontes
- «Eye of Providence», Wikipedia (com bibliografia) — en.wikipedia.org
- U.S. Department of State, The Great Seal of the United States (publicação oficial, 2003)
- Richard S. Patterson e Richardson Dougall, The Eagle and the Shield: A History of the Great Seal of the United States, 1976