Os alquimistas escreviam com sinais. Um triângulo podia ser o fogo, um círculo com ponto o ouro, uma cruz sobre um círculo o antimónio. Estes sinais poupavam espaço, escondiam os segredos dos curiosos e ligavam cada substância a uma ideia maior: um planeta, um elemento, uma fase da obra.
Esta página é um guia de leitura: mostra os símbolos mais comuns e o que queriam dizer. Para a história da alquimia em si, veja a página própria.
Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Nome | Símbolos alquímicos |
| Origem mais antiga conhecida | Sinais dos planetas em papiros gregos tardios; sistemas alquímicos desenvolvidos na Idade Média e no Renascimento |
| Culturas | Alquimia greco-egípcia, árabe e europeia |
| Uso atual | História da química, esoterismo, arte e tatuagem; bloco próprio no Unicode desde 2010 |
Uma nota importante: não havia um sistema único. O mesmo material podia ter vários símbolos, e o mesmo símbolo podia mudar de autor para autor. As tabelas abaixo mostram as formas mais comuns.
Os quatro elementos
A ideia dos quatro elementos vem da filosofia grega (Empédocles, séc. V a.C.; depois Aristóteles). Os alquimistas representavam-nos com triângulos:
| Símbolo | Elemento |
|---|---|
| 🜂 (triângulo para cima) | Fogo — sobe, como a chama |
| 🜄 (triângulo para baixo) | Água — desce, como a chuva |
| 🜁 (para cima, cortado) | Ar — leve como o fogo, mas «travado» |
| 🜃 (para baixo, cortado) | Terra — pesada como a água, mas mais firme |
Juntando o triângulo do fogo e o da água obtém-se o hexagrama, lido pelos alquimistas como união dos opostos.
Os três princípios (tria prima)
Paracelso (1493–1541) acrescentou aos elementos três princípios presentes em toda a matéria:
| Símbolo | Princípio |
|---|---|
| 🜍 Enxofre | A «alma»; o que arde |
| ☿ Mercúrio | O «espírito»; o que se funde e evapora |
| 🜔 Sal | O «corpo»; o que fica, não arde nem evapora |
Os sete metais e os planetas
Pelo século XV, a ligação entre os sete metais conhecidos e os sete planetas já estava fixada. Por isso os símbolos dos metais são os mesmos dos planetas:
| Símbolo | Metal e planeta |
|---|---|
| ☉ | Ouro — Sol |
| ☽ | Prata — Lua |
| ☿ | Mercúrio (azougue) — Mercúrio |
| ♀ | Cobre — Vénus |
| ♂ | Ferro — Marte |
| ♃ | Estanho — Júpiter |
| ♄ | Chumbo — Saturno |
Uma das explicações para o símbolo de Vénus ser o do cobre: os espelhos antigos eram de cobre polido, e o sinal ♀ foi lido como um espelho. É uma hipótese, não um facto seguro.
Outras substâncias
Entre os séculos XVI e XVIII, novas substâncias receberam símbolos próprios:
| Símbolo | Substância |
|---|---|
| ♁ | Antimónio (círculo com cruz em cima) |
| 🜺 | Arsénio |
| 🜖 | Vitríolo (sulfatos) |
| 🜅 | Aqua fortis (ácido nítrico) |
| 🜆 | Aqua regia (água-régia) |
Muitas destas substâncias são tóxicas ou corrosivas. A alquimia histórica causou envenenamentos, sobretudo por mercúrio e chumbo. Nada disto deve ser manipulado em casa.
As fases da Grande Obra
A Grande Obra (magnum opus) era o processo que, na crença dos alquimistas, levaria à pedra filosofal. Descrevia-se muitas vezes por cores e por aves:
| Fase | O que representava |
|---|---|
| Nigredo (negrura) | Decomposição, putrefação; o corvo |
| Albedo (brancura) | Purificação; o cisne |
| Citrinitas (amarelecimento) | Fase de transição, muitas vezes omitida |
| Rubedo (vermelhidão) | A obra acabada; a fénix |
A cauda de pavão (cauda pavonis), com muitas cores, era outro sinal do processo. Os alquimistas usavam também nomes de operações — calcinação, sublimação, dissolução, putrefação, fermentação — com sinais próprios, que variam muito entre autores.
No século XX, o psicólogo Carl Gustav Jung leu estas fases como imagens de transformação psicológica. É uma interpretação moderna, não o sentido original dos textos.
Para ler um manuscrito alquímico
- Não conte com um sistema fixo: confirme sempre a tabela do autor que está a ler.
- Atenção ao contexto: ☿ pode ser o metal, o planeta ou o princípio.
- Distinga química de alegoria: muitos textos misturam receitas de laboratório com linguagem religiosa e simbólica.
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Fontes
- «Alchemical symbol», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Magnum opus (alchemy)», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Planet symbols», Wikipedia — en.wikipedia.org
- Lawrence M. Principe, The Secrets of Alchemy, University of Chicago Press, 2013.