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👁️ Anjos, Demónios e Entidades

Asmodeu: o demónio de Tobias, de Salomão e de Loudun

Asmodeu, o demónio do Livro de Tobias: origem persa do nome, Ashmedai no Talmude, o Testamento de Salomão, a Goetia e as possessões de Loudun (1634).

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. A origem do nome
  3. No Livro de Tobias
  4. No Talmude: Ashmedai, rei dos demónios
  5. No Testamento de Salomão
  6. Na demonologia e nos grimórios
  7. As possessões de Loudun (1632–1637)
  8. Na literatura
  9. Continue a ler
  10. Fontes

Asmodeu é um dos poucos demónios com nome próprio que aparecem num livro da Bíblia católica: o Livro de Tobias. Ali mata sete maridos de uma jovem e é afastado pelo arcanjo Rafael.

A partir daí teve uma carreira longa e variada: rei dos demónios astuto e quase simpático no Talmude, espírito submetido por Salomão, demónio da luxúria nos tratados da Inquisição, rei na Goetia e principal acusado nas possessões de Loudun.

Ficha

Campo Informação
Nome e variantes Asmodeu; grego Asmodaios; hebraico Ashmedai; latim Asmodaeus; na Goetia, Asmoday
Tipo Demónio (tradição judaica e cristã)
Primeira fonte Livro de Tobias (séc. III–II a.C.)
Tradições Bíblia, Talmude, Testamento de Salomão, demonologia, grimórios
Atributos Luxúria, ira; na Goetia, três cabeças (touro, homem, carneiro)

A origem do nome

A explicação mais aceite liga o nome ao persa antigo (avéstico) aēšma-daēva, «demónio da ira». Aēšma é um demónio da fúria no zoroastrismo.

A forma composta não está atestada nos textos que sobreviveram, mas a hipótese é antiga e continua a ser a principal. Faz sentido: o Livro de Tobias passa-se entre os judeus exilados na Assíria e na Média, em contacto com o mundo persa.

No Livro de Tobias

O Livro de Tobias (ou Tobite) faz parte da Bíblia católica e ortodoxa; os judeus e os protestantes consideram-no apócrifo.

Conta a história de Sara, uma jovem da Média. Casou sete vezes, e o demónio Asmodeu matou cada marido na noite de núpcias (Tobias 3:8).

O jovem Tobias viaja acompanhado por um desconhecido que é, na verdade, o arcanjo Rafael. Pelo caminho apanham um peixe. Rafael manda guardar o coração e o fígado; na noite do casamento com Sara, Tobias queima-os sobre brasas. O fumo põe o demónio em fuga até ao Egito, onde Rafael o prende (Tobias 8:2-3).

É um relato bíblico, não um ritual: o texto atribui a vitória a Deus e à oração do casal, que rezam juntos nessa noite.

➜ O arcanjo Rafael

No Talmude: Ashmedai, rei dos demónios

No Talmude babilónico (tratado Gittin, 68a-b), Ashmedai é o rei dos demónios e aparece mais astuto do que cruel.

Segundo a lenda, Salomão captura-o para o obrigar a ajudar na construção do Templo. Mais tarde, Ashmedai engana o rei, atira-o para muito longe de Jerusalém e toma o seu lugar no trono durante algum tempo, até Salomão recuperar o reino.

É uma lenda rabínica com intenção moral, não um relato histórico.

➜ O rei Salomão na tradição mágica

No Testamento de Salomão

No Testamento de Salomão, texto grego de datação discutida, Asmodeu é interrogado pelo rei. Diz ter nascido de um anjo e de uma mulher humana, e que conspira contra os recém-casados para os separar.

Confessa que o frustra o arcanjo Rafael, e também o fumo do fígado e fel de um peixe — um eco direto do Livro de Tobias. Salomão condena-o a fazer barro para as obras do Templo.

➜ O Testamento de Salomão

Na demonologia e nos grimórios

  • O Malleus Maleficarum (1486) e mais tarde Peter Binsfeld (1589) associaram Asmodeu à luxúria;
  • Na Pseudomonarchia Daemonum de Weyer (1577) e na Goetia, Asmoday é um grande rei com três cabeças (touro, homem e carneiro), cauda de serpente, montado num dragão. Diz-se que ensinaria aritmética, geometria e astronomia e que comandaria 72 legiões. É o espírito n.º 32 da Goetia.

Descrevemos o que os textos dizem; não ensinamos a invocar.

➜ A Goetia

➜ Malleus Maleficarum

As possessões de Loudun (1632–1637)

Em 1632, as freiras ursulinas de Loudun, em França, começaram a apresentar sinais de «possessão». A prioresa, Jeanne des Anges, e as outras religiosas acusaram o pároco Urbain Grandier de lhes ter enviado demónios — entre eles, sobretudo, Asmodeu.

Grandier era um padre influente e inimigo do cardeal Richelieu. Foi torturado, nunca confessou e morreu queimado a 18 de agosto de 1634. Como prova apresentou-se um «pacto» assinado por vários demónios. Os historiadores veem hoje o caso como uma perseguição com motivos políticos, alimentada por exorcismos públicos.

O caso inspirou o livro The Devils of Loudun (1952), de Aldous Huxley, e o filme The Devils (1971), de Ken Russell.

➜ A caça às bruxas na Europa

Na literatura

No romance O Diabo Coxo (Le Diable boiteux, 1707), de Lesage, Asmodeu é um demónio espirituoso que levanta os telhados de Madrid para mostrar a vida secreta dos habitantes.

Continue a ler

➜ Anjos, demónios e entidades

➜ Belzebu

➜ Astaroth

➜ Demonologia

Fontes

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