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📚 Grimórios

Liber Officiorum Spirituum, o «Livro dos Ofícios dos Espíritos»

O Liber Officiorum Spirituum, fonte citada por Johann Weyer em 1577: o que se sabe, versões em manuscritos ingleses e ligação à Goécia e ao Book of Oberon.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha do grimório
  2. Origem real e lenda
  3. O que contém
  4. Versões conhecidas
  5. Relação com o Livre des Esperitz e a Goécia
  6. Porque Weyer o publicou
  7. Curiosidades
  8. Onde ler
  9. Continue a ler
  10. Fontes

O Liber Officiorum Spirituum («Livro dos Ofícios dos Espíritos») é um livro perdido — ou talvez nunca tenha sido um único livro. Conhecemo-lo sobretudo porque Johann Weyer o indicou como fonte do seu catálogo de demónios, em 1577.

Não se conhece nenhum manuscrito que seja, com segurança, o «original». Sobreviveram, porém, vários textos ingleses dos séculos XVI e XVII com títulos parecidos («The Office of Spirits», «The Book of the Office of Spirits»), que permitem reconstruir a sua forma.

É, por isso, um elo invisível mas central na história que liga o Livre des Esperitz francês à Goécia inglesa.

Ficha do grimório

Campo Informação
Título Livro dos Ofícios dos Espíritos
Nome original Liber officiorum spirituum (latim)
Período Anterior a 1577; cópias e versões dos séc. XVI–XVII
Origem Europa; versões conhecidas sobretudo em Inglaterra
Autoria Atribuída a Salomão; autores reais desconhecidos
Idiomas Latim e inglês
Tipo Catálogo de espíritos (demonologia)

Origem real e lenda

Weyer descreveu a sua fonte com um título longo: Liber officiorum spirituum, seu Liber dictus Empto. Salomonis, de principibus et regibus daemoniorum — «Livro dos ofícios dos espíritos, ou livro chamado Empto. de Salomão, sobre os príncipes e reis dos demónios».

O nome de Salomão é, como sempre nestes textos, uma atribuição lendária. A abreviatura «Empto.» nunca foi explicada de forma consensual.

Segundo Joseph H. Peterson, o texto que Weyer usou já tinha sido reorganizado antes de lhe chegar às mãos, o que indica que era bastante mais antigo do que 1577.

➜ Johann Weyer e o De Praestigiis Daemonum

O que contém

Pelo que se sabe das versões sobreviventes, o Liber Officiorum Spirituum era um catálogo hierárquico de espíritos — demónios e, em algumas versões, também fadas —, com o nome, a aparência atribuída, os «ofícios» (aquilo que cada um saberia ensinar ou fazer) e o número de legiões.

A versão inglesa mais desenvolvida enumera 82 espíritos: três principais, quatro reis e mais setenta e cinco. Algumas versões acrescentam conjurações; não as descrevemos nem reproduzimos.

➜ Demonologia

➜ As fadas no folclore

Versões conhecidas

Versão O que se sabe
Weyer, 1577 Resumo latino em 69 demónios, publicado como Pseudomonarchia Daemonum
John Porter, 1583 Versão inglesa copiada ou traduzida por John Porter; é a mais detalhada
Folger, MS V.b.26 Manuscrito isabelino (c. 1577–1583) que inclui uma cópia do «Office of Spirits»
Sloane MS 3824 e 3853 Manuscritos da British Library (séc. XVII) com elementos do mesmo texto

O manuscrito da Folger Shakespeare Library foi editado em 2015 com o título The Book of Oberon.

➜ Book of Oberon

Relação com o Livre des Esperitz e a Goécia

Os estudiosos veem uma linha de transmissão, com muitas variantes pelo caminho:

  1. Livre des Esperitz (França, séc. XV–XVI) — 46 espíritos descritos, com Lúcifer, Belzebu e Satanás no topo.
  2. Liber Officiorum Spirituum — versões latinas e inglesas que reorganizam e ampliam essa lista.
  3. Pseudomonarchia Daemonum (Weyer, 1577) — 69 demónios, sem selos.
  4. Tradução inglesa de Reginald Scot (The Discoverie of Witchcraft, 1584) — com erros e com um demónio (Pruflas) esquecido.
  5. Goécia (séc. XVII) — 72 espíritos, já com selos, muito dependente da tradução de Scot.

Peterson nota que Weyer refere 72 espíritos mas só lista 69. A Goécia chega aos 72 acrescentando quatro e deixando de fora Pruflas.

➜ Livre des Esperitz

➜ Pseudomonarchia Daemonum

➜ Goécia

Porque Weyer o publicou

Weyer era médico e crítico dos processos de bruxaria. Publicou o catálogo como apêndice para mostrar o que considerava impostura e loucura dos mágicos, não para que alguém o usasse.

Ironicamente, foi essa publicação que salvou o conteúdo do Liber Officiorum Spirituum e o pôs a circular pela Europa.

Curiosidades

  • O «ofício» de um espírito era a sua função na corte infernal — tal como um ofício era um cargo numa corte real.
  • A presença de Oberon, rei das fadas, em algumas versões inglesas mostra como demonologia culta e folclore se misturavam na Inglaterra isabelina.

Onde ler

A Pseudomonarchia Daemonum de Weyer (1577), em latim e em tradução inglesa, pode ler-se gratuitamente no site Esoteric Archives, com introdução de Joseph H. Peterson. A transcrição do manuscrito Folger V.b.26 está também disponível no mesmo site.

Continue a ler

➜ Biblioteca de grimórios

➜ Lemegeton, a Chave Menor de Salomão

➜ Anjos, demónios e entidades

Fontes

  • Joseph H. Peterson, introdução a Johann Weyer, Pseudomonarchia Daemonum — esotericarchives.com
  • «Liber Officiorum Spirituum», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • «Pseudomonarchia Daemonum», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • Daniel Harms, James R. Clark e Joseph H. Peterson, The Book of Oberon, Llewellyn, 2015.

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