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📚 Grimórios

O Testamento de Salomão

O Testamento de Salomão: texto grego pseudoepígrafo sobre o anel dado pelo arcanjo Miguel e os demónios que construíram o Templo. Datação, conteúdo e edições.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha do grimório
  2. Lenda e realidade
  3. O que conta
  4. Edições
  5. Influência
  6. Curiosidades
  7. Onde ler
  8. Continue a ler
  9. Fontes

O Testamento de Salomão é um texto grego antigo em que o rei Salomão conta, na primeira pessoa, como recebeu um anel mágico e o usou para obrigar os demónios a construir o Templo de Jerusalém.

É a mais antiga obra conhecida que junta o nome de Salomão a uma lista de demónios, com os seus nomes, os males que causam e o anjo que os vence. Por isso é considerado um antepassado da demonologia dos grimórios.

O texto é pseudoepígrafo: atribuído a Salomão, mas escrito muitos séculos depois dele por autores desconhecidos.

Ficha do grimório

Campo Informação
Título Testamento de Salomão
Nome original Diathēkē Solomōntos (grego)
Período Datação discutida: entre o séc. I e o séc. V d.C.; recensões até à Idade Média
Origem Mediterrâneo oriental; meio cristão de língua grega (origem judaica debatida)
Autoria Atribuída a Salomão; autores reais desconhecidos
Idioma Grego
Tipo Narrativa e catálogo de demónios

Lenda e realidade

Na Bíblia, Salomão é o rei sábio que construiu o Templo. A Bíblia não diz que ele comandava demónios. Essa fama nasceu mais tarde, na tradição judaica e cristã.

O historiador judeu Flávio Josefo (séc. I d.C.) já conta que Salomão compôs encantamentos e fórmulas de exorcismo. O Testamento desenvolve essa lenda numa história completa.

➜ O rei Salomão na tradição mágica

A datação

Os estudiosos não chegam a acordo sobre a data. Há quem defenda um núcleo do século I ou II d.C.; outros situam a composição por volta dos séculos III a V.

O texto foi sendo copiado e alterado durante séculos, e os manuscritos que sobrevivem são medievais. Existem várias versões (recensões) diferentes.

Também se discute se a base é judaica ou cristã. A forma que chegou até nós tem elementos claramente cristãos.

O que conta

O anel de Salomão

Um demónio chamado Ornias atormenta um rapaz que trabalha nas obras do Templo: rouba-lhe metade do salário e da comida.

Salomão reza no Templo e o arcanjo Miguel traz-lhe um anel, presente de Deus. A pedra gravada tem um sinal descrito como pentalfa (uma estrela de cinco pontas).

Com o anel, Salomão prende Ornias e obriga-o a trazer Belzebu, o príncipe dos demónios. A partir daí, os demónios desfilam um a um diante do rei.

➜ O pentagrama

O desfile dos demónios

Cada demónio diz ao rei o seu nome, o que faz e que anjo o vence. Depois é posto a trabalhar no Templo: cortar pedra, carregar madeira, fazer cordas.

Entre os mais conhecidos:

  • Belzebu, o príncipe dos demónios;
  • Asmodeu, que persegue os recém-casados, como no Livro de Tobias, e é vencido pelo anjo Rafael;
  • Onoskelis, um espírito feminino;
  • Obizuth, que ataca as mulheres no parto, uma figura aparentada com Lilith.

➜ Asmodeu

➜ Lilith

Os 36 decanos

Uma parte importante apresenta 36 espíritos ligados aos decanos do zodíaco (divisões de 10 graus). Cada um causa uma doença ou mal-estar: dores de cabeça, problemas de olhos, surdez.

Para cada um, o texto indica um anjo ou uma inscrição que o afasta. É uma mistura de astrologia, medicina antiga e demonologia muito típica da época.

A queda de Salomão

O final é moralista. Salomão apaixona-se por uma mulher sunamita e, para a obter, oferece cinco gafanhotos em sacrifício a um deus estrangeiro. Diz então que a glória de Deus o abandonou.

O Testamento apresenta-se assim como um aviso deixado pelo rei aos leitores.

Edições

  • F. C. Conybeare, 1898 — primeira tradução inglesa, publicada na Jewish Quarterly Review. Hoje em domínio público.
  • C. C. McCown, 1922 — edição crítica do texto grego, ainda de referência.
  • D. C. Duling, 1983 — tradução inglesa em The Old Testament Pseudepigrapha, ed. James H. Charlesworth.

Influência

O Testamento fixou ideias que atravessam toda a magia salomónica posterior:

  • Salomão como senhor dos demónios;
  • o anel ou selo como instrumento de domínio;
  • a ideia de que cada demónio tem um nome, uma função e um anjo que o vence;
  • o gosto pelos catálogos de espíritos.

A lenda dos espíritos fechados por Salomão reaparece, muito transformada, na Goécia do século XVII, com os seus 72 espíritos. Mas não se trata do mesmo texto e a lista de nomes é diferente.

➜ A Goécia

➜ Demonologia

Curiosidades

  • O «selo de Salomão» é hoje associado sobretudo à estrela de seis pontas, mas no Testamento o anel traz um pentalfa. Ao longo dos séculos, as duas estrelas foram usadas com esse nome.
  • Em Portugal, o hexagrama e o pentagrama usados como amuleto popular receberam o nome de Signo-Saimão, de «signo de Salomão».

➜ O Signo-Saimão

Onde ler

A tradução de Conybeare (1898) está em domínio público e pode ler-se gratuitamente no site Esoteric Archives, numa versão revista por Joseph H. Peterson.

Continue a ler

➜ Biblioteca de grimórios

➜ A Chave de Salomão

➜ Os Papiros Mágicos Gregos

➜ O nó de Salomão

Fontes

  • F. C. Conybeare (trad.), «The Testament of Solomon», Jewish Quarterly Review, 1898 — esotericarchives.com
  • C. C. McCown, The Testament of Solomon, Leipzig, 1922.
  • D. C. Duling, «Testament of Solomon», em J. H. Charlesworth (ed.), The Old Testament Pseudepigrapha, vol. 1, 1983.
  • «Testament of Solomon», Wikipedia — en.wikipedia.org

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