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🌿 Ervas

Pimenta e gengibre: as especiarias «quentes» na tradição

Pimenta, malagueta e gengibre: a história portuguesa das especiarias, o simbolismo do «quente» na tradição popular e esotérica, e os cuidados com pele e olhos.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. Uma história portuguesa
  3. O gengibre
  4. Na tradição popular e esotérica
  5. Precauções
  6. Continue a ler
  7. Fontes

A pimenta mudou a história de Portugal. Foi atrás dela e de outras especiarias que as naus portuguesas chegaram à Índia. Séculos depois, a pimenta e o gengibre continuam na cozinha e também nas tradições populares e esotéricas, onde representam o «quente»: o que acelera, desperta e afasta.

Esta página junta a história destas especiarias, o que simbolizam na tradição e os cuidados necessários. A malagueta, em particular, queima a pele e os olhos.

Ficha

Campo Informação
Pimenta-preta Piper nigrum — Piperáceas; nativa da costa do Malabar (Índia)
Malagueta / piri-piri Espécies de Capsicum — Solanáceas; nativas das Américas
Gengibre Zingiber officinale — Zingiberáceas; Ásia tropical
Partes usadas Grãos (pimenta), frutos (malagueta), rizoma (gengibre)
Toxicidade Seguras na alimentação; a malagueta irrita fortemente pele, olhos e vias respiratórias

Uma história portuguesa

Facto histórico: em 1498, a armada de Vasco da Gama chegou a Calecute, na costa do Malabar, a terra da pimenta. Durante o século XVI, a Carreira da Índia trouxe para Lisboa enormes quantidades de pimenta, gengibre, canela e cravinho, e a Coroa controlou esse comércio.

A pimenta era tão valiosa que, já na Grécia e em Roma, se cobravam tributos em pimenta. Na Idade Média, o seu comércio na Europa era dominado por mercadores de Veneza e Génova — uma das razões para procurar o caminho marítimo para o Oriente.

Os portugueses também espalharam pelo mundo a malagueta americana (Capsicum). Levaram-na para África e para a Ásia, onde entrou em cozinhas que hoje parecem impossíveis sem ela, como a indiana ou a tailandesa. O piri-piri é herdeiro dessa viagem.

A confusão do nome «malagueta»

Antes das malaguetas americanas, os portugueses chamavam malagueta a outra especiaria, a Aframomum melegueta, da costa ocidental de África. Essa costa ficou conhecida como Costa da Malagueta. Mais tarde, o nome passou para os pimentos picantes do Capsicum.

➜ Canela

➜ Cravo-da-índia

O gengibre

O gengibre é um rizoma (caule subterrâneo) usado na Ásia há milhares de anos, na cozinha e na medicina tradicional. Chegou à Europa pelo comércio com o Oriente ainda na Antiguidade e foi muito usado em doces e conservas medievais.

É hoje uma das especiarias mais estudadas. Há alguma evidência de que ajuda em náuseas ligeiras, mas isso não o transforma em remédio para tudo. Em caso de doença, consulte o médico.

O simbolismo do «quente»

Na tradição esotérica, as especiarias picantes são associadas ao fogo: energia, rapidez, coragem, paixão. Daí vêm os seus usos simbólicos:

  • Pimenta-preta: afastar o que é indesejado; proteção. Em algumas tradições, grãos de pimenta entram em saquetas de proteção.
  • Malagueta: «queimar» a inveja. Na tradição popular brasileira, é comum ter um vaso de pimenteira à porta; diz a crença que, se a planta secar de repente, «absorveu» mau-olhado. Na prática, uma pimenteira seca por falta de água, excesso de rega ou pragas.
  • Gengibre: acelerar, dar força, atrair prosperidade. Na magia moderna, junta-se a outras especiarias em misturas para «aquecer» um pedido.

Estes significados são convenções simbólicas e crenças, não efeitos demonstrados. Nenhuma prática garante resultados.

➜ Ervas de proteção

➜ Como fazer um sachê de ervas

Uma nota sobre o hoodoo

No hoodoo norte-americano, a malagueta em pó entra em misturas destinadas a «afastar» pessoas. O Grimório.pt descreve essa tradição na página própria, mas não ensina práticas contra outras pessoas. Espalhar malagueta à porta de alguém pode causar lesões reais nos olhos e na pele.

➜ Hoodoo

Precauções

A malagueta é a especiaria mais arriscada desta página. A substância que pica, a capsaicina, é a mesma usada nos sprays de defesa pessoal.

  • Mãos: depois de cortar malaguetas, lave as mãos com água e sabão (um pouco de óleo ajuda a retirar a capsaicina). Use luvas se tiver pele sensível.
  • Olhos: nunca toque nos olhos nem nas lentes de contacto com as mãos sujas de malagueta. Se acontecer, lave com muita água corrente.
  • Nunca queime malagueta em defumações ou no fogo: o fumo é muito irritante para os olhos e os pulmões, e perigoso para quem tem asma, crianças e animais.
  • Banhos: não use malagueta nem gengibre em banhos. Podem causar queimaduras e irritação da pele e das mucosas.
  • Gengibre em suplementos: em doses altas (cápsulas, extratos), pode interagir com anticoagulantes. Fale com o médico ou farmacêutico se toma medicação, está grávida ou vai ser operado.
  • Animais: malaguetas e comida picante fazem mal a cães e gatos.

Em caso de dúvida sobre uma intoxicação, ligue para o CIAV — 800 250 250.

Continue a ler

➜ Anis-estrelado

➜ Alho na tradição

➜ Simpatia com canela

➜ Todas as ervas

Fontes

  • A. H. de Oliveira Marques, História de Portugal, vol. II (Presença) — a Carreira da Índia e o comércio das especiarias.
  • «Black pepper», Encyclopaedia Britannica — britannica.com
  • Centro de Informação Antivenenos, INEM — inem.pt

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