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Baphomet

A história real de Baphomet: o nome medieval, as acusações aos Templários em 1307, o desenho de Éliphas Lévi (1856) e o uso moderno por grupos satânicos.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. 1. Um nome medieval para Maomé
  3. 2. As acusações aos Templários (1307)
  4. 3. A reinvenção do século XIX
  5. 4. Símbolo moderno
  6. Mitos a desfazer
  7. Continue a ler
  8. Fontes

A figura com cabeça de bode, asas e um pentagrama na testa é uma das imagens mais conhecidas do ocultismo. Chama-se Baphomet.

Muita gente pensa que é um demónio antigo, adorado em segredo pelos Templários. Não é bem assim. O nome é medieval, as acusações aos Templários foram obtidas sob tortura, e a imagem que hoje conhecemos foi desenhada em 1856 por um ocultista francês.

Nesta página seguimos a história de Baphomet em quatro fases, separando facto, acusação e reinvenção.

Ficha

Campo Informação
Nome e variantes Baphomet; Baphometh, Bafomet (francês e occitano medievais)
Tipo Ídolo alegado; depois símbolo ocultista
Primeira fonte Carta de Anselmo de Ribemont (1098)
Tradições Processo dos Templários, ocultismo do séc. XIX, Thelema, satanismo moderno
Símbolos/atributos Cabeça de bode, asas, pentagrama, tocha, braços com Solve e Coagula

1. Um nome medieval para Maomé

A palavra aparece pela primeira vez em 1098, numa carta do cruzado Anselmo de Ribemont escrita durante o cerco de Antioquia.

Os historiadores concordam que Baphometh e Bafomet eram deformações do nome «Maomé» (Mahomet, em francês antigo). Os trovadores dos séculos XII e XIII usavam Bafomet para falar do profeta do islão, que os cristãos imaginavam, erradamente, como um ídolo.

2. As acusações aos Templários (1307)

Na sexta-feira, 13 de outubro de 1307, o rei Filipe IV de França mandou prender os Templários do seu reino. A acusação era de heresia.

Sob tortura, alguns cavaleiros confessaram adorar um ídolo a que chamavam Baphomet. As descrições não batem certo: umas falam de uma cabeça cortada, outras de um gato, outras de uma cabeça com três faces.

  • Facto: houve confissões com o nome Baphomet.
  • Facto: foram obtidas sob tortura e são contraditórias.
  • Facto: não existe qualquer menção a Baphomet na Regra dos Templários nem noutros documentos da Ordem.

O papa Clemente V extinguiu a Ordem em 1312 (bula Vox in excelso). O último grão-mestre, Jacques de Molay, morreu na fogueira em 1314.

Hoje os historiadores consideram as acusações falsas, motivadas sobretudo por interesses políticos e financeiros do rei de França.

E em Portugal?

Em Portugal, D. Dinis protegeu os Templários. Os seus bens passaram para uma nova ordem, a Ordem de Cristo, criada em 1319 pelo papa João XXII a pedido do rei. A sede acabou por ficar em Tomar, antiga casa templária.

3. A reinvenção do século XIX

Durante séculos, Baphomet foi apenas um pormenor do processo. No fim do século XVIII e no século XIX, vários autores tentaram explicar o nome:

  • Christoph Friedrich Nicolai (1782) propôs que viesse do grego e significasse «batismo de sabedoria».
  • Joseph von Hammer-Purgstall (1818) acusou os Templários de gnosticismo, com base em imagens hoje consideradas falsificações.

Nenhuma destas teorias tem apoio sério.

O desenho de Éliphas Lévi

A imagem moderna nasceu com Éliphas Lévi, no Dogma e Ritual da Alta Magia (1854–1856). O desenho, intitulado «o Baphomet de Mendes», mostra:

  • uma figura andrógina, meio humana e meio bode, com asas e seios;
  • um pentagrama na testa e uma tocha entre os chifres;
  • um braço para cima e outro para baixo, com as palavras Solve e Coagula (dissolver e unir, fórmula da alquimia);
  • duas luas, uma clara e outra escura;
  • um caduceu no lugar do sexo.

Para Lévi, não era um demónio. Era um símbolo do equilíbrio dos opostos: masculino e feminino, luz e sombra, misericórdia e justiça.

➜ Dogma e Ritual da Alta Magia

➜ Éliphas Lévi

4. Símbolo moderno

A fraude de Léo Taxil

Na década de 1890, o escritor Léo Taxil publicou supostas revelações de que os maçons adoravam Baphomet, usando o desenho de Lévi. Em 1897, confessou publicamente que era tudo uma fraude, feita para ridicularizar a propaganda antimaçónica. A ideia, porém, continuou a circular.

Crowley

Aleister Crowley adotou «Baphomet» como nome na ordem OTO e via nele um símbolo da união dos opostos e da vida.

➜ Aleister Crowley

O «sigilo de Baphomet»

Em 1897, Stanislas de Guaita publicou uma cabeça de bode dentro de um pentagrama invertido. A Igreja de Satanás (fundada em 1966 por Anton LaVey) adotou esse desenho, com a palavra hebraica «Leviatã» à volta, como símbolo oficial.

➜ Pentagrama

A estátua do Satanic Temple

O Satanic Temple, grupo norte-americano que se define como ativista pela separação entre Igreja e Estado, apresentou em 2015, em Detroit, uma estátua de Baphomet com mais de 2,5 metros. Em 2018 levou-a a uma manifestação no Capitólio do Arkansas, em protesto contra um monumento aos Dez Mandamentos.

Mitos a desfazer

  • «Os Templários adoravam Baphomet.» Não há prova. As confissões foram arrancadas sob tortura.
  • «A imagem de Baphomet é medieval.» Não. O desenho clássico é de 1856.
  • «Baphomet é um demónio dos grimórios.» Não aparece nos grandes grimórios clássicos como a Goetia ou a Chave de Salomão.
  • «O nome é um código secreto.» O investigador Hugh Schonfield propôs que, lido com a cifra hebraica atbash, daria «Sophia» (sabedoria). A teoria ficou famosa com O Código Da Vinci, mas é contestada.

Continue a ler

➜ Demonologia

➜ Lúcifer

➜ Dicionário do oculto: letra B

➜ Anjos, demónios e entidades

Fontes

  • Wikipedia (inglês), Baphomet
  • Wikipedia (inglês), Knights Templar
  • Wikipedia (português), Ordem de Cristo
  • Éliphas Lévi, Dogme et Rituel de la Haute Magie, Paris, 1854–1856
  • Malcolm Barber, The Trial of the Templars, Cambridge University Press, 1978

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