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🔯 Símbolos

Sigilos mágicos: história de um sinal

O que é um sigilo: dos selos de Salomão e dos caracteres medievais aos selos planetários de Agrippa, aos 72 selos da Goetia, a Austin Spare e à magia do caos.

5 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. Os grandes tipos de sigilos
  3. O selo de Salomão
  4. Os caracteres: letras que ninguém lê
  5. O selo de Deus
  6. Os selos planetários de Agrippa
  7. Os 72 selos da Goetia
  8. A viragem de Austin Osman Spare
  9. Magia do caos e cultura pop
  10. Mitos a desfazer
  11. Continue a ler
  12. Fontes

Um sigilo é um sinal desenhado que, na tradição mágica, representa um nome, um ser ou uma intenção. A palavra vem do latim sigillum, «selo», diminutivo de signum, «sinal».

Hoje, «sigilo» faz pensar sobretudo no método do artista Austin Osman Spare (1913): juntar as letras de um desejo num desenho. Mas essa é só a última etapa de uma história com quase dois mil anos, que passa pelo anel de Salomão, pelos grimórios e, em Portugal, pelo signo-saimão das portas e chaminés.

Esta página conta essa história e organiza os vários tipos de sigilos. O passo a passo do método de Spare está noutra página.

➜ Como desenhar sigilos: o método de Spare

Ficha

Campo Informação
Nome Sigilo; selo; em latim sigillum
Outros nomes Selo mágico, caractere, assinatura (de um espírito)
Origem mais antiga conhecida Sinais e «caracteres» dos papiros mágicos greco-egípcios
Culturas Magia greco-egípcia, judaica, islâmica, europeia medieval e moderna
Significados Assinatura de um anjo ou espírito; marca de um planeta; símbolo de um desejo (Spare)

Os grandes tipos de sigilos

Tipo Exemplo e época
Selo de um rei sábio O anel de Salomão (lenda antiga)
Caracteres mágicos Sinais dos papiros e dos grimórios medievais
Selo de Deus Sigillum Dei do Livro Jurado e de John Dee
Selos planetários Quadrados mágicos de Agrippa (1533)
Selos de espíritos Os 72 selos da Goetia (séc. XVII)
Sigilos de desejo Austin Osman Spare (1913) e a magia do caos

O selo de Salomão

A raiz da ideia é um anel. No Testamento de Salomão, texto grego antigo, o arcanjo Miguel entrega ao rei um anel com um sinal gravado, com o qual Salomão prende os demónios.

Um selo, na Antiguidade, era a assinatura de quem tinha autoridade. Na lenda, o selo de Salomão tornou-se a assinatura de Deus contra os demónios.

Em Portugal, a mesma ideia ficou no signo-saimão, o «signo de Salomão»: a estrela gravada em soleiras, chaminés e pendentes para guardar a casa.

➜ Testamento de Salomão

➜ O signo-saimão na tradição portuguesa

Os caracteres: letras que ninguém lê

Os Papiros Mágicos Gregos já estão cheios de caracteres: sinais parecidos com letras, com pequenos círculos nas pontas, que não pertencem a nenhum alfabeto.

Os grimórios medievais herdaram-nos. Eram uma escrita «para os espíritos», não para pessoas. A Igreja via-os com especial desconfiança, como sinais de pacto.

O selo de Deus

O Livro Jurado de Honório (séc. XIII) contém o Sigillum Dei, um grande diagrama circular com nomes divinos e angélicos.

No século XVI, o sábio inglês John Dee fez uma versão nova, o Sigillum Dei Aemeth. O British Museum guarda um grande disco de cera com este selo, que Dee usava nas suas sessões com a pedra de cristal.

Os selos planetários de Agrippa

Em De occulta philosophia (1533), Cornélio Agrippa publicou os quadrados mágicos dos sete planetas e os selos dos seus «espíritos» e «inteligências».

Agrippa diz que os selos se tiram destas tábuas. A leitura moderna é que cada selo é o traço de um nome, convertido em números e ligado sobre o quadrado.

➜ Selos planetários e quadrados mágicos

Os 72 selos da Goetia

A Goetia, primeiro livro do Lemegeton (séc. XVII), dá um selo a cada um dos 72 espíritos. O texto manda gravá-los em metais conforme a «nobreza»: ouro para os reis, prata para os marqueses, cobre para os duques, mercúrio para os presidentes, chumbo para o cavaleiro.

Aqui o sigilo funciona como a identidade do espírito. Os desenhos variam muito entre manuscritos; os que circulam na internet vêm quase todos da edição de 1904.

Não ensinamos o uso destes selos. Ficam como documento histórico.

➜ Os 72 espíritos da Goetia

A viragem de Austin Osman Spare

No livro The Book of Pleasure (1913), o desenhador londrino Austin Osman Spare mudou tudo:

  • o sigilo deixa de ser a assinatura de um espírito;
  • passa a ser um desejo condensado num desenho;
  • depois de feito, deve ser esquecido, para atuar, segundo Spare, no inconsciente.

É uma interpretação psicológica da magia, sem demonstração científica.

➜ Austin Osman Spare

Magia do caos e cultura pop

Nos anos 1970, a magia do caos retomou o método de Spare. Peter J. Carroll sistematizou-o em Liber Null (1978).

O argumentista escocês Grant Morrison chamou «hipersigilo» a uma obra longa feita com intenção mágica, como a sua banda desenhada The Invisibles. Também defendeu que os logótipos das grandes marcas funcionam como sigilos. É uma provocação de autor, não um facto.

Mitos a desfazer

Afirmação comum O que se sabe
«Os sigilos de Spare são medievais» Não: o método é de 1913
«Os selos da internet são os originais» Vêm quase todos da edição de 1904
«Um sigilo tem poder por si» É crença, sem prova
«Selo de Salomão é sempre a estrela de seis pontas» No Testamento o anel traz um pentalfa

Se quiser experimentar o método de Spare como exercício criativo, faça-o só sobre si próprio e as suas ações, nunca para influenciar outra pessoa. Se queimar o papel, use um recipiente à prova de fogo, longe de tecidos e nunca sem vigilância.

➜ Como usar velas com segurança

Continue a ler

➜ Gerador de sigilos (ferramenta)

➜ Selos planetários e quadrados mágicos

➜ Os 72 espíritos da Goetia

➜ Hexagrama e selo de Salomão

Fontes

  • «Sigil», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • H. C. Agrippa, Three Books of Occult Philosophy, livro II, cap. 22 (trad. 1651) — esotericarchives.com
  • Mathers e Crowley (ed.), The Book of the Goetia of Solomon the King, 1904 — sacred-texts.com
  • Austin Osman Spare, The Book of Pleasure (Self-Love): The Psychology of Ecstasy, Londres, 1913.
  • J. Leite de Vasconcelos, Signum Salomonis, Lisboa, 1918.

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