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O arcanjo Miguel

Quem é o arcanjo Miguel: o que diz a Bíblia, os grandes santuários (Gargano, Monte Saint-Michel), a balança e o dragão na arte, e a devoção em Portugal.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. Miguel na Bíblia
  3. Miguel no islão
  4. O culto: três santuários
  5. Iconografia
  6. São Miguel em Portugal
  7. Miguel na magia cerimonial
  8. Continue a ler
  9. Fontes

Miguel é o anjo mais venerado do cristianismo. Na Bíblia é o chefe dos anjos que combatem o mal. Na arte aparece de espada na mão, a vencer um dragão, ou de balança, a pesar as almas.

Nesta ficha separamos o que está nos textos bíblicos, o que nasceu das lendas dos seus santuários e o que foi acrescentado pela magia cerimonial.

Se procura a oração do papa Leão XIII, tem página própria:

➜ Oração a São Miguel Arcanjo

Ficha

Campo Informação
Nome e variantes Miguel; hebraico Mikha'el; latim Michael; árabe Mīkā'īl
Significado «Quem é como Deus?»
Tipo Arcanjo
Primeira fonte Livro de Daniel (séc. II a.C.)
Tradições Judaísmo, cristianismo, islão
Atributos Espada, lança, escudo, balança, dragão ou demónio vencido
Festa 29 de setembro (católicos); 8 de novembro (ortodoxos)

Miguel na Bíblia

O nome é uma pergunta: «Quem é como Deus?». A resposta implícita é «ninguém», e por isso o nome foi lido como um desafio ao orgulho do diabo.

Miguel aparece em poucos textos, mas todos importantes:

  • Daniel 10 e 12: é «um dos primeiros príncipes» e o protetor do povo de Israel, em luta contra o «príncipe da Pérsia».
  • Judas 9: é chamado arcanjo e disputa com o diabo o corpo de Moisés.
  • Apocalipse 12, 7–9: comanda os anjos na guerra no céu e expulsa o dragão, «a antiga serpente».

É também o único anjo a quem a Bíblia chama expressamente «arcanjo». Nos manuscritos do mar Morto, em Qumran, Miguel surge igualmente como defensor do povo de Deus na batalha final.

Miguel no islão

No Corão, Mīkā'īl é nomeado uma vez (sura 2, versículo 98), ao lado de Gabriel. A tradição islâmica conta-o entre os quatro grandes anjos e associa-o à misericórdia.

O culto: três santuários

O culto a São Miguel espalhou-se pela Europa a partir de lugares altos. As histórias de fundação destes santuários são lendas, contadas séculos depois:

  • Monte Gargano (Itália): segundo a tradição, Miguel apareceu numa gruta por volta de 490. O santuário tornou-se destino de peregrinos de toda a Europa.
  • Castel Sant'Angelo (Roma): conta-se que, durante uma peste no tempo do papa Gregório Magno (590–604), o arcanjo foi visto a embainhar a espada sobre o mausoléu de Adriano. Daí o nome do castelo.
  • Monte Saint-Michel (França): segundo a lenda normanda, Miguel pediu em 708 ao bispo Auberto de Avranches que lhe construísse uma igreja no rochedo. A abadia beneditina veio depois, no século X.

Iconografia

Na arte cristã, Miguel tem duas imagens principais:

  • O guerreiro: de armadura, com espada ou lança, a esmagar um dragão ou um demónio. Ilustra o Apocalipse.
  • O juiz: com uma balança, a pesar as almas no Juízo Final. A Bíblia não descreve esta cena; é uma imagem da tradição, muito difundida na Idade Média.

Às vezes o escudo leva a inscrição latina Quis ut Deus («Quem como Deus»), a tradução do seu nome.

São Miguel em Portugal

A devoção portuguesa ao arcanjo é antiga e deixou marcas concretas:

  • A ilha de São Miguel (Açores) tem o nome do arcanjo. O povoamento começou, segundo a tradição, a 29 de setembro de 1444, dia da sua festa, numa época em que o arcanjo era tido como protetor do reino.
  • A Coroa de São Miguel, um terço com nove saudações (uma por cada coro de anjos), nasceu de uma revelação privada relatada nos anos 1750 por uma freira carmelita portuguesa, Antónia d'Astónaco. Foi aprovada pelo papa Pio IX em 1851.
  • As alminhas, os nichos das almas do Purgatório à beira dos caminhos, mostram por vezes São Miguel a resgatar ou pesar as almas.

➜ As alminhas

Miguel na magia cerimonial

A partir do Renascimento, os grimórios deram a Miguel lugares precisos num sistema de correspondências. São construções da tradição mágica, e nem sequer concordam entre si:

  • No Heptameron, atribuído a Pedro de Abano e impresso em 1559, Miguel é o anjo do domingo e do Sol.
  • Na Filosofia Oculta de Cornélio Agrippa (1533), numa das tabelas de sete anjos, Miguel aparece ligado a Mercúrio.
  • Nos rituais da Golden Dawn (final do século XIX), Miguel é colocado no sul, num dos quatro pontos cardeais.

➜ Os anjos dos dias da semana

A Igreja Católica venera Miguel como santo, mas desaconselha estas práticas de invocação mágica.

Continue a ler

➜ Oração a São Miguel Arcanjo

➜ Os sete arcanjos

➜ O arcanjo Gabriel

➜ Angelologia

Fontes

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